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Tuesday, March 25, 2014

Cuidado, muito cuidado... com Pessoas-Nabo.



Há quem diga que eu tenho a mania de estereotipar o meu semelhante - acusação que além de ser parva, não me podia ralar menos. Prefiro o termo classificar, etiquetar ou engavetar.

Primeiro, porque não há necessariamente algo de insultuoso ou mal intencionado em traçar o perfil às pessoas com base em meia dúzia de indícios que de resto, raramente me enganam; segundo, porque isso se prova quase sempre muito útil; e terceiro, porque tenho tanta culpa de ser observadora como os outros de oferecerem estudos antropológicos com pernas a quem passa. Por fim, como a maioria das pessoas não sabe se eu as classifico assim ou assado - e se calhar, sabendo, se estaria bem marimbando para o que penso ou deixo de pensar delas- uma vez que eu não ando por aí a ofendê-las e a insultá-las na cara (o que não faz de todo o meu estilo) não vem daí mal ao Mundo.

 Se eu espontaneamente exerço as minhas habilidades, mais ou menos bem apanhadas, de profiler em relação aos outros, os outros só têm a exercer o seu direito de (desde que lá com os seus botões e sem me incomodar) me julgarem por sua vez, de me categorizarem como acharem melhor ou de escreverem nos seus blogs posts a troçar das pessoas como eu, que isto da Democracia e de cada um pensar como entende tem estas vantagens.
 É esta liberdade maravilhosa que me permite, num Estado de Direito (olhó palavrão) fazer pouco, aliás, estudar respeitosamente, seres tão exóticos e fascinantes como o Homem Tofu, a Mulher da Luta, a Pessoa Míssil, a Pessoa Coca Cola ou...a Pessoa-Nabo.

 E o que vem a ser a Pessoa-Nabo, perguntam vocês a ver que vem aí mais um disparate dos meus?

Bom, é tal qual o nome indica: um nabo, insulto que o povo convencionou atribuir a quem não adianta grande coisa, não tem grande préstimo; isto porque o legume, apesar de útil (e bastante nutritivo, pouco calórico, rico em cálcio e celulose e excelente para substituir as batatas que fazem sono e engordam) era de fácil cultivo e não tinha propriamente grande sabor. Além disso, demora imenso a arrefecer, daí o ditado caldo de nabos foi pelo rio abaixo três dias e ainda foi escaldar o diabo. Os fidalgos e os ricos evitavam-no pela sua banalidade e os camponeses, se tivessem outra coisa para comer, preferiam dá-lo à criação.

Pessoas nabo são exactamente assim: lá terão a sua missão na vida porque todos somos filhos de Deus, mas não se percebe bem como são ou o que querem; não se explicam, são uns atrasos de vida e uns empatas, uns Timex que não atrasam nem adiantam. Tal como os nabos, servem de base para qualquer coisa mas não completam nada do que começam. Imaginem uma sopa feita só de nabos - ficava uma porcaria. Uma relação ou negócio com uma Pessoa-Nabo é a mesma coisa: o seu valor é nulo e a experiência nada tem de agradável.  Sabem aqueles indivíduos que marcam um jantar, convidam uma data de pessoas e na véspera não ligam a confirmar e desaparecem, deixando toda a gente pendurada? Pessoas Nabo.

 Ou aquelas que fazem os outros perder tempo em reuniões para um projecto qualquer, depois mudam de ideias e não avisam, nem atendem o telefone? Pimba, Pessoas Nabo. Ou ainda os que clamam aos quatro ventos gosto tanto de ti, entram e saem da vida dos outros conforme lhes apetece, interferem, metem o nariz onde não são chamadas,  prometem mundos e fundos mas depois nunca se vê nada em concreto? Nabos dos grandes.

 E qualquer Pessoa Nabo, além de ser irritante como tudo, tem o potencial para provocar grandes escaldões a quem, metaforicamente falando, lhes der uma dentadinha.

 Claro que dentro do maravilhoso mundo das Pessoas-Nabo há subtipos: os que são uma desgraça tão grande que nem chegam ao estatuto de Nabiça (geralmente menos perigosos, porque não enganam ninguém, coitados) e ainda os que têm pretensão a Rabanete, que é o parente bem do Nabo. Uma espécie de Nabo de classe alta, que sabe praticamente ao mesmo mas é cheio de peneiras e caríssimo não se percebe porquê -  só por ser fofinho, bonitinho, porque dá para comer cru (o que fica lindamente em saladas e pratos gourmet) mas na prática, pouco mais faz do que enfeitar. Toda a gente acha os Rabanetes muito engraçados, mas quem é que efectivamente consome tal coisa?

 E com gente Nabo, Nabiça ou Rabanete, a atitude deve ser precisamente essa- um convívio moderado, ocasional, estilo conheço-te mas não quero cá proximidades. Lá dizia a minha avozinha que só gostava daquilo que dava resultado, e é bem verdade...




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