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Tuesday, March 18, 2014

Dois medos que eu tinha em pequenina.


Esta manhã, mamma mia lembrou-me que lhe pusesse no toucador "essa coisa do lip stain ou lá o que é, a ver se eu me habituo" - porque se converteu ao ver que o produto, um dos meus preferidos, permite mesmo andar todo o dia maquilhada sem canseiras. E depois, saiu-se com a pergunta " isto não muda de cor, pois não?". Zás, flashback: voltei à infância num ápice.

Eu pecadora me confesso, era a peste: ainda mal sabia falar, mexia na terra e se me chamavam malandra devolvia a gentileza aos adultos (dizia "manana", mas a intenção é que conta) pedia "emprestados" os cosméticos da avó (e empoleirava-me em cima de dois bancos para lá chegar) parti um lavatório (don´t ask) pus milho na sopa e quase incendiei a casa mais do que uma vez noutras experiências "científicas". Há pequenos com muito medo e pouca vergonha, eu tinha criatividade a mais e medo a menos, era o que era. Para terem uma ideia, ainda hoje, se a minha família me sente "muito calada" imagina que não a estou a cozinhar boa e vem ver o que se passa.

  Algumas características acompanharam-me toda a vida, desde essa altura: o gosto por escrever e desenhar, a música, o ter medo de muito pouca coisa e...a mania da maquilhagem. Juro-vos que toda a gente pensava que eu iria para Química, com o único propósito de inventar cremes e pinturas que revolucionassem a vida das mulheres. (O horror à Matemática atravessou-se no meu caminho, o que terá salvo alguns laboratórios respeitáveis da explosão).  

  Quem me desse pinturas, que alegria! Lembro-me de um presente que adorei e que custou um ror de dinheiro naquela altura: uma cabeça de cabeleireiro para fazer maquilhagens e penteados, que nem parecia um brinquedo, era assim uma coisa quase profissional. Mas é claro que preferia praticar em alvos humanos ou em mim própria.
  Embora só me permitissem sair à rua nesses preparos em dias de Carnaval, lá me iam dando (a mãe e a tia G., que sempre foi uma elegância e tinha paciência para as minhas macacadas) perfuminhos, bâtons, pós e sombras para brincar em casa. 

Só duas coisas me eram interditas: a máscara de pestanas, porque "se podia enfiar no olho e porque sujava a roupa" e o temível bâton 24 horas.

Esse está praticamente extinto hoje em dia (creio que nas lojinhas do chinês ainda irá aparecendo) e era uma coisa horrorosa: não saía nem com esfregão e mudava invariavelmente de uma cor civilizada para um arroxeado horroroso ou um laranja-mercúrio apalhaçado. Para as pessoas lá de casa, imaginar que eu podia brincar com tal mixórdia e depois não conseguir desmaquilhar-me era uma coisa impensável, por isso disseram-me que aquilo era feio e fazia muito mal à pele. Resultado: nunca mais lhe toquei. Perdi o medo à máscara na adolescência, porque sempre tive alguma vaidadezinha nas minhas longas (e louras) pestanas, mas em bâton indelével poucas vezes mexi. Até aparecer o lipstain - que não tem nada a ver e não muda de cor, nem pensar.

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