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Sunday, December 15, 2013

Momento National Geographic do dia: mulheres troféu e shoppings ao Domingo.

                                             

Não faço segredo da minha embrirraçãozinha com os centros comerciais. Dão jeito por terem tudo no mesmo lugar em  horário alargado, mas já contei por aqui que só lá vou às corridas e se possível, nos períodos do dia em que não se vê vivalma - para passar pelo sapateiro e pouco mais. Dêem-me lojas de departamento, dêem-me Baixas bem cuidadas com as montras reluzentes a chegar à calçada, dêem-me comércio online e vendas e feiras e mercados de rua, tudo o que careça do aquecimento sufocante, dos cânticos natalícios deprimentes aos berros, das famílias inteiras em modo excursionista, de carrinhos de bebé estilo tanque de guerra a atropelar os incautos e da mesma oferta nas mesmíssimas clonadas lojas. 

Hoje não pude evitar - foi mesmo preciso ir à lavandaria e passar pelo supermercado. A um Domingo. Em época festiva. Pois.

Deixem-me dizer-vos (correndo o risco de com a minha sinceridade, parecer uma parvinha insuportável) que aqui para as minhas bandas temos dois shopping malls à americana: um que concedo frequentar por ser mais ou menos sossegado, e outro que é o parque de recreio dos subúrbios, vilas e cidades periféricas - ou seja, o destino de eleição para passeatas domingueiras de pessoas que davam um estupendo estudo antropológico. Ora, eis um dos momentos em que dou graças por não ter seguido o meu amor pela antropologia: seria muito difícil manter a neutralidade científica e não julgar o que vejo, por mais interessante que fosse analisar academicamente o comportamento do meu suposto semelhante. 

Lá fui ao shopping mais tranquilo e logo, mais decente, ao tal que não é pouso de tantas curiosidades. Não é...em dias úteis. Chego-me lá e zás: um coro de crianças a cantar "a todos, um bom Nataaaaaaaal". Um ponto pela originalidade.
Diz a senhora que me trata muito bem a roupa ( e a razão pela qual vou sempre à mesma lavandaria) que ontem demorou 40 minutos a estacionar o carro para ir trabalhar. 40 minutos! Havia filas que davam a volta ao edifício.

Hoje, era o cenário do costume: os excursionistas, a confusão, etc. Mas o mais curioso é observar que há quem se vista para ir ao shopping como quem vai à Missa. Afinal, esse é o seu passeio de Domingo. Tenho é quase a certeza de que aquelas pessoas não passaram pela Igreja. Mais: se o tivessem feito, aquilo não era traje adequado.

Ora, eu defendo que se deve ir ao supermercado, como a toda parte, bem arranjada; e é claro que os gostos diferem - fazer toilette não quer dizer que se tenha bom ar. Vestido de malha curtinho, collants às bolinhas, botins com salto de 11 cm debruados a pêlo e carteira tigresse é capaz de não ser a fatiota mais confortável. Nem hotpants e litas, como vi em várias mães de família numa concentração de muita alma mal enjorcada por metro quadrado. 

 Entre estas "senhoras", vi uma ou duas que não enganam ninguém. Daquelas que basta olhar para lhes perceber a crónica toda: mulheres ainda novas de ar estrangeirado, muito vistosas mas de beleza questionável, pintadas que nem galinhas da índia, toda uma abundância de redondezas sob mini-saias boas para apresentar num cocktail e olhem lá, de louros pintados a contrastar com cútis pouco delicadas, todo o habillée da antiga stripper que venceu na vida ou coisa pior. A acompanhar estas mulheres estavam homens de meia idade de ar estabelecido e burguês, empurrando, babosos, um carrinho de bebé com o pequeno extemporâneo; e na cara deles bailava um sorriso satisfeito pela exibição desta versão barata da mulher troféu.

Que note-se, eu não tenho nada a ver com a vida privada de cada um. Nem com o primeiro casamento que, apostava e não perdia, foi arruinado pela stripper espertalhona. Mas que um homem faça tristes figuras já me causa espécie. Que não imponha à sua mulher " a menina casou, acabou-se a má vida, trate de vestir como uma senhora" já é muita vontade de fazer figura de uma coisa que agora não digo.

E eu, que tenho a mania de imaginar cenários, fiquei cá a pensar como o homem é um bicho parvo. Que é muito fácil uma interesseira fazer dele gato sapato: basta que não goste dele, e que lhe diga apenas o que quer ouvir.

 Passar secas tem na minha pessoa o efeito de reparar nestas coisas, nada feito...



2 comments:

Sérgio S said...

Mas... O que tem de ter um macho para atrair essas senhoras? Carro de alta cilindrada?
Parece que não tenho ar de quem se encontra estabelecido. Ora bolas...

Imperatriz Sissi said...

Sérgio, uma senhora barata daquelas? Se calhar um carro chamativo, algum crédito no banco e pouquíssimo miolo.

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