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Saturday, March 1, 2014

Sorry seems to be the hardest word, MAS...


É preciso coragem e honra para pedir desculpa. Porque "perdoa-me" é um grande palavrão e difícil de dizer, principalmente quando é sincero e quando não se sabe como a outra parte vai reagir, que feridas se vão reabrir com a conversa ou que paz periclitante se vai quebrar com isso.

 Mas "desculpa", palavrão ou não, ainda é só uma palavra, ruído, verbo, letras juntas, uma manifestação, uma expressão de boas intenções, e todos sabemos como (e onde) as intenções podem acabar.

Dizer "desculpa se te atirei um ovo" com o cesto dos ovos junto à cara do outro não transmite grande confiança, pois não?

 A palavra mais difícil não é desculpa até porque lá diz o cliché, "amar significa nunca ter de pedir desculpa".  O verdadeiro desafio está  no contrato verbal que se espera que venha com isso, se o arrependimento é honesto; ou seja, o errei-e-vou-remediar-o-problema-para-que-nunca-mais-nos-incomode. E a acção que se segue. Depressa, se possível, para que se mude de assunto, porque ninguém gosta de bater num cavalo morto.

Não se trata tanto de compensar, mas de eliminar a causa para que não volte a suceder o mesmo. É irrealista prometer que não se voltará a cometer um disparate nunca em tempo algum, que tudo será irrepreensível e perfeito - porque a vida em si mesma é imperfeita, porque a culpa nunca morre solteira -  mas o mínimo é que aquela causa específica, que provocou todos os sintomas, não tenha mais chances de se repetir.

 Só com o " ego te absolvo, MAS não voltes a pecar" há cura, remédio, coisas novas, a construção de memórias melhores para substituir as lembranças desagradáveis. É preciso encaminhar o cavalo morto para o seu lugar de descanso e comprar um cavalo novo para seguir viagem sem obstáculos, sem acusações e acima de tudo,  sem mais do mesmo.

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