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Tuesday, October 1, 2013

Of boys and men.

                
Por estes dias, citei aqui o imortal e muitíssimo recomendável Vanity Fair. E logo a seguir, uma amiga fez-me chegar um texto *que não podia vir mais a propósito: as diferenças entre relacionar-se com um rapazinho e com um homem a sério (sendo certo que a idade civil não é necessariamente documento nestas coisas...). 
 Para quem não leu o livro ou já não se recorda, Amelia, a rapariga ingénua, dedicada e boazinha (tão boazinha e leal que acaba por ser má para si mesma e prejudicar as pessoas de quem gosta) tem uma fidelidade canina ao noivo -  o bonitinho, riquinho, superficial e vaidoso George Osborne. 
   Ora, George não só tem todas as características do mau rapaz, como apresenta a maioria dos traços do rapazinho. Ora vejamos as diferenças entre um homem e um garoto*:

1 - Um homem sabe exactamente o que quer e lança-se à conquista dos seus desejos. Um rapazote faz mais ou menos uma ideia, mas não tem a certeza; é mole como as papas, deixa-se influenciar pelos amigos, pela tia ou quem calha, tem o ouvido leve e não está para investir esforço e tempo: hesita, como uma mulher ou um adolescente. Oui, non, peut êtreUm rapaz é passivo, um homem é assertivo.

2 - Um homem tem planos para o futuro - um rapazito, das duas uma; ou fica à sombra da bananeira, vivendo para o momento...ou se for ambicioso, faz planos megalómanos e mirabolantes, envolve-se em todas as iniciativas para não se focar em nenhuma, faz promessas que não cumpre e desiste dos projectos/relacionamentos/compromissos à mesma velocidade que os assumiu. Em suma, não leva nada a sério.

3 - Um homem reconhece uma mulher que valha a pena quando a vê. Salta de cabeça e não fica à espera.  Sabe também que a partilha de valores semelhantes é o mais importante numa relação. Um rapazito escolhe a atiradiça que está mais disponível. De preferência, se ela lhe facilitar o caminho ou tomar todas as iniciativas  - nem que isso signifique namorar com uma rapariga por quem não está apaixonado, ou com uma tonta que facilita igualmente o trabalho ao Manel, ao Zé e ao João - porque é demasiado cobardolas para tratar dos seus interesses.

4 - Um homem não foge a conversas desconfortáveis. Não usa rodeios, recusa-se a fazer "charme" ou joguinhos, não tenta varrer os seus erros para debaixo do tapete, procurar meias soluções ou evitar o confronto. Um rapazola evita, foge, safa-se, testa, apalpa o terreno, cria manobras de diversão, procura a maneira mais fácil de levar a sua avante. Um homem não tem medo de arriscar a rejeição - uma criança grande age passivamente para não ferir o seu frágil ego e orgulho, ainda que não ganhe nada com isso.

5 - Um homem tem integridade e hombridade: como dizem os ingleses, he means what he says and says only wat he means. Não fala da boca para fora, age de acordo com as suas promessas e se erra, dá o peito às balas para enfrentar as consequências e reparar o mal feito. Um rapaz promete, faz castelos no ar, mas é incapaz de agir de acordo. Prefere passar por cobarde a agir de forma limpa - ou antes, ser tomado por cobarde não é coisa que o afecte.

As personagens de Vanity Fair ilustram lindamente a dinâmica das raparigas que namoram com rapazotes: Amelia, uma idealista tão grande que só apetece bater-lhe, não vê a cobardia e presunção do namorado. Apesar de gostar dela lá à sua maneira George despreza-a - é preciso ver que Amelia presta-se lindamente ao papel de tapete -  faz-lhe desfeitas, abandona-a quando ela mais precisa dele e só cumpre a promessa de casar com ela por dois motivos: porque apesar de ser filho de alpinistas sociais quer por força ser um gentleman e a vaidade em agir como um acaba por levar a melhor, e porque o seu amigo Dobbin (que está secretamente apaixonado por Amelia e faz qualquer coisa para a ver feliz) o convence a agir como um homem honrado.
 George acaba por morrer na batalha de Waterloo, não sem antes se ter atirado à melhor amiga da mulher, a endiabrada Becky. 
  E Dobbin, que apesar de papa açorda (nunca se atreve a declarar-se) é um homem com H grande,  continua a cuidar dela sem contrapartidas pela vida fora, até que Becky, que não é de meias tintas, decide revelar a verdade à amiga sobre o idolatrado defunto: que o namoradeiro George tinha andado a desinquietá-la para fugirem juntos. Comportamento típico de um catraio desmiolado que tanto faz como desfaz e não respeita ninguém, nem compromissos, nem sequer as amigas da mulher/namorada/whatever.

 Nessa altura - at last! -  Amelia percebe o que está a perder, acabando por casar com o cavalheiresco Dobbin. 
 Só quando as agruras da vida tornam Amelia numa mulher, em vez de uma menina indefesa, é que ela é capaz de apreciar um homem, em vez de um rapazola. A maturidade emocional exige maturidade.





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