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Friday, January 17, 2014

Vício do mês: why can´t people just think?



Tenho esta mania de apreciar as pessoas um bocadinho excêntricas, com um sentido de humor algo corrosivo e que dizem coisas desconcertantes (geralmente, a primeira que lhes vem à cabeça) sem pensar se o chiste é socialmente correcto ou não, indivíduos um pouco carrancudos mas lá no fundo, com um coração de manteiga. Porque  me agradam as almas espirituosas, com espírito crítico, confiantes o suficiente para se estarem marimbando para a aprovação alheia (ou no mínimo, para a aprovação de quem não conta para coisíssima nenhuma) para não fazerem fretes e para serem fisicamente incapazes de dar ou receber graxa.

 Desde que saibam quando parar, enfant terribles destes são muito mais toleráveis do que aqueles humanos vulgares que não partem um prato, que só lhes saem da boca patacoadas politicamente correctas para ficar bem no retrato, que se fazem muito sensíveis e preocupados mas na hora H é o que se sabe, que vão com os modismos do momento, com a carneirada e com o que convém, e que acima de tudo,carecem de brilhantismo e de imaginação. 

Ser brilhante - como ser bonito, ou poderoso - não desculpa tudo, mas explica e dá lustre a muita coisa. Uma pessoa não se escapa a tudo por ser genial, mas escapa-se com coisas que soariam ridículas no comum dos mortais. É preciso ser especial para se dar ao luxo de ser adoravelmente insuportável. Assim como é preciso ser-se muito bem educado para poder, sem censura, atropelar as regras da etiqueta com a maior desfaçatez. Ou ter um estilo fabuloso para cometer fashion faux pas sem parecer um palhaço. Ou se pode, ou não se pode. Não é para todos.

 Por isso gosto de personagens como Sherlock Holmes (ou Dr. House, que foi inspirado nele).

 Por isso, e porque Sherlock Holmes me faz sentir bem (ou menos mal) com as minhas próprias habilidades de profiler: calha mesmo bem que haja uma personagem de ficção que ficou na moda novamente e que faz deduções (normalmente acertadas) a partir de parvoíces insignificantes vistas num relance: os vincos de uma camisa, a escolha do relógio, dos sapatos. Compartimenta, caricaturiza, se calhar esterotipa para chegar  em duas pinceladas a uma conclusão que se prova correctíssima. Vê quem está diante de si em dois tempos, tem um instinto que nunca o engana. A diferença entre ele, que é ficcional e genial, e uma pessoa real e normalíssima (como a minha pessoa) é que ele não deixa que as emoções contrariem a sua primeira impressão. Age de acordo com os traços gerais, com o retrato robot, não dá segundas nem terceiras oportunidades depois de algo cheirar a esturro, quanto mais depois de ter esturricado, por isso não comete erros.

 Ainda assim, é bom perceber que não sou a única a tirar conclusões rápidas - precipitadas se calhar, mas claras como cristal. Elementar, meu caro.


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