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Friday, October 11, 2013

Full of courtesy, full of craft.




Eowyn: Leave me alone, snake! 

Wormtongue: Oh, but you are alone. Who knows what you have spoken to the darkness, alone, in the bitter watches of the night, when all your life seems to shrink, the walls of your bower closing in about you, a hutch to trammel some wild thing in? So fair, yet so cold like a morning of pale Spring still clinging to Winter's chill. 

Eowyn: Your words are poison! 

Tolkien, The Lord of  The Rings



 "Full of courtesy, full of craft" - cheio de mel, cheio de peçonha. Ou de manha. 
O ditado anglo-saxónico traduz algo que digo muitas vezes: não há que confiar em bajuladores. Mas há quem adule tão bem, e durante tanto tempo, que as suas intenções passam despercebidas ao mais desconfiado.

São capazes de dar o ombro, arrancar o coração do peito, consolar a vítima nos piores momentos, alinhar contra os seus (supostos) inimigos com uma exibição do cúmulo da lealdade, enquanto por dentro se remoem de inveja, de ambição ou pior ainda, aproveitam a sua situação privilegiada para alimentar fantasias que só podem nascer num coração negro. 

É o caso dos ombros interesseiros, que não são amigos de ninguém nem estão de facto apaixonados por ninguém - só procuram predatoriamente atingir ou obter o alvo das suas "afeições" ou antes, do seu desespero, a qualquer custo. De preferência, à custa da felicidade dos outros. 

A língua inglesa tem outra expressão genial para designar pessoas destas: snake in the grass. Aquele amiguinho (ou amiguinha) ou colega tão tímido, tão fofinho, tão solícito, que tem tanto azar na vida mas está sempre lá para apoiar os outros, enquanto pelas costas diz cobras e lagartos, usa a informação privada a que tem acesso (pior: distorce-a a bel talante) tenta roubar o par alheio por mais que saiba que não tem hipóteses, tece mil intrigas, mil artes, mil manhas - sempre oculto sob as ervas.

 À espera de morder e injectar o veneno. Rasteiro. A achar que o mundo lhe deve tudo. Definitivamente, é verdade que a miséria adora companhia. E que por menos ingénuo que se seja, há sempre sobre a terra mais uma criatura capaz de nos surpreender. Ou uma espécie de cobra com poderes miraculosos de camuflagem.

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