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Netscope

Wednesday, March 12, 2014

Daryl Dixon é o homem perfeito. Querem motivos? Dou-vos quatro.



Eu não escondo que tenho medo de zombies - tenho, pronto. É das poucas coisas deste mundo e do outro que me metem medo. Mas bem vistas as coisas, se pensarmos em todas as formas possíveis de Fim do Mundo, o Apocalipse Zombie é capaz de não ser tão mau como isso. 

Podia ser bem pior: imaginem que a Coreia do Norte invadia o planeta e nos condenava a todos a um futuro estilo 1984; pensamentos, liberdades individuais e pior ainda, roupas, tudo controlado pelo Estado. Nada de privacidade, tudo a viver nuns guetos apinhados com vizinhos malcheirosos a dividir tupperwares, cantinas comunitárias, nada de maquilhagem, nada de Natal nem de Páscoa e ainda tínhamos de aplaudir, vestidos com uns balandraus horríveis numas fábricas deprimentes, a gritar que era tudo  maravilhoso, viva o povo e o Lindo Líder. Mais valia fuzilarem-me logo.

 Ou então, que o John Lennon era profeta quando escreveu o Imagine e que éramos obrigados a viver naquela maçada horrorosa - que era mais o menos o cenário do 1984, mas mais limpinho e mais bonitinho e com grandes doses daqueles cigarros que fazem rir, porque de outro modo ia haver suicídios em massa. 

Não, pesando os prós e os contras o Apocalipse Zombie conforme é mostrado em The Walking Dead não seria tão desagradável como isso: os sobreviventes são livres de ir e vir conforme lhes apetece e com quem lhes dá na gana; o Mundo acabou, logo não há escola, não há impostos, não há contas para pagar, não há obrigações; quem é esperto e ágil consegue combustível, medicamentos e armas; o stress é descarregado nos mortos vivos, o que é bom para prevenir enfartes. De qualquer modo,  naquele cenário as probabilidades de morrer estúpido numa cama, de uma doença que não seja epidémica ou de velhice, são muito pequenas: quem vai desta para melhor tem quase sempre um fim glorioso e heróico; há pior na vida. Não menos importante, o Mundo é uma grande, enorme loja, ou uma feira de velharias gigante: imaginem todas as antiguidades perdidas, sem dono; ou passar pela Prada ou pela Chanel e, com pena das roupinhas a ganhar mofo, abandonadas e tristinhas, levar tudo o que vos apetecesse... bastando para isso ser mais rápidas do que os lojistas zombificados. A utilidade disso é discutível -  mas podia armazenar-se não fosse o mundo ficar normal outra vez, e assim como assim uma rapariga tem de se entreter com qualquer coisa.

       E last but not the least, haveria o Daryl Dixon. 

Ora, Daryl Dixon é o homem do futuro, se acreditarmos que há futuro para a espécie humana, com ou sem cenários apocalípticos. E eu digo-vos porquê:

1 - Tem bons genes: não só é uma estampa, com aqueles olhos enigmáticos e aquela franjinha (gosto de franjinhas, não é proibido pois não?) como encerra a promessa de futuras gerações bonitas e capazes: é elegante, é grande, tem músculos trabalhados na caça e não no ginásio, tem braços fortes para segurar a besta e carregar uma mulher às cavalitas, ou para salvar uma data de catraios em caso de aflição. Se uma rapariga tem de passar o Fim do Mundo - ou uma série interminável de anos, de resto - na companhia de alguém, ao menos que seja ao pé de uma pessoa visualmente agradável. E isto é darwinismo, não é futilidade.

2 - É despachado e responsável: Daryl é homem de poucas falas (o que é sempre bom, porque não gasta latim a fazer promessas vãs nem a dizer parvoíces)  mas não fica à espera da mulher, do primo ou do chefe para fazer o que tem de ser feito e dizer o que tem de ser dito. Aprendeu a tomar conta dele próprio e por isso, sabe ser generoso o suficiente para tomar conta dos outros, assumindo a responsabilidade pelos seus actos e decisões.

3 - É um cavalheiro: apesar de ter sido criado como um bruto, Mr. Dixon é um cavalheiro do Sul. Está um bocado sujinho, certo, mas continua a ter o ar de um príncipe e bom, o sujinho tem remédio; há outros que parecem sempre uns broncos por muito embonecados que estejam, por isso não é grave.  Mas o mais importante é que, mesmo num cenário de salve-se quem puder, não se aproveita das fraquezas alheias nem abusa da própria força: está sempre pronto a proteger uma dama em apuros, a procurar uma criança perdida ou a respeitar os mais velhos. Não teve muita instrução mas é inteligente e acima de tudo, muito bem educado. E isso, meus caros, não tem preço.

4 - Tem um coração de ouro: não obstante não ser muito hábil a expressar sentimentos, Daryl é um homem leal e afectuoso. Sem bondade, a coragem e a força não servem de muito. São pessoas assim que fazem diferença no pior dos cenários - ou, num contexto normal, para o melhor e o pior, na saúde e na doença, até que a morte os separe




1 comment:

Vadia said...

Concordo em absoluto contigo :) Este homem é uma perdição. Se o imaginarmos num mundo em caos, a perdição ainda é maior!

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