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Monday, February 10, 2014

Se saíres sem vestido, vais presa?






Sempre achei a tira acima uma das mais memoráveis da Mafalda (porque será?). Só é pena ter o scanner avariado e não pôr aqui a tradução portuguesa, muito mais incisiva. Utilizo muitas vezes o estribilho "é muito triste bater em quem tem razão" e penso igualmente muitas vezes que é de facto criminoso sair por aí toda bem vestida sem cultura nenhuma ou vá, sem educação nenhuma, porque a cultura (ou antes, um diploma manhoso) ainda se pode comprar mas a educação está quieto, como diz a vox populi. Por outro lado acho um bocadito impossível ser burrinha de todo e vestir realmente bem porque o bom gosto precisa de exemplos, de referências, de conhecimento, de prática e a não ser que se tenha um personal stylist/shopper fantástico mas tão inflexível como um sargento...é uma tarefa espinhosa.

 Uma rapariga que seja, enfim, um tanto rústica, a tender para o básico, pode usar roupas muito caras mas dificilmente estará elegante. O mais certo é acompanhar o vestido que viu na apresentadora de Domingo à noite com umas lycras aqui, uma carteira falsa ali, uns sapatões com tachas acolá e rematar tudo com umas unhacas de gel...estão a imaginar o filme.


Da mesma maneira, sempre me pareceu digno de cadeia arvorar-se em muito culto - ressalve-se que para muita gente, "culto" significa ler o último best seller light, exibir um brutal anel de curso, publicar poesia reles, citar autores a condizer e visitar as exposições da moda - e não ligar nenhuma à apresentação. Que se seja descontraído é uma coisa, meter medo ao susto é falta de respeito por si e pelos outros.

 Isto para dizer que tanto a Susaninha como a Mafalda tinham razão: são precisos vestidos, e é preciso ter cultura. Devia haver uma Polícia da Moda para dar cacetadas em quem julga que leggings são calças, abusa dos sintéticos e comete outros atentados à estética e uma Polícia da Cultura para pôr atrás das grades quem diz "deve de ser", escreve "fizes-te", acha que uma carteira é uma "mala", partilha autores de pornochanchada no Facebook e se entretém a ver A Casa dos Segredos - e quanto maior o grau de instrução do infractor mais dura seria a pena, porque quem não foi à escola ainda tem atenuantes, embora a escola, sozinha, não sirva de grande coisa. Claro que a Polícia do Gosto e a Brigada dos Bons Costumes também podiam entrar para deslindar as áreas cinzentas no meio disso tudo...

 Certo é - e agora numa nota mais leve - que há mulheres que não passam sem vestidos (eu! eu! eu!) e outras que não gostam lá muito. Pessoalmente acho-os a coisa mais prática à face da terra - põe-se uma peça só e fica a toilette quase feita - e são muito democráticos, porque os modelos clássicos favorecem quase toda a gente.   
 Mas todas as raparigas devem ter pelo menos dois modelos versáteis no armário: um preto e um colorido, de preferência sheath dress. E este Prada da colecção F/W 2013/14 usado por Giovanna Battaglia é um exemplo perfeito: alfaiataria impecável e um tecido espesso, mas fresco q.b, que permite usá-lo todo o ano. Acompanhe-se com o sapato certo e alguma actividade cerebral e pode ir-se para toda a parte sem medo de acabar no xilindró.

 
    


7 comments:

Tamborim Zim said...

Eu amo vestidos! Tenho muitas dificuldades em encontrar vestidos de inverno dignos da estação (quentes!), mas amo e gostaria de ter muitos mais. Espaço é q já n tenho, mas q se dane o espaço se a beleza é espaçosa! :)

Imperatriz Sissi said...

Essa frase é genial, Tamborinzinha. Eu cá também já não tenho espaço, ando a ver se faço algum mas como dizia a avó "cresce o monte como a água na fonte" :D . Mea culpa.

mr vadaz said...

Ninguém fica indiferente a este texto, principalmente no que refere à Polícia da Cultura e ao leggings. O mais engraçado disto tudo são aqueles que parecem uma espécie de cão de Pavlov no Facebook.

Sandra Paiva said...

Mais uma vez concordando com quase tudo.... eu uso unhas de gel e não me e sapatos de tachas e não sou de todo rústica :D

Imperatriz Sissi said...

@mr, Cão de Pavlov...essa ainda vai dar post ;)
@Sandra, as unhas de gel se forem discretas são uma boa forma de manter as mãos apresentáveis - até comprei um forninho para o verniz em que ainda não mexi, confesso, porque sou adepta do less is more. As tachas também não têm mal em si, embora se tenham banalizado, o que me fez arrumar as peças punk que andavam cá por casa. O mau ar e o exagero é que denunciam as rústicas...

Olinda Melo said...

Bem, IS, foi sorrindo, sorrindo e sorrindo, que eu li este seu texto.
Retratos perfeitos. Um poder de observação que faz inveja. :)

Bj

Olinda

Imperatriz Sissi said...

Querida Olinda, muito obrigada! Que posso dizer? Aparecem-me pessoas-tipo..caricaturas autênticas...e depois eu não aguento, não é?

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