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Thursday, December 12, 2013

Just the way you are‏.

                                                      

As frases, muito batidas em filmes românticos, "tu tornas-me uma pessoa melhor" e 

"fazes-me acreditar que consigo fazer tudo" podem parecer algo vagas, sem grande sentido. 

 Mas as relações iguais às dos filmes e romances são tão raras que de facto, não há muitas oportunidades de testar estes lugares comuns na vida real. O amor, em essência, não força a mudança do outro. Não idealiza. Aceita o ser amado e ama-o mais ainda pelas suas vulnerabilidades, pelo seu lado negro. 

Mesmo que essa faceta desconhecida possa ser assustadora no início, se o amor for a sério,  se a paixão é fulminante mas sólida, tudo acaba por ir ao lugar com respeito, com paciência, com jogo de cintura.  Pode medir-se o casal perfeito pela sua capacidade de compreensão - porque se o amor não é incondicional, é pelo menos capaz de perdoar setenta vezes sete vezes. O amor vence o orgulho e a vaidade pela sua própria urgência.

As únicas transformações possíveis são naturais: umas são conscientes, de ordem prática, e passam por abandonar comportamentos ou circunstâncias que inviabilizem a relação. As outras acontecem por um processo inexplicável: pelo desejo de estar à altura da pessoa que se idolatra, que faz acordar o ser amado com taquicardia, que lhe transmite uma alegria nunca antes sentida, uma felicidade tão grande que é quase dolorosa, que transforma cada dia numa aventura. Pelo desejo de a ver feliz. Não é que se queira mudar para melhor - simplesmente, a presença de uma emoção tão rara puxa pelo melhor de cada um

Descobrem-se mananciais de virtude, de beleza, de heroísmo. Há um polimento, um refinamento, uma maior atenção ao detalhe, uma motivação. O potencial para a evolução liberta-se porque todos os apaixonados querem estar mais perto do céu. Em última análise, o aspecto de "se tornar melhor pessoa" surge porque a felicidade tem o poder de atenuar as mágoas passadas - e quem está contente, quer transmitir a quem passa um bocadinho dessa felicidade tão difícil de conter.

 Mas tudo isso só é possível aceitando o outro na totalidade. Com a sua beleza, com a sua estranheza, com as atitudes mais e menos nobres, com as falhas, com as crises, com as lágrimas, e mesmo com os segredos tão temidos. Como em tudo na vida, é preciso enfrentar aquilo que se teme. Quando olhamos para o abismo, o abismo olha para nós. Mas a verdade é que abismos, todos temos. E se ninguém amar os nossos recantos escuros, então não se pode dizer que somos amados. é preciso passar pelo abismo primeiro.

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