Recomenda-se:

Netscope

Saturday, September 7, 2013

Profissão: vampiro.

                                      
Embora a febre de Crepúsculo e suas imitações tenha tirado muita graça ao género, sempre tive uma grande queda para o universo dos vampiros e, se me tivesse sido dada tal oportunidade de carreira, teria sinceramente pensado nisso.
 Desliguem agora da realidade por uns instantes e vamos assumir que os vampiros existem, está bem? É que sou menina para isso e para muito mais: numa altura em que tive o azar de trabalhar às ordens de um indivíduo assaz desagradável, deliciava-me muitas vezes a sonhar que eu era vampira, logo podia
 atacá-lo  num momento de fúria justificada, arrumando de uma só cajadada o mau ambiente na redacção e o dilema "o que é que me apetece para o almoço?"...mas divago.

É que vejamos: os vampiros são bonitos, eternamente bonitos, e tudo o que fale ao meu sentido estético está bem para mim. Até podem ser feios por dentro, mas o mundo está tão cheio de gente feia por dentro e por fora que se ao menos o exterior for bonito, já se salva alguma coisa. 

Depois têm um estupendo sentido de estilo, apurado de séculos, com uns toques vintage ou retro aqui e ali, e uma elegância fenomenal, daquela que vai rareando. Fora o Crepúsculo, com vampirinhos imberbes de ténis, nunca vi um vampiro mal enjorcado ou malcriado. (E mesmo para Crepúsculo, foram buscar a minha querida Carolina Herrera para fazer o deslumbrante vestido da noiva enjoada). Os vampiros nunca são grosseiros, a não ser talvez os de 30 Days of Night que eram feios que se fartavam e tinham uns maus modos terríveis à mesa - mas isso são modernices, tal como os vampiros que brilham ao sol, coisa mais amaricada. Vampiros verdadeiros, como Bela Lugosi, Christopher Lee, Lestat, as meninas dos fimles da Hammer, ou vá, alguns de True Blood, possuem uma acentuada sensualidade e um sentido de humor algo cínico, à moda de Oscar Wilde. São snobes no bom sentido. Não há vampiros reles, nem pequeno burgueses, nem suburbanos, nem subservientes: a certeza da sua imortalidade, se lhes dá uma certa amargura - porque já viram todas as torpezas do ser humano e nada os surpreende - confere-lhes muito, muito mundo e uma segurança imbatível. Alguma vez ouviram falar de um vampiro stressado? Com a auto estima em baixo? Preocupado em pagar as contas? Claro que não, os vampiros são como os cavalheiros de antigamente, não se ralam com coisas tão vulgares como o dinheiro. Séculos de vida dão para caçar tesouros, para morder umas pessoas desonestas e ficar-lhes com a fortuna porque ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão, para fazer grandes negócios, sabe-se lá. Por isso vivem sempre em grande estilo. E também não engordam, tal como não envelhecem. Não se ralam com absolutamente coisa nenhuma, não lhes falta nada, estão-se nas tintas para quase toda a gente, não acatam ordens, nunca fazem fretes apesar de às vezes terem aquele ar entediado de quem já viu o mesmo filme muitas vezes. Não têm de se preocupar com o certo e o errado (são almas penadas, mesmo) nem  sorrir a gente aborrecida. Aliás, se alguém os maçar muito, podem fazer dessa pessoa o lanche, e problema resolvido. São uns hedonistas de marca maior, porque é preciso entreter a eternidade o melhor possível. E a própria questão da "solidão vampiresca" só existe nos filmes: estou certa de que a maior parte das pessoas das minhas relações não ficaria muito chateada de se juntar ao clã: a vida está cada vez mais difícil, quem se negaria a ser vampiro quanto mais não fosse, para fugir à febre do politicamente correcto? 


Além de que não faltam vampiros bem apessoados, como o Ray Stevenson aí nas imagens, homem mais interessante à face da Terra...

 Os meus problemas seriam com a falta de sol (assim como assim não apanho muito; creio que no quesito palidez estou aprovada para vampira, mas gosto de ver a luz do dia e...como é que eu ia fazer para ir às lojas, por exemplo? Os centros comerciais são algo limitados e apinhados) e a falta de variedade da ementa. Já ouvi falar de vampiros que podem saborear outras coisas além de bife tártaro- mas não tenho a certeza. Uma eternidade sem peixe, marisco, bons vinhos, chocolate, gelados e tudo isso é capaz de não ser muito agradável.
  Aliás, ontem vi um filme em que uma pessoa tinha a opção de ser meio vampiro. Com os poderes todos mas possibilidade de andar por aí à luz do sol, ir à praia e de complementar a dieta com outras coisas. 

Ora, isso convinha-me imenso. Não sei onde posso entregar o curriculum, mas vou andar atenta.





No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...