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Tuesday, January 21, 2014

Os vícios de estilo das portuguesas‏


É inegável que as portuguesas se envaideceram no bom sentido e cada vez vemos pessoas mais bonitas nas ruas. É certo que sempre houve senhoras elegantes, que se vêem jovens com grande sentido de estilo e que temos algumas fashionistas de respeito entre bloggers, figuras públicas e profissionais de moda. Mas no geral, como povo, creio que ainda há um longo caminho a percorrer, e isso não está necessariamente ligado a questões económicas. Como em tudo na vida, a culpa é dos detalhes.

1- Muita manicure, muito cabeleireiro...
...essas parecem-me ser a maior preocupação das nossas meninas e senhoras em termos de imagem, o que em teoria é bom: afinal, uma senhora conhece-se pelas mãos. Mas há quem exagere e prescinda de coisas mais importantes só porque não dispensa as unhas de gel e o brushing feito no salão. O reverso da medalha é que ainda se vai abusando dos escadeados, das extensões, de cortes "pontilhados" que lembram os anos 90, das madeixas exageradas, dos acajous, do cabelo demasiado "feito"...e pior. Há muito quem traga o cabelo algo sujo só porque não pôde passar na cabeleireira e não vive se ele não estiver esticadinho. Por muito caro que tenha sido o trabalho do "stylist" não há factor chic que resista à acumulação de produtos, especialmente se o look for pouco natural para começo de conversa. Há que aprender com as francesas, conhecidas pelas suas cores simples e ricas que iluminam o rosto e pelos cortes limpos, naturais, que não pesam nem precisam de muito trabalho. Quanto às unhas, é inútil fingir que fantasias, cores estranhas, bolinhas, bonequinhos ou um gel demasiado espesso, artificial, dêem bom ar a alguém. As italianas e as chilenas têm o  hábito de só as pintar em ocasiões especiais, o que me lembra sempre a velha tradição "uma verdadeira senhora não se pinta, ou pinta-se muito pouco". Quanto mais clássicas as cores, mais dispendioso parecerá o visual.

2- Pouco dermatologista e...nenhuma (ou má) maquilhagem.

As americanas e as coreanas têm com o dermatologista a mesma obsessão que as portuguesas têm com o cabeleireiro e as brasileiras com o cirurgião plástico. O que é um bom hábito: nem todos os problemas se resolvem com cuidados superficiais e uma pele sem manchas, pura e luminosa, é meio caminho andado para um aspecto realmente impecável. Sendo Portugal um país de sol, mais importante seria esse cuidado (paradoxalmente, o protector solar também não é um fenómeno de popularidade) .Vejo muitas portuguesas bem arranjadas, bem penteadas, mas com pele "de camponesas". Quanto à maquilhagem, embora o exagero das espanholas não seja recomendável, ainda se nota muita falta de informação: espalhar um eyeliner mal feito (ou pior, azul claro) sobre uma cara de sono, sem um bocadinho de BB cream, de corrector ou de bâton não é uma rotina de beleza que se veja: é um disparate. Sem uma pele bonita e algum cuidado, é muito difícil ter um aspecto polido. Principalmente se isso acompanhar com unhas às bolinhas. O que me leva a concluir que as portuguesas são exímias a mandar fazer unhas ou penteados, mas preguiçosas ou trapalhonas no que toca ao " do it yourself".


3- O barato sai caro
Além de não gostarem muito de dermatologistas, as portuguesas também gostam pouco de costureiras. São capazes de gastar centenas de euros com o cabelo mas achar caro largar trinta para que um fato seja adaptado na perfeição. Já se sabe que a alfaiataria não sai barata, mas dura mais que um penteado e é a fronteira entre ter um vestido que caia impecavelmente e dure anos e parecer...assim assim. Depois há um abuso tanto da fast fashion como das marcas médias que não saem tão baratas como isso e muitas vezes, não justificam a diferença; um investimento na quantidade e não tanto na qualidade. Conheço muitas mulheres que gastam bastante em muita roupa da Zara e semelhantes, mas a quem faltam os básicos essenciais. Na hora H não têm um bom casaco simples, uma gabardina, uns sapatos pretos de confiança. Por vezes é preferível poupar mais um pouco e ter menos, mas durável e com bom aspecto.

4- Ruído visual
O maior pecado da Lusitânia é o abandono (ou desconhecimento) dos clássicos, a favor de muito fru fru. Por exemplo, em vez de uma boa camisola de caxemira ou camisolão de pescador em lã escocesa, crua, tipo Jane Birkin, as portuguesas gostam de ter camisolas sintéticas em todas as cores, ou mescladas e - quase sempre - do comprimento errado. As malhas são um assunto delicado porque algumas não caem bem em quem é mais cheiinha, por exemplo. Túnicas de tricot, tricots demasiado abertos ou finos ou vestidos do dito têm de ser escolhidos com cuidado porque tendem a realçar braços rechonchudos, barriguinhas, ancas generosas e por aí fora. O ideal, na dúvida, é reservar as malhas (naturais, se possível) para coisas simples: cardigans, twin sets, camisolas justas (pretas, cru ou brancas) e camisolões largos um pouco abaixo da cintura, estilo pastor da Serra da Estrela. Esses nunca atraiçoam ninguém. 
 O estilo demasiado juvenil - um abuso de blusões curtos, saltos de stripper em plena luz do dia, saias acima do joelho a mostrar a parte mais forte da perna, tecidos brilhantes, botas com sola de borracha, para não mencionar as leggings - também não favorece a população, não. Não quer dizer que estas peças não possam ser utilizadas, mas coordená-las com uma peça de ar mais sério ou dispendioso (camisa branca, sobretudo, um bom cachecol de lã fria) atenua-lhes o aspecto barato. O que me leva aos materiais: calçado sintético, poliéster, anoraks estilo "kispo" todos os dias em vez de "casacos a sério"...

