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Thursday, October 17, 2013

Sophia de Mello Breyner dixit: um homem virtuoso


"(...)sendo, como os antigos fariseus, um homem oficialmente virtuoso, deveria também ser um homem vaidoso. Pois a sua longa experiência lhe ensinara que os homens virtuosos são geralmente vaidosos em extremo".

in O Jantar do Bispo (Contos Exemplares)


Não me entendam mal: há poucas qualidades que me agradem tanto no sexo oposto como os hábitos correctos, o bom comportamento, a transparência, a fidelidade e até mesmo uma certa devoção - à pessoa amada, à família, à Fé, porque eu própria sou uma pessoa espiritual.  (No extremo oposto, nada me faz fugir mais depressa do que a elasticidade moral, a condescendência com hábitos ou companhias duvidosas, a brejeirice, a depravação e o mau gosto).
 Mas é preciso distinguir rectidão de hipocrisia, honra de soberba. E muitas vezes atrás da aparente modéstia, bondade, humildade ou virtude esconde-se uma vaidade doentia, um feroz desejo de agradar, de afago ao ego, de aplauso, um egoísmo sem limites, uma intolerância desesperada a tudo o que possa desafiar o ideal que construiu na sua cabeça. Tendo a desconfiar de qualquer homem (ou mulher, de resto) que tenha muito empenho em demonstrar ser isto ou aquilo: o mais trabalhador, o mais puro, o mais bem sucedido, o mais rico, o mais bonito, o mais piedoso, o mais nobre, o mais poderoso, o mais apaixonado, o mais irredutível. Geralmente escondem qualquer coisa não muito boa. São como o diabo, que tem uma capa que com um lado tapa e com o outro destapa. E os mistérios são giros, mas assustam-me. Normalmente não trazem resultados que se recomendem. Ou como se diz na terra dos meus tetravós, "riqueza e santidade, acredite-se em metade".



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