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Tuesday, October 8, 2013

As fontes de inspiração começam cedo.

E a maior parte é logo no berço (nenhuma mulher é imune às influências familiares e sobretudo aos exemplos femininos que as rodeia, já que isto é uma questão de "genética", como dizia o outro, e bem ou mal torcido o pepino ajeita-se de pequenino).  O resto vem com as referências culturais que, queiramos ou não,  nos atingem desde muito novas. Daí eu achar tão importante que os pequenos sejam expostos a imagens e ideias de bom gosto. É na infância que a sensibilidade se molda, e a brincar que se aprende...
 A cultura pop é uma inspiração tão boa como qualquer outra: algumas das primeiras referências externas  que me ficaram vinham dos cantores que se ouviam lá em casa, das revistas (Marie Claire, Photo, Elle, Time,  Grande Reportagem) que por lá paravam, dos filmes e séries antigos e/ou de época e...inevitavelmente, dos desenhos animados.
 Ora, eu preferia as heroínas (ou vilãs) com carácter, elegantes mas aguerridas e com um visual adulto. A princesa-guerreira-mas-delicada, She-Ra (que merecia um post) era uma das minhas preferidas. Mas melhor que uma Princesa exilada que descobre um grande destino só uma candidata a Rainha, certo? Melhor ainda, Rainha do País dos Feitiços. *Reverência*

  A série Majokko Megu-Chan, a.k.a Bia, a Pequena Feiticeira, que passou entre nós com uma dobragem deliciosa (quem podia não ser fã do grande Xoné?) é até hoje uma das minhas favoritas. O anime, principalmente o anime vintage, é aliás um género recheado de personagens elegantes (Lupin III, Lady Oscar, Saint Seiya, só para nomear alguns). 
  A Bia era  máximo ou melhor, a Nádia (Noa, noutros países) era o máximo. Um pouco reservada, como eu ("detesto andar em grupo! Prefiro ir sozinha!") destemida, circunspecta, blasé que se fartava e muito segura de si.
 A série não passou no nosso país até ao fim, mas fiquei sempre com a impressão de que a aplicada Nádia, que ficava "nos seus estudos de magia até à meia noite" acabaria por levar a coroa contra a amorosa mas  despistada Bia, que só pensava em namoros e brincadeira.

 E depois, em termos de visual não tinha par: esguia, longo cabelo flutuante, pálida, com uma maquilhagem impecável e fatiotas incríveis: muito preto, botas overknee, capas (a minha colecção de capas inclui pelo menos duas iguais às da Nádia) silhuetas longas, peças masculinas ao melhor género sartorial. Uma verdadeira rapariga Yves Saint Laurent.
 Um estilo misterioso que não escondia a ninguém a bruxa que ela era, mas cool o suficiente para se misturar na multidão (afinal, o desenho animado foi produzido nos anos 70; já era velhinho quando foi transmitido em Portugal).

 Está certo que não deixava de haver uma certa graça na forma como a Bia escondia a sua identidade através de roupas inocentes e coloridas. A arte do disfarce também é uma afirmação de moda inteligente. Mas o look da Nádia era um verdadeiro fashion statement. Hedi Slimane, anyone?
 Agora pensem lá bem se não há um paralelismo curioso entre as Bratz, as Winx e companhia e os horrores que vemos as adolescentes usar na rua. As bonecas de hoje são umas desavergonhadas. Não é que a Nádia ou a She-Ra não fossem sexy, que eram. Mas tinham outro cachet.












1 comment:

kariguergous said...

Estou completamente desactualizada... :D

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