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Thursday, October 24, 2013

You go, superavozinha!

                          
Quando era pequenina, gostava de me sentar com a avó C. numa saleta que havia lá em casa a ver televisão: ela apreciava  ver filmes de terror e até sabia imitar os truques do David Copperfield (habilidade que lamentavelmente, sempre se recusou a ensinar-me porque "um mágico nunca revela os seus truques").
  Isto era ao serão, mas durante a tarde um dos programas que não perdíamos era a série Superavozinha (acima). Não me recordo do enredo, mas era qualquer coisa sobre, como o título indica, uma avozinha com super poderes que andava (voava?) de bicicleta.
 Revendo agora a imagem, a protagonista tinha bastante estilo (tartan e boné escocês) e não me parece tão idosa como na altura, mas isso são detalhes. 

Como ambas tínhamos jeito para inventar histórias - acho que foi dela que herdei isso - no fim criávamos aventuras em que a minha avó era a Superavozinha, a espalhar o bem, a justiça e uns socos merecidos nos heróis e vilões da vida real que conhecíamos.

 Talvez por ser abençoada com avós tão cheios de vida e de personalidade, que me ensinaram tanta coisa, a questão dos idosos é algo que me aflige bastante nesta sociedade obcecada, mais do que com a juventude, com uma adolescência pateta.
  Ora, por estes dias, li a notícia de uma superavozinha verdadeira que me deixou muito bem disposta: Ana Baptista, senhora de 87 anos que saltou do segundo andar para salvar uma amiga (de 82) que estava presa num incêndio.
 Não percebi bem os detalhes da proeza, mas ambas escaparam sãs e salvas. 
Por vezes as pessoas tendem a esquecer que a saúde falha a velhos e a novos, mas que a "antiguidade" de cada um, só por si,  significa muito pouco. Quando há gana, coragem e amor ao próximo, a adrenalina dispara no momento certo, dando super poderes inesperados. E uma mulher de força é sempre uma mulher de força. Nem que tenha cem anos em cima. 

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