5- Desconhecimento do tipo físico
As italianas têm os seus defeitos, por vezes exageram na produção, mas ninguém pode negar que sabem tirar partido da sua silhueta, mesmo quando engordam um pouco com o passar dos anos. Isso porque em Itália a "bella figura" é uma obsessão e sendo um país com verdadeira tradição de moda, as pessoas são bastante conscientes do seu biótipo, escolhendo roupas de acordo com as proporções e medidas (também têm conhecimento dos tecidos e uma verdadeira mania de engomar tudo, o que ajuda mais do que parece). Quando se conhece bem o próprio corpo uns quilos a mais ou a menos não são o fim do mundo. Por cá, há muito quem ache que uma túnica de malha, lá por ser extensível, remedeia tudo ou pior, que o que é bom é para se ver nem que o "bom" seja péssimo. É sobretudo uma questão de atenção e de esforço, mas que faz uma diferença enorme.




10 comments:

Fashionista said...

Não podia concordar mais! Menos é mais. Na minha modesta opinião temos tido algumas influências nefastas nos últimos anos. Sempre me lembro da minha mãe me ensinar que a maquilhagem deve ser o mais natural possível, e mais vale poucos conjuntos de bom corte e ajustados à medida que um roupeiro cheio de tralha.

Impressão da Papoila said...

Eh lá!! Este post é quase um artigo cientifico ;)
O pior a meu ver é mesmo as túnicas de lycra, demasiado extensíveis, de que falas no final. Abominável!!

**

Paula said...

Fantástico!
Muito bem apanhado!
Eu acrescentava: muito batom e pouco dentista!
vidademulheraos40.blogspot.com.

A Bomboca Mais Gostosa said...

Gostei imenso do post! Para além de muito bem escrito, toca em pontos essenciais. Quando tenho de ir ao cabeleireiro fazer manutenção da cor, espero sempre horas intermináveis, porque, lá está, a portuguesa adora ir ao cabeleireiro. E as unhas de gel com efeitos, que é coisa para me tirar do sério. Mas a meu ver, os maiores defeitos são: comprar muita roupa em fast fashion sem um bom corte e sem a preocupação com a figura e coisas que mais as favorecem. Para não falar dos saltos altos à striper, isso também me tira fora de mim. Ainda no fds passado investi em bom calçado, confortável e confiável. Foram caros, claro, mas sei que irão durar anos.

Rita Machado said...

Verdades bem ditas!!!

Ritissima Blog

Marisa Oliveira said...

Adorei a parte do "a favor de muito fru fru" xD pena que muitas da visadas não venham cá ler este post =|

Imperatriz Sissi said...

Veritas est - concordo com todas vós. Marisa, aposto que se cairem cá por engano não têm pachorra para ler ou se lerem, desculpam-se com um "invejosa" :P

Maria Gabriela Dias said...

Não podia concordar mais com o conteúdo. Apenas tenho um senão a aplicar. As camisolas da serra da estrela enganam e bem. Falo por experiencia própria porque já não e a primeira vez que me perguntam se vem criancinha a caminho tendo eu a dita vestida. E na altura nem pensava nisso! De modo que bastante tempo depois de a vestir pela última vez é que tive um rapaz e ainda assim as Boquinhas não pararam. Mas a esmagadora maioria das lojas não dá hipótese de escolha - ou nos safamos com trapos baratos ou fazemos roupa à medida... Ou então compramos uma peça mais larga e mandamo-la ajustar! Tenho pecas muito boas que raramente uso, mas também tenho muito farrapo para o dia a dia, só que para sair tento fazer uma escolha nas roupas diárias mais apresentáveis. E quanto a cabelo mãos e unhas... Pelo primeiro não me denunciam a idade. Mas também não trato da pele nem das mãos como deveria... Apesar do meu ar de menina a pele começa a secar.

Es-pecial said...

Acho que o maior pecado das portuguesas é descuidarem a pele e deixarem as manchas e as rugas instalarem-se. Toda a gente sabe que deve usar protetor solar diariamente, mas poucas portuguesas o fazem de forma sistemática. O nosso maior órgão e cartão de visita é a pele! Com uma pele luminosa e sem manchas qualquer trapito fica bem!

Margarida said...

Isso de não se conhecer o seu biotipo é um dos maiores flagelos das portuguesas, nem tudo o que está na moda fica bem a toda a gente.
Fico logo com os olhos em bico quando me vêm com aquela converseta do "cada um usa o que gosta", há mínimos olímpicos do bom senso que muita gente parece não atingir!

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