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Monday, September 23, 2013

O castigo medieval para mexericos...‏

                                           
...ou um deles (já que nesses tempos as pessoas eram particularmente criativas) era O Freio da Repreensão, uma máscara de humilhação que impedia a pessoa de abrir a boca ou mexer a língua para dizer disparates. Era particularmente usado em mulheres que perturbavam a ordem pública por serem "intriguistas e virulentas" mas acredito que homens cordilheiros e de língua afiada também fossem bons candidatos.  Tornou-se especialmente popular mais tarde, por volta de 1500,  e terá sido usada em casas de correcção até ao início do século XIX. Reparem no guizo em cima: servia para chamar a atenção quando o condenado passava. Provavelmente, haveria um pregão para anunciar "esta pessoa é uma mexeriqueira horrível, não confiem nela" ou coisa parecida. 

File:Scoldengravingalpha.jpg Sendo o hábito de intrigar destrutivo e perigoso, especialmente quando visa pessoas inocentes, esta era uma forma rápida e eficaz de denunciar os elementos perturbadores da sociedade. Paradoxalmente, na era do Facebook em que todos estão ligados e basta mandar uma mensagem mal intencionada para que os rumores se espalhem, é mais difícil expor um bisbilhoteiro. Eu, que sou uma rapariga tradicional e com horror ao politicamente correcto, não sei se não votaria pelo regresso de um castigo semelhante.


Mas mais importante do que não contar mexericos, é não dar ouvidos a mexericos. Afinal, são precisos dois para dançar o tango. Pessoas maldosas que inventam histórias contra quem está quieto em sua casa são como a pobreza e as baratas:
 hão-de existir sempre. É só não lhes dar troco, deixar as suas palavras entrar por um ouvido e sair pelo outro, certo? Sempre acreditei nisso e nunca me dei mal com a  fórmula. As intrigas morrem por si se não encontrarem um receptor.

                                        

 Infelizmente, para cada mexeriqueiro há sempre alguém que adora ouvir mexericos e reagir de acordo, mesmo que se prejudique com isso e faça sofrer as pessoas que lhe são próximas graças à sua fraca cabeça. É o velho caso que se via muito antigamente, do marido ciumento a quem bastava ouvir uma mentirola na taberna para chegar a  casa e desancar a pobrezita da mulher...
Pessoas assim, influenciáveis, gostam da atenção que lhes é prestada pelos intriguistas; sentem-se importantes porque os outros se dão ao trabalho de lhes vir contar o resultado das suas "investigações" e mais depressa acreditam no mensageiro que não conhecem de lado nenhum do que na vítima que é apontada, mesmo que a  conheçam muito bem.
 Nada temam, na Idade Média e mais além também havia solução para quem emprenhava pelos ouvidos: umas valentes orelhas de burro, também chamadas Máscara dos Parvos

File:Brank - Kelvingrove Art Gallery and Museum.jpg


Mas porque é que será que os costumes úteis caem em desuso? Raio de tempo politicamente correcto em que vivemos.

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