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Tuesday, October 15, 2013

She was very beautiful, and very proud.

Créditos:  S.A.R. Alexandre Ale De Basseville


Não sei se vos acontece acordar com uma frase na cabeça e depois não terem outro remédio senão fazer alguma coisa com ela (isto aplica-se a pessoas que escrevem, pintam, compõem canções, whatever). A mim sucede-me com frequência, e desta feita as palavras non sense  acima têm-me perseguido.  Entretanto um amigo publicou esta imagem da sua autoria e achei-a maravilhosa. Lembra-me certos editoriais dos anos 70. A beleza do casal, o seu ar imbatível, certo de tudo, o ambiente de liberdade absoluta...e achei que batia certo. 

Mas não atinei com o sentido da frase. "Ela era muito bela, e muito orgulhosa".

O que faria falarem de uma mulher muito bela e muito orgulhosa na terceira pessoa, no Pretérito Imperfeito?

Podia ter sido uma mulher que tivesse sido castigada pelo seu único defeito, forçada a enfrentar precisamente os ataques que a sua soberba mais temia. 

Podia ter sido uma mulher - a mulher de um homem aparentemente perfeito, ou que tal como ela tivesse um defeito só - a partir por algo que o seu orgulho não pôde suportar, deixando-o triste e motivando tal comentário nos salões. A razão da partida teria de ser algo muito feio. Que não se coadunasse com a perfeição que aparentavam, com todas as certezas que os faziam brilhar.

Já comentei por aqui que a Beleza, a Fortuna, a Bondade, a Coragem, o Êxito e o Amor, como todas as coisas belas, atraem todas as coisas feias - a intriga, a inveja, a interferência- embora não possam coexistir com elas. Porque há sempre alguém que destituído de tudo isto e munido de maldade, envolvido em trevas, que só encontra algum alívio em destruir tudo o que vê.

Como não me surgiu mais frase alguma, não faço ideia do destino da mulher da história. Nem do casal da história. Mas isso é secundário: não importa que a beleza seja destruída. Por muita alegria que os detractores tenham na sua derrocada,ou muita pena que as almas sensíveis sintam por vê-la desaparecer, têm de viver com a amarga certeza interior (ou a nostálgica noção) de que ela um dia existiu, e essa imagem fica para sempre- a inspirar, a atormentar almas, ou a queimar sonhos.






1 comment:

kariguergous said...

Deve ser por isso que adoro imagens. Ficam. :)

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