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Tuesday, March 11, 2014

Be italian

Ave Gucci! Ave Dolce! Fashionistas te salutant!

       
Quais são as probabilidades de uma rapariga luso- italiana almoçar num restaurante italiano com outros luso- italianos, com sapatos italianos calçados e receber nesse momento uma chamada do caríssimo mano que está na terra dos avoengos, mais precisamente em Palermo? É muita coisa junta da terra da bota (ou das belas botas). É daquelas pequenas coincidências que tornam os meus dias um bocadinho interessantes. E a propósito disso, lembrei-me de um excelente texto sobre o chic italiano e o culto da bella figura que encontrei recentemente:

"Looking good in Italy is a national obsession.  This nation’s favourite pastime is style. Italians grow up in a culture of ‘bella figura’. This translates literally as ‘beautiful figure’ but is more specifically understood as ‘a good image’. This is not only related to what you wear but involves how you ‘appear’: etiquette, reputation, style are all equally important. The way you present yourself to the world matters hugely."

     "Onde a pobreza pode ser vestida com dignidade, não se nota nem embaraça"

                                                        Luigi Barzini, jornalista

 Ser-me-ia impossível, mesmo que não tivesse um um único gene daquela terra, não amar um país que faz da beleza porta estandarte. Por cá, a beleza ainda vai sendo um luxo: em Itália é uma necessidade; mesmo na pobreza ou no caos - e só quem nunca lá este pensa que Itália é um país "arrumadinho" - há uma preocupação com os sentidos, com o estilo, com a harmonia.
 A moda italiana reinou entre os séculos XI-XVI:
o acesso à produção da Seda (trazida por Marco Polo da China) a exuberância cosmopolita de Veneza, sempre em contacto com outros mundos e mais tarde, a cultura borbulhante e a estética do Renascimento popularizaram os tecidos ricos, os bens de luxo, o apurado sentido do Belo dos mestres italianos. A partir do século XVII, porém, a
influência italiana sofreu um declínio, e as modas "à francesa" passaram a reinar.


Mussolini, literalmente o Ditador da Moda                                    

 Já no século XX, Mussolini tentou uma política proteccionista para persuadir as mulheres (e não só)  a  vestir a moda nacional,que expressasse a raça: procuraram impôr-se as formas ultra femininas da mulher tradicionalmente italiana- em oposição à tendência arrapazada das "flappers"-  a restrição dos bens importados e o fomento da produção local. 


  " A mulher italiana deve seguir a moda italiana. Gosto, elegância e originalidade demonstraram que esta iniciativa pode e deve ser bem sucedida".

                                                  Edital do Partido Fascista, 1933


A ideia não correu lá muito bem ao início: a rival italiana de Coco Chanel, Elsa Schiaparelli, foi convidada a juntar-se ao esforço da Pátria mas mandou o ditador passear; a  própria irmã de Mussolini esgueirava-se sempre que podia para Paris, onde obtinha as suas toilettes mais importantes - o que diz muito da capacidade do Duce para impor ordem na própria casa, quanto mais no resto. Eu acrescentaria que um homem que começou por ser ateu e socialista ferrenho para mais tarde se tornar um fascista do piorio é um vira casacas que não pode ditar coisa nenhuma sobre as casacas alheias, mas enfim, foi um começo...e mostra bastante do espírito e das preocupações do próprio Estado - logo, da cultura do país- sobre o assunto. Por cá, leis sumptuárias eram coisas de tempos mais recuados. 


Mas só a partir dos anos 50, com as sumptuosas soirées/passerelles organizadas pelo rico negociante Giovanni Battista Giorgini a "escola italiana" chamou a atenção de estrelas de Hollywood como Grace Kelly e caras famosas como Jackie Kennedy, o que abriu caminho para que Casas como Gucci e Ferragamo começassem a rivalizar com a "couture" francesa. Embora mais tarde a moda italiana se abrisse ao prêt-a-porter, foi inicialmente pelo luxo absoluto - embora depurado - que se impôs.

 E pesem alguns exageros,  GucciArmaniEmilio Pucci, Valentino, Prada, Dolce & Gabbana, Ferragamo, Roberto Cavalli,Trussardi, Versace, Etro, Miu Miu, Max Mara, Fendi, Moschino ou Bottega Veneta continuam a saber fazer peças de um requinte que que sem ser ostensivo, não é discreto - só magnífico. Bem condizente com o carácter intenso e apaixonado das mulheres italianas: que não conhecem meio termo, que fazem a cabeça de um homem em água, que ou se amam ou se odeiam.  Mas sem extremos a vida é uma sensaboria, não é?                                                                                                       











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