Recomenda-se:

Netscope

Wednesday, December 4, 2013

Love means never having to say you´re sorry.


                              

    As desculpas não se pedem, evitam-se. E quem ama não obriga o outro a pisar ovos. 

A frase batidíssima na imagem acima nunca me disse muito, porque não tenho nada contra o nobre e natural  acto de pedir desculpas.
 Se uma pessoa fez um disparate, se se excedeu, cometeu um lapso, falou demais ou de menos, se esqueceu, exagerou... em suma, se errou e está arrependido, o mais normal é que o "desculpa" saia automaticamente. 

Mas o "forgive me" ou o ainda mais espontâneo "I´m sorry" só valem alguma coisa se acompanhados da intenção de corrigir o problema. Já me pediram desculpa esperando continuar exactamente na mesma, mantendo o mesmo comportamento - como um pecador que vai ao confessionário, cumpre a penitência e mal sai da Igreja repete a graça. Por isso, o "desculpa" em si mesmo, isoladamente, vale muito pouco. É meramente simbólico. Há muitas formas de mostrar que se lamenta sem o palavrão, sem essa formalidade que se pode perfeitamente dizer da boca para fora. Nem todo o  "desculpa" é sincero.

Como nunca me fez diferença desculpar-me, a citação do filme (lamechas mas com um figurino fabuloso) costumava passar-me ao lado. Não sou tão orgulhosa que me custe pedir desculpa, não é por aí que deixo de me entender com as pessoas. 

Só recentemente  atingi o significado do cliché, que não tem nada de profundo: primeiro, as desculpas não se pedem; evitam-se, lá diz o povo. Melhor que estar sempre pronto a pedir desculpas é ter cuidado para evitar situações que magoem. E isto de parte a parte, porque se as pessoas forem do género de se melindrar com tudo e mais alguma coisa, levantar pés de vento por cada palavra que lhes dizem, não se faz mais nada senão pedir desculpa e o desgaste é inevitável.

O que me leva ao segundo ponto: entre pessoas íntimas, que partilham tudo, as desculpas constantes são desnecessárias. Quem nos ama não nos obriga a pisar ovos: há um cuidado mútuo para evitar melindres, mas se surgirem desvanecem-se com carinho. Pessoas que se amam estão à vontade umas com as outras para dizer o que têm a dizer, para discutir o que for necessário, para brincar e para se reconciliarem  quando pisam o risco.

 Uma relação íntima ou familiar não tem a distância nem a rigidez  de um conhecimento profissional ou social. Mesmo que surja um desentendimento há a confiança de saber que dali a  pouco fica tudo bem - que um beijo, um abraço, uma piada resolvem o arrufo.

O amor implica respeito, mas contém alguma elasticidade e conforto: o amor não admite o medo constante de ofender. Não desaparece com a ausência de "desculpas". Não convive com a tortura psicológica que é o amuo, a retaliação, o "não falo mais contigo", a culpabilização, o jogo de poder, o desejo de ver o outro rebaixar-se, vir às boas, "pedir batatinhas".

Não que pedir desculpa rebaixe alguém - mas exigir constantemente a desculpa, o mea culpa, é uma forma desorientada de gostar de quem quer que seja. 

Onde há amor, há  segurança: a segurança de saber que o outro não vai a lado nenhum. A confiança de um porto seguro. O baixar mútuo de defesas

. A necessidade constante de ouvir o desculpa não passa de vaidade. E lá está - o amor e o orgulho nunca partilham o mesmo tecto. O amor não pisa ovos. Nem se alimenta de desculpas.

No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...