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Thursday, September 19, 2013

"The great love that cannot bear fruit", ou o comodismo deles

                             
File:Frederic William Burton - Hellelil and Hildebrand or The Meeting on the Turret Stairs.jpgJá o disse por aqui - detesto histórias de amor que acabam mal. É claro que todos os dias há namoros e casamentos que terminam (c´est la vie) mas nem todos são verdadeiras histórias de amor, daquelas capazes de inspirar artistas, de marcar uma pessoa para a vida, daquelas que valem a pena. 

Curiosamente, muitas vezes são as "verdadeiras histórias de amor", aquelas que marcam, que não vão a lado nenhum; afinal, é muito mais fácil manejar emoções mornas e ser civilizado em relações sem graça que não provocam grande emoção. 

Em circunstâncias dessas, todos somos capazes de nos portar bem, pois como dizia Mae West, quem está verdadeiramente apaixonado não consegue ser razoável; e se o casal é capaz de ser extremamente frio, lógico e razoável, é porque a paixão não é muita.

Não há nada mais triste do que "The great love that cannot bear fruit", o grande amor desperdiçado, amaldiçoado pelo destino. É uma ideia romântica, mas acontece muito: ou por circunstâncias externas ( a noção de "star crossed lovers", vulgo Romeu e Julieta) ou por estupidez dos envolvidos.

E uma das formas de estupidez mais comuns é a mania masculina do "não te rales". Atenção, não estou a  dizer que nós, mulheres, não fazemos asneiras (fazemos, e muitas). Mas sendo mulher, detecto mais facilmente os disparates do sexo oposto, os leitores de calças que me perdoem.

O comodismo, o "não te rales" masculino manifesta-se de várias maneiras:  não é apanágio dos homens preguiçosos. Já o vi em cavalheiros muito dinâmicos, cheios de iniciativa e boas intenções. Mas juro-vos, porque tenho visto mais exemplos do que gostaria, que o "deixa andar", o "não te rales", é um "aparta amor" de primeira ordem.

O homem é um animalzinho de hábitos. Gosta das coisas à sua maneira e tem uma dificuldade tremenda em sair da sua zona de conforto, mesmo no seu melhor interesse. Por isso, é-lhe muito difícil mudar, por mais apaixonado que esteja, por mais que veja a casa vir abaixo.

Já vi relações fantásticas acabarem porque o cavalheiro era demasiado preguiçoso para lutar pela vida. Mandrião o suficiente para se desleixar com a sua aparência, com as suas contas, com a sua carreira, apesar dos muitos avisos. E as mulheres são apaixonadas, não são santas. Azar.

Também sei de casos em que o homem opta por uma atitude tofu, de chove não molha - ou por timidez, ou porque não sabe o que quer, ou porque julga que o amor é suficiente e está tudo garantido. Depois fica muito indignado quando vê que a mulher da sua vida lhe escorregou por entre os dedos com alguém mais decidido. Love takes time, but won´t wait forever, lá dizia a cantiga.

E há ainda os que insistem na mesma tecla, over and over. Explicam-lhes preto no branco que certas atitudes não são aceitáveis, que assim não é possível, que os limites são aqueles; são avisados centos de vezes; mas por menos que lhes convenha perder a pessoa de quem gostam, custa-lhes muito mais prescindir dos disparates do costume, afinal, old habits die hard. E depois ficam muito admirados, e a achar que as mulheres são cruéis e complicadas. O velho "NO MEANS NO" não entra no cérebro masculino, nada feito.

E por mais que as paredes abanem, que o sinal de alarme toque, estes senhores não se mexem do sítio, não se esforçam um bocadinho. A preguiça é má em toda a parte, mas nestes casos é mesmo pouca vontade de evoluir. Não é suposto o amor tornar-nos pessoas melhores, ajudar-nos a crescer, puxar pelas nossas maiores qualidades e essa demagogia toda? Ia jurar que já li isso algures...

2 comments:

Ulisses L said...

Curioso!

Tenho para mim uma coisa como verdade: Alguém que se diz apaixonado por alguém, que diz que ama alguém mas que quer mudar essa pessoa, não a ama na realidade. Ama ou está apaixonado(a) pelo ideal que concebeu dessa pessoa.
Quando o ideal não bate com a realidade (afinal não é sempre isso que acontece?!) tenta-se mudar a pessoa para se adequar ao ideal!
É aqui que as coisas dão para o torto, sobretudo se estamos a falar de traços de personalidade!
Se alguém diz que me ama mas me quer mudar, então não me ama, ama o que eu seria se mudasse...
...e se eu não fizer tenções de mudar, porque sou como sou e quem não gosta tem mais por onde escolher, então é óbvio que a pessoa não me ama, por mais que se tenha convencido disso!

Claro que isto não se aplica às pequenas concessões que se fazem no dia a dia de uma vida em conjunto e que têm de existir de parte a parte...

Mas se alguém quer mudar a minha personalidade, a minha aparência ou seja o que for em mim...
...vai-se dar mal!

Porque eu (como a maioria dos homens) não tento mudar quem está comigo! Se eu estou com alguém é porque gosto dessa pessoa e não de quem essa pessoa poderia vir a ser...

Mas já percebi há muito que é dificil a uma mulher perceber isso!
Tão dificil que, para grande desgosto meu já acabei relações com pessoas que, na altura, significavam o mundo para mim, simplesmente porque essas pessoas achavam que eu devia ser diferente do que sou!

Mas mais importante e que disse a essas pessoas porque é que não fazia sentido continuar com elas...
...e em 100% dos casos houve arrependimento da parte delas - o que não evitou que voltassem a repetir o mesmo erro em relação a outras pessoas que passaram na vida delas a seguir...
...e, na maior parte dos casos, continuaram a dar-se mal!

:)

Imperatriz Sissi said...

Ulisses, não me expliquei bem. Obviamente não me refiro a mudar o carácter/hábitos da pessoa, moldá-la ao estilo Pigmalião. Isso é insensato e inútil.
Refiro-me a comportamentos (falta de respeito, por exemplo) que magoam o outro, que inviabilizam a relação e que o parceiro, embora diga que está empenhado no relacionamento, se recusa a modificar. Não podemos servir a dois senhores, e há limites que não podemos ultrapassar. Essa é a essência do compromisso.

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