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Tuesday, September 24, 2013

Uma "Princesa de Hollywood" com valores‏.

                                     
Rita Hayworth é uma das minhas referências de estilo: o cabelo flamejante, uma joie de vivre tão intensa que parecia tocar o espectador, os intemporais vestidos,  a sensualidade sem esforço, vulgaridade nem photoshop - desafio qualquer "A-lister" dos nossos dias  a conseguir o mesmo efeito devastador - os "lábios mais bonitos da indústria" e a beleza intemporal, mistura do tipo céltico (mãe americana de origem anglo-irlandesa) com o mais puro sangue espanhol (o pai era dançarino de Flamenco, de Sevilha, nem mais!) formavam uma daquelas combinações que não se repetem.
 A imortal Gilda já foi referida muito ao de leve por aqui, mas fica prometido um post dedicado ao seu estilo. Afinal, ela não se tornou conhecida como "a rapariga mais bem vestida de Hollywood" por nada... 
Ora, apesar de ser tida como uma senhora de "discurso suave", católica devota (chorou copiosamente quando soube que o seu nome era escrito nas bombas lançadas pelos Aliados, durante a Segunda Guerra)  e bastante tímida, Rita Hayworth teve, como tantas divas das telas,  uma vida pessoal atribulada. 
 Nunca encontrou a estabilidade amorosa e a paz doméstica que tanto ambicionava. E ao que parece, não tinha mesmo sorte. Ficou famoso o seu lamento "o problema é que eles (os homens da sua vida) se deitam com «Gilda» mas acordam comigo.." .
 Dos seus cinco maridos, os dois que a terão amado mais (e pais das suas duas filhas) acabaram por desiludi-la profundamente: primeiro, o famoso Orson Welles, que acabou por esgotar a paciência da actriz com a sua megalomania. Depois, o Príncipe Aly Khan, que lhe destroçou o coração com traições sucessivas. 
 Por ele, a beldade abandonou a carreira no auge da fama, tornando-se, em 1949,  a primeira "Princesa de Hollywood". O casamento foi espectacular, "a boda mais extravagante que a Riviera já tinha visto": 500 convidados da Europa e dos EUA celebraram com uma quantidade impressionante de champagne e caviar, entre outras iguarias, e nadaram numa piscina perfumada com água de colónia. 
Pouco depois, Rita dava à luz a sua segunda filha, a Princesa Yasmin Aga Khan.
 Mas o idílio duraria pouco: Rita desejava uma vida privada, discreta, e o Príncipe era um verdadeiro playboy. A actriz, se inicialmente se deixara fascinar pelas luzes do jet set,  não conseguia adaptar-se ao estilo de vida excessivo  - e muito menos às infidelidades do marido. Apesar das tentativas de reconciliação, o casal acabou por se divorciar oficialmente em 1953.

 Rita levou consigo levou as filhas: a de Welles e a de Aga Khan. Apesar dos pedidos, súplicas, ameaças e chantagens do Príncipe, a ex-mulher negou entregar-lhe a filha. A actriz nunca fora capaz de renunciar à Fé Católica para se converter ao Islão, e apesar das instâncias  - e ofertas de somas fabulosas - para criar Yasmin como muçulmana, não abriu mão dos seus direitos de mãe, nem da sua fé. Não cedeu mesmo quando se viu perante graves dificuldades económicas, e privada da pensão de alimentos que lhe era devida após o divórcio.

"Nada me fará desistir de dar à Yasmin a oportunidade de viver na América, com os nossos hábitos e preciosa liberdade. Embora eu respeite a Fé Muçulmana, é o meu desejo que ela seja criada como Cristã e não há nada que se compare a esse direito sagrado. Vou proporcionar isso à minha filha, não importa o preço que tenha de pagar..." disse na altura, apesar de ter de esconder a pequena Princesa dos espiões do marido. O casal acabaria por retomar uma relação cordial, mas era demasiado tarde para Rita - as preocupações acabariam por lhe minar a beleza e a saúde. 

Há coisas que não se vendem, nem se compram: beleza, estilo, integridade, valores... 

3 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Mesmo! que senhra maravilhosa, por fora e por dentro.

barcelence said...

"Sensualidade sem esforço (...) nem Photshop"?! Essa senhora submeteu-se a eletrólise, que em plenos anos 30 devia ser mais dolorosa do que hoje é, tudo para recuar a linha de cabelo e ficar com a testa maior, já que o seu visual anterior - natural! - era muito étnico e latino. Pintou o cabelo, assumiu o apelido anglo saxónico da mãe ( e esqueceu o do pai, que nunca foi conveniente para a Hollywood daquela época ) "e não voltou a olhar para trás".
Veja-se o "grande" LA Confidential, onde parodiam muito bem as cirurgias estéticas que se faziam aí pelos anos 30-40.
Houve tempos em que tb me iludia, a pensar que naquela época, só mesmo as muito perfeitas podiam estrelar em Hollywood, já que não existiam as artimanhas de hoje... Wrong!
Só podemos concluir que "sensualidade sem esforço (...) nem Photoshop" não existe, ou está por encontrar, em Hollywood.

Imperatriz Sissi said...

@Bomboca, fantástica. De fibra!
@Barcelence, sobre o makeover e a biografia dela gostava de falar outro dia. Por sensualidade referia-me à atitude, muito diferente das poses vulgares de hoje. É sabido que nessa época o look de cada actriz era preparado milimetricamente. Mas acho que a transformação não foitão grande assim - ela era, afinal, metade irlandesa, metade sevilhana. Apenas realçou o lado céltico, que não a sujeitava tanto a papéis tipo (e mais raros).

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