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Thursday, October 24, 2013

Luxos, para que vos queremos?


Conheci um professor numa escola perdida no meio dos montes que, fizesse o tempo que fizesse, nem que chovesse a potes, obrigava os alunos a rezar em coro todas as santas manhãs: "que lindo dia que está hoje! que linda está a nossa escola!". E às vezes a chover a potes, com um frio de rachar...

Não raro, estar bem com a vida é uma questão de fake it ´till you make it.
 Se estamos irritados, zangados, tristes, há que obrigar o pensamento a mudar de direcção, custe o que custar. Elevar as frequências, porque 
acredite-se ou não em magnetismos, quanto mais nervoso se está mais disparates se fazem e mais contratempos acontecem, deixando a pessoa mais infeliz ainda e propensa a mais desaires e depois fica desesperada porque é desgraça atrás de desgraça, chega a casa embirra com toda a gente, pior fica e...percebem a ideia. 

É preciso quebrar esse ciclo de aborrecimentos, nem que seja temporariamente. Cada um terá a sua maneira de fazer isso, e o que é bom para algumas pessoas, a outras deixa-as mais desorientadas ainda. 

Há quem goste de ouvir música triste quando se sente em baixo - a mim essa ideia parece-me tão miserável e deprimente que não imaginam: quando muito, ouço música pesada se estou irritada, para libertar a raiva.

  Mas creio que não há nada como um luxo - muito caro ou gratuito (uma sesta, abraçar o gato, ter tempo para nós) pequeno ou grande, para dar alguma doçura à vida. É para isso que serve. Não para a ostentação,  a cobiça o egoísmo ou o vício, como achava Voltaire, esse desmancha prazeres que não deixava de ter uma certa razão...

                                         

 ....mas para nos fazer bem,  lembrar que a vida é bela, aguçar os sentidos,  tornar o dia a dia mais suave. Se as coisas parecem feias, é preciso reparar nas coisas belas, rodear-se de beleza até que tudo o que é desagradável deixe de parecer tão importante.

Enfrentar um dia frio envolta em caxemira tem outra graça. Entrar numa reunião difícil usando seda oferece uma confiança diferente. Terminar um almoço apressado com um bombom recorda-nos que nem tudo é tão negro como o pintam. Para tudo é preciso imaginação, tendo sempre presente que, como disse Chanel e muito bem, o luxo não foge à recusa e ao que é simples: é o contrário de vulgaridade.  A negação da mesmice, do tédio, do medíocre, das queixinhas, da "luta", da cara feia. A apreciação das melhores coisas da vida...e das segundas melhores, sempre que possível.


                 

1 comment:

Olinda Melo said...

Gostei, IS, gostei muito. Palavras deliciosas e sábias que nos transmitem grandes verdades.

Obrigada :)

Olinda

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