Recomenda-se:

Netscope

Friday, September 6, 2013

O primeiro barrete nunca se esquece.

                               
Embora não me considere consumista por aí além, sempre tive uma certa curiosidade por marcas e novidades (ainda hoje tenho, e olhando para trás era inevitável que a minha vida passasse pelo marketing). Era eu muito pequena, tão pequena que já nem me lembro que idade tinha, e o anúncio do Presto passava na televisão. Vi os Glutões (os bonequinhos que devoravam nódoas) a saltar da embalagem e, achando que aquilo era mesmo assim ou que, no mínimo, devia trazer um brinde de glutões de peluche ou borracha (já não me recordo qual era a hipótese mais plausível) fiquei em pulgas para tentar em casa aquele truque tão giro. Já imaginava a cara da família quando visse os bonecos a esvoaçar pela lavandaria...
 Como tinha vergonha de dizer directamente à mãe que trouxesse o almejado detergente para casa (uma vez que eu não lavava a roupa, ela desconfiaria imediatamente que havia marosca ou pior, ia perceber a minha ingenuidade) engendrei uma autêntica campanha de apologia ao Presto - eu tinha imenso jeito para decorar os slogans. Ai, que este detergente tem bio não sei quê, e blá blá blá. Não me lembro dos argumentos mas devem ter sido convincentes porque o Presto lá veio. Depois precisei de arranjar uma desculpa esfarrapada para abrir a embalagem - e a senhora mãe cada vez mais desconfiada. 
 Quando finalmente consegui, foi grande a minha desilusão ao perceber que não saltavam Glutões do pacote. Mas pior foi quando perceberam o porquê de tanta insistência: então não sabes que os Glutões não existem?
 Pois, não sabia, ou estava com a ténue esperança no brinde. Foi aí que aprendi que quando uma coisa parece demasiado boa, gira, divertida ou qualquer outra coisa para ser verdade, geralmente é. Nunca mais chateei ninguém para comprar aquela marca (mesmo que ainda hoje existisse havia de a boicotar só pela publicidade enganosa) e passei a embirrar vivamente com Glutões. A tirar as ilusões a uma pessoa! Não se faz. 
Mas ao menos ganhei uma bela metáfora para os glutões da vida real, que não vêm em pacotes, nem são às cores, nem aparecem na TV. Quando algo soa muito bom para ser verdade...já se sabe. O pior é a esperança no brinde, que às vezes engana mesmo gente crescida...

1 comment:

Lembranças de Infância said...

Eram uns bonecos muito atrativos para a criançada mas jamais pensei serem reais :)
Mas existiu sim brindes em embalagens de detergentes para a roupa. Não sei qual a marca mas lembro que colecionava molduras em PVC, para colocar fotografias. Eram coloridas e tinham vários formatos, sendo o mais giro o coração.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...