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Netscope

Thursday, October 3, 2013

A nobre arte de conhecer o próprio valor.

                        
"   -  Do you know what you want? I mean, from him?
 - Respect. Tenderness.

     -Then tell him now. Leave this lopsided house. 
                        And do not come back until he give you those things, with both hands open."
Amy Tan, The Joy Luck Club

Penso muitas vezes que se as mulheres mantivessem a dignidade que lhes era ensinada noutros tempos, este mundo ultra moderno em que vivemos seria infinitamente melhor.
Para algumas, essas lições poderão pertencer a um passado distante. Eu fui uma das sortudas, tive uma série de fortes influências femininas à boa moda de ontem.  As lições antigas nunca me pareceram antigas, simplesmente era assim que as coisas se passavam de geração para geração; só quando cheguei ao liceu é que vi, com choque, que nem toda a gente pensava da mesma forma. Foi um momento "o Bom Selvagem". Um livro que expressa muito bem essas ideias (e o ambiente feminino em que me foram transmitidas) é The Joy Luck Club, de Amy Tan. Se não leram o livro nem viram o filme, recomendo ambos.

"Your tears do not wash away your sorrows. They feed someone else's joy. And that is why you must learn to swallow your own tears".

 Até hoje não recuperei do choque, confesso. E a despeito da independência da mulher (ou precisamente, por causa dela) não compreendo como o nosso género pode ter-se afastado tanto da forma de pensar que nos conferia um estatuto à parte. Coisas como...uma mulher digna jamais se mostra desesperada ou demasiado disponível, muito menos para o homem alheio. É reservada, elegante, modesta

Se todas as mulheres fossem dignas, e fizessem por escolher em vez de pôr-se nos bicos dos pés para ser escolhidas, não teríamos tanta competição feminina - e isto vale para tudo, até para o mundo do trabalho. Hábitos são hábitos, bons ou maus, e o desespero, o desejo de atenção é um deles. Uma mulher digna e educada nunca faz por chamar a atenção sobre si mesma, nunca faz um espectáculo de si própria. Se for bonita/inteligente/elegante ou tiver outra qualidade digna de nota, as atenções 
voltar-se-ão para ela. Só quem não possui nada que a recomende precisa disso

Quantas figuras tristes seriam evitadas se não fosse o péssimo hábito de chamar a atenção a todo o custo?

Depois, não compreendo as mulheres que colocam uma fasquia demasiado baixa, uma etiqueta muito barata em si mesmas. Facilitam. Recolhem migalhas. Dão tudo de bandeja, mesmo que isso as magoe. São capazes de se manter  perto do homem de quem gostam, só a ver se "as coisas se resolvem" sem promessas, sem compromissos, na esperança de "lhes conquistar o coração" (termo horrível). "Lutam por eles" (termo pior). Uma mulher não existe para conquistar, a sua natureza foi feita para ser conquistada, para o arrebatamento e a entrega. Entra pela porta grande, ou sai por ela - nunca o meio termo.
 Muitas fazem-no porque nunca lhes ensinaram o seu próprio valor. Uma mulher deve perguntar a si mesma quanto acha que vale - em esforço, em carinho, na dignidade que lhe é atribuída. E jamais aceitar um papel inferior ao que merece, quanto mais procurar colocar-se nessa situação constrangedora. Dizem as americanas: quando és a única mulher presente, para ele vales um milhão de dólares. Que esforço colocam as mulheres em serem a única? Quantas se atrevem ao tudo ou nada? E não se trata de ser mimada, caprichosa, exigente, embirrenta, cheia de si - mas de não ceder a atitudes que magoam ou menosprezam. Quem dá sinceridade, lealdade, transparência, dedicação - merece paga igual. Tudo o resto é wishful thinking. Dizia Picasso: só existem dois tipos de mulheres: deusas e capachos. Essa escolha é colocada a cada uma de nós, todos os dias. 





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