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Saturday, September 28, 2013

O estilo perfeito de Gina Lollobrigida‏

                                       

Ah, as sereias da cinecittà: Claudia Cardinale. A minha preferida, Sophia Loren. Isto sem desfazer em Gina Lollobrigida: há um lugar muito especial no meu coração para La Lollo, com uma beleza mais clássica, mais understated talvez. Não é segredo para quem passa por aqui a influência que o estilo/imaginário italiano têm para mim, e é impossível pensar, por exemplo, em Dolce & Gabbanna sem que estas senhoras que deram corpo e expressão artística a nível mundial ao estilo romano/siciliano nos venham à mente. 
 O preto, as rendas, as blusas de camponesa, os sheath dresses a modelar curvas perfeitas, os pormenores delicados, tudo são detalhes que fazem parte da forma italiana de fazer as coisas, de perceber e interpretar a beleza. Nas telas dos nossos dias Monica Bellucci, Penelope Cruz e Eva Mendes são dignas sucessoras: não só no tipo, mas na impecável forma como se apresentam, repetindo uma receita que nunca falhou.
 Há dias encontrei este delicioso artigo de moda do Milwaukee Sentinel, 1964, sobre o fascínio americano com o guarda roupa e dicas de styling de Gina Lollobrigida, e achei-o demasiado bom para o guardar só para mim. Gosto sempre de ter a visão da época, os pormenores, as descrições de quem viu de perto:

"A rapariga pequena, de cabelo escuro, caminha por um corredor nas Waldorf Towers usando um vestido subido sem mangas, um colar turquesa e sapatos Chanel: é Gina Lollobrigida (...) quando se olha de perto, o elegante vestidinho de lã é, por acaso, um Dior; o colar é uma antiguidade de 3000 anos, feita com peças de porcelana persas e fenícias. O seu penteado médio longo com ligeira franja é meticuloso; a maquilhagem é impecável, com cada pestana cuidadosamente escovada; o seu verniz senhoril é claro e ligeiramente transparente; usa um grande anel de diamantes em forma de coração: mas mesmo assim ela parece tranquila, sincera e completamente organizada.
 E na verdade, é: quando veio para Hollywood, trouxe consigo 36 malas de roupa. Em Nova Iorque por uns dias a caminho de Roma, conseguiu compilar o conteúdo dos 36 sacos numa única mala. Tem consigo um bocadinho de tudo o que gosta, alguns fatos Chanel, vestidos Dior e uns quantos extras que foi comprando em lojas".

"Alguém que espere que a bagagem de Gina Lollobrigida esteja cheia de vestidos vertiginosamente decotados e rendas pretas ficaria chocado: `as mulheres são mais sexy quando não mostram tudo´diz ela.  Lollobrigida é uma rapariga Chanel. Nem sabe contar quantos fatos Chanel tem, possivelmente 20 ou 30. Naturalmente, é a própria Chanel que a ajuda a escolhe-los e que os faz em tecidos e cores que não sejam iguais aos de toda a gente. Gina traz três consigo: um encarnado vivo, um amarelo e um tweed cor de trigo com detalhes rosa: `tenho tantos, mas acabo sempre por trazer os meus preferidos`. A maior parte dos seus vestidos de festa são Dior: `gosto de Dior: tão rico e simples`."

O artigo conta ainda, entre outros pequenos quês que vale a pena ler, como a estrela lavava e secava o próprio cabelo, ou fazia a própria maquilhagem, por não ter "tempo para salões" - como era, aliás, comum nesse tempo tanto entre "artistas" como senhoras de boa sociedade. Completamente, my kind of girl!
O que me fascina em Lollo (como em Marilyn, Loren, Bardot...) é a disciplina espartana do seu estilo: linhas simples, tecidos ricos, fitting perfeito, bons materiais que tornavam o compor de um look um ritual de três minutos. É fácil e rápido vestir bem, estar sempre composta, quando se conhece a fórmula que resulta. Também adoro o pormenor de usar antiguidades no meio de muita roupa luxuosa e /ou impecavelmente nova. As jóias devem ser únicas e se forem velhas como os montes, com significado, tanto melhor. E poucas. É sempre mais dramático usar um único apontamento realmente bonito.
 É claro que Eva Mendes depende das Rachels Zoes deste mundo para conseguir um efeito vagamente semelhante. Não é nenhum desprimor, mas...Céus, Lollo tinha a própria Coco a ensinar-lhe os truques. Uma lenda a vestir outra. Há coisas que já não voltam.


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