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Monday, February 24, 2014

Mulheres destas fazem-me sentir muito pequenina.


Esta semana está a passar no canal AXN White um filme que eu já tencionava ver há bastante tempo: The Courageous Heart of Irena Sendler. Se não conhecem a história desta enfermeira bonitinha e frágil que antes de fazer 30 anos salvou cerca de 2500 crianças do gueto de Varsóvia (e que foi presa, torturada e quase fuzilada pela sua coragem) aconselho vivamente que accionem a "maquineta do tempo" da vossa televisão. 


 Irena era uma rapariga como tantas outras: estudou, tinha uma carreira e uma vida amorosa menos que perfeita (divorciou-se duas vezes). 
 O que a tornou diferente foi a sua capacidade de seguir a sua consciência, com os meios à disposição e arriscando tudo, quando a tragédia e a violência rebentaram à sua volta. 

 Mulheres assim - que agiram sem arvorar bandeiras de igualdade - é que a meu ver provam que o heroísmo não conhece sexos.
Mas acima de tudo, põem-me a pensar. No pouco que se calhar fazemos pelo nosso semelhante. E no que seríamos capazes de fazer (ou não) perante um cenário dantesco daqueles. É fácil dizer "eu ajudava" mas creio que até o indivíduo mais corajoso teria medo. 

 Eu que raramente me receio de alguma coisa, lamento reconhecer que naquelas circunstâncias me veria num dilema - não pela minha segurança, porque se dependesse só disso a impulsividade levaria decerto a melhor;  mas pelas pessoas queridas, já que ajudar um fugitivo equivalia a pena de morte para todo o agregado familiar.

Creio que é impossível imaginar tal coisa; a Divina Providência lá sabe quem guarda para as situações em que são precisas pessoas extraordinárias, e muitas vezes é nos momentos extremos que os corações realmente corajosos revelam do que são capazes. A própria Irena (que morreu já velhinha, rodeada do carinho das famílias que salvou) não pensou em heroísmos quando fez o que fez: "cada criança resgatada por mim e por outros maravilhosos mensageiros é a justificação da minha existência na Terra, não um título de glória; nós, que salvámos aquelas crianças, não fomos heróis; continuo a ter remorsos de ter feito tão pouco". 

 Com todo o respeito... tão pouco, avozinha? Quando vejo coisas assim fico a sentir-me pequenina e egoísta que não fazem ideia...

 

1 comment:

Susana Correia Dos Santos said...

Não tem que ver com o posto, mas gosto do novo viseul do blog :-)

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