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Wednesday, February 19, 2014

II Guerra Mundial: a tropa manda desenrascar...e estar bonita.

A frase "go through your wardrobe" não podia estar mais na moda nos tempos de crise que vivemos. 

Hábitos já esquecidos (ou segredos bem guardados das fashionistas e profissionais de Moda) como o uso da roupa vintage ou segunda mão, o DIY (do it yourself, vulgo costura ou modificação de peças) as trocas e a reutilização de tesouros ou mesmo truques de styling, alguns bastante exóticos, que permitem multiplicar os coordenados do guarda-roupa, tornaram-se mainstream. Antes de ir ao shopping, faz-se indoor shopping.

É natural que em fases de menor abundância se repensem os hábitos de consumo. A moda é um fenómeno social como qualquer outro, e dos mais permeáveis às convulsões da economia.

Mas a frase não é nova: "go through your wardrobe" era a palavra de ordem durante o esforço de guerra britânico  a partir de 1941, quando foi introduzido o (imaginem-se a passar por isto, meninas que não sobrevivem sem a visita semanal à Zara) racionamento de roupas. Medidas semelhantes foram implementadas noutros países europeus e as mulheres americanas não tardariam a seguir o exemplo.

                                 [September_1947_Glamour_Magazine.86235446_large.jpg]

 E racionamento significa, como saberão, que mesmo tendo dinheiro não se pode comprar mais do que X, para garantir que todos têm direito à sua justa parte. Afinal, em tempo de guerra não se limpam armas: não só o transporte marítimo de bens estava condicionado como os têxteis eram necessários para fazer fardas e pára quedas; as próprias fábricas eram escaladas para produzir armamento e outros produtos de primeira necessidade. Por isso, recomendou-se às mulheres a máxima "make do and mend" (fazer chegar e consertar). Ou como se diz em bom português " a tropa manda desenrascar" - e as mulheres aplicaram-se à tarefa com ânimo patriótico... encorajadas por tutoriais como este:


      Todos os adultos recebiam um dado número de cupões por ano (o que permitia, mais ou menos, compor um, e só um, coordenado por pessoa). Para poupar material, os saltos dos sapatos só podiam ter no máximo 5 cm e os fatos de homem um determinado número de bolsos, por exemplo. E não falemos no sarilho que era calcular o tamanho certo das roupas para criança - o que fazia com que estas tivessem de passar de mão em mão entre os pequenos da mesma família à medida que deixavam de servir. O mesmo acontecia com vestidos de noiva ou de cerimónia, e sobretudo com as meias de seda. As calças ainda não eram tão banais como isso mas parecia mal andar de pernas nuas, por isso recorria-se a truques: a Max Factor inventou o primeiro autobronzeador, que dava a ilusão de meias, e pintava-se uma "costura" com eyeliner: eram as chamadas "meias da vitória".


                          
                              

 É claro que havia o mercado negro para os consumidores mais abastados, mas era arriscadíssimo. Porém, a escassez e o perigo não significava que as mulheres se empenhassem menos em estar bonitas - pelo contrário, era mesmo uma forma de resistência encorajada pelo governo para manter a moral elevada . Civis e militares eram incentivadas a usar maquilhagem - "put your best face forward" apesar de alguns cosméticos também estarem racionados. 
 Quando acontecia faltarem esses produtos, improvisava-se: talco em vez de pó de arroz e sumo de beterraba para substituir o bâton: um lipstain natural que durava todo o santo dia. Se não acreditam, tentem tirar uma mancha de beterraba...
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3 comments:

Paula said...

Mais um post brilhante da imperatriz!
Há que manter a morar e estar arranjada à altura.
Se até na II Guerra Mundial as mulheres se esforçavam porque deixar que a "crise" nos deixe parecer menos bonitas?
vidademulheraos40.blogspot.com.

Inês Maria Rocha Gonçalves Moura de Sousa said...

Faria muito bem a muito boa gente ter um racionamento destes a ver se paravam de comprar tanto trapo mal amanhado ;-)
O que me chamou a atenção no video foram os cortes sempre impecaveis e ajustados ao corpo de cada uma. Foram tempos bem dificieis esses - bem mais do que a crise destes ultimos anos - e por isso estes exemplos de como vestir bem (realmente bem) com o dinheiro contado deviam novamente ser postos em prática numa campanha publica.

Bárbara Godinho said...

A minha Mãe conta que nos anos 70 e no início dos 80 havia casas ou especialistas em arremedar as malhas das meias de vidro. Assim umas meias davam mais uns dias e o dinheirinho destinado às meias ia para a crónica feminina ou para comprar uma fazenda ou outro tecido para um vestido ou saia. Conta ainda que muitas vezes a costureira não cortava a costura das roupas para que quando aquele modelo passasse de moda, pudessem desmanchar e fazer outro modelo mais moderno. Os tecidos não eram como os de agora, não desbotavam e nem com o uso continuado se transformavam em sacos de batatas.

Outros tempos ...

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