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Friday, January 3, 2014

As palavras detestáveis.

                                    
Eu não sou muito de citações - que não sejam de monstros sagrados ou perto disso, pelo menos - mas tropecei nesta da cantora Taylor Swift que pelos vistos, não se limita a vestir bem, mas também gosta de filosofar alguma coisa. E lugar comum ou não lugar comum, o que ela diz é verdade.

 Há vários tipos de palavras detestáveis. Felizmente, tenho sido poupada a algumas: as palavras hipócritas de consolação, melífluas e melodramáticas, nunca chegaram até mim pois felizmente, costumo pôr-me a salvo das situações que as provocam. Mas quando vejo alguém a engoli-las esperançadamente, avidamente, apetece-me abanar quem as recebe e empurrar quem tem o descaramento de as dizer. Já chega o drama em si, poupem-se os folhetins e os discursos de telenovela.

 Depois há as palavras que são como as flechas atiradas: nada as pode apagar. Não importa se foram proferidas no auge da irritação, de cabeça perdida, sob a influência da dor ou do copo ou da loucura. Podemos adoçá-las, desmenti-las, provar por actos que não significaram nada. Mas não existe uma pílula do esquecimento, não há uma borracha poderosa que chegue para fazer desaparecer a terrível possibilidade que encerram, o inferno que revelam , a escuridão que deixam entrever. 

É muito difícil juntar os cacos que provocam - muitas vezes, estilhaços de uma torre que deu um trabalhão a erguer. Tal como está escrito acima, as palavras-granada conseguem ser ainda  piores que as palavras não ditas, essas coisas preciosas que podiam salvar muitas situações mas que ficam presas na garganta por medo, por vaidade ou por orgulho e que nos fazem deixar passar oportunidades, perder pessoas, ou no mínimo, ficar a pensar no que poderia ter sido diferente se as tivéssemos deixado escapar no momento certo.

 O que me leva às piores palavras de todas: "e se?" e "se ao menos..". São inevitáveis. Torturadores de consciências. Portadores do remorso, da esperança distorcida, de infinito cansaço, da culpa injusta. Normalmente não se pronunciam em voz alta, mas bailam na cabeça de cada um. E não servem de nada, não são produtivas, só servem para despedaçar corações e para voltar ao mesmo momento uma e outra vez. 

 Por muito impetuoso que se seja, por vezes é melhor mesmo contar até dez e ponderar o que se vai dizer - para falar sabiamente ou parar a tempo. Nos filmes dizem-se muito coisas do tipo "choose your next words carefully, for they can be your last". Na vida real as consequências podem não ser tão catastróficas, mas andam lá perto. Há palavras que são como uma maldição. Pessoas que sabem viver puxam delas como um samurai saca da espada e não a torto e a direito, como um bêbedo armado. Os pensamentos são coisas - mas é o verbo que dá a ordem, que desencadeia o caos ou o paraíso,  para o bem e para o mal. 






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