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Friday, April 18, 2014

Arrumações de Primavera: truques de quem passou o dia nisso.


Gina Lollobrigida


A cada Primavera, as revistas de moda publicam artigos a incitar à  limpeza sazonal do guarda roupa, com as costumeiras dicas. Pessoalmente, acredito que duas "voltas" por ano são insuficientes para manter à vista, e na melhor ordem, o conteúdo do armário (tudo depende da colecção e estilo de vida de cada um) mas há quem faça menos do que isso: 
 diz um estudo (estudo que deve ter sido feito muito por baixo, eu acho) que em média, cada mulher tem no seu armário cerca de 500 dólares em roupa, calçado e acessórios que nunca usou. E arrisco dizer que todas essas mulheres passam ocasionalmente pelo dilema lendário "não tenho nada para vestir!".

 Já aqui o disse, nos posts onde partilho os truques que fui descobrindo em muitas sessões de limpeza estratégica e organização do closet, que muita quantidade - principalmente se não estiver devidamente catalogada e ordenada - equivale a confusão e desperdício. Mas como ninguém é de ferro, trata-se de priorizar e gerir as peças que tanto adoramos, para tirar o melhor partido delas e ter um guarda roupa realmente completo, de qualidade e sobretudo à mão, tanto para o dia a dia como para ocasiões especiais. Aqui vamos:

                                                 Mito: arrumar por cores

Este é um conselho que aparece muito nas publicações da especialidade, e pergunto-me sempre como é que pode ajudar alguém...num armário bastante preenchido e nem sempre com a iluminação ideal, a última coisa de que se precisa é andar numa estante cheia de camisolas todas pretas, numa verdadeira caça aos gambuzinos, confundir um vestido de trabalho com um de noite, ou coisa que o valha. Com excepção das t-shirts (que podem estar separadas por manga comprida e tank top ou manga curta, lisas e estampadas) o melhor é arrumar por géneros. Vestidos de cocktail/noite/gala para um lado, vestidos versáteis no meio, vestidos de trabalho ou de dia para o outro; calças separadas por categoria: jeans (skinny numa fila, flare noutra, e assim por diante) chino e clássicas ou cigarrette de fazenda, etc.

Verdade: menos é mais- prefira a roupa com significado.

Por muito tentadora que seja a constante oferta da fast fashion - e por mais que algumas  dessas marcas tenham evoluído - aplica-se a máxima easy comes, easy goes. As compras de pouco compromisso não nos obrigam a pensar muito nelas e, a não ser que preencham uma necessidade e/ou sejam realmente bonitas (já me aconteceu) correm o risco de ficar esquecidas. 

As lojas high street são boas para duas coisas: básicos (como t-shirts, calças de malha) que não vale mesmo a pena comprar mais caro, e para usar a tendência da estação sem investir muito. Não quer dizer que não se encontre na Zara um daqueles vestidos-muito-baratos-para-usar-com-uns-sapatos-muito-caros que, surpresa - até saem bons e duram anos, ou um belo casaco de cabedal. É tudo uma questão de conhecer os tecidos e os detalhes, que variam em qualquer marca. Mas chega-se a uma fase da vida em que convém ter algumas coisas de qualidade superior e um bocadinho mais exclusivas. Depois, a bem da arrumação, é preferível ter dois bons casacos clássicos do que dez baratuchos, comprados por impulso, que não servem as necessidades e nunca terão o ar certo.

                     
Verdade: vista-se para a pessoa que gostaria de ser...mas não se esqueça de quem é.

Nos livros de gestão, aparece muito o conselho "não se vista para o cargo que tem, mas para aquele que gostaria de ter". Dressing the part, investir na bella figura, não só é importante em termos de marketing pessoal como uma boa fonte de inspiração - além de nos orientar nas compras, porque um bom guarda roupa não se constrói com um "banho de loja" de um dia para o outro. 

Certo. 

Mas tanto nas compras (que já estão feitas, e agora é lidar com elas...) como na arrumação, é preciso priorizar de acordo com o estilo de vida que se tem neste momento. De igual modo, é boa ideia conservar no guarda roupa apenas as coisas que lhe servem actualmente: aquelas que pretende voltar a vestir "quando voltar ao seu peso ideal" devem ser arquivadas até nova ordem (ou mandadas alterar). Trabalhe para o corpo que gostaria de ter mas vista-se para aquele que tem, porque ninguém lhe dá outro e não vale a pena andar desconfortável...

 Num cenário ideal, um bom guarda roupa contém apenas as peças e acessórios tried-and-true, ou seja, aquilo que se sabe que cai a matar, que vai com o seu tipo de corpo e de beleza, que é à prova de dúvida. Ninguém é infalível, mas conhecer-se facilita imenso e dá outra segurança. Isto consegue-se com informação, opiniões de confiança e alguma prática.

 As peças de que precisa com mais frequência devem estar sempre à vista - mas é conveniente ir "rodando", e deixar à mão aquelas que pretende usar nos próximos tempos.

 Se vai a muitos eventos, reserve um espaço para as toilettes mais formais ou festivas: as clutch de sair não podem estar misturadas com os sacos e carteiras de todos os dias; o mesmo vale para os sapatos de cetim ou com aplicações. Não só convém que estejam num canto à parte para facilitar a escolha da toilette, como, uma vez que são mais delicados,  isso diminui o risco de se danificarem de cada vez que entra e sai do armário à pressa para tirar aquelas botas.

 Sempre que possível, conserve os sapatos em dust bags- isso também dá imenso jeito quando viaja! O mesmo vale para porta -fatos, que devem estar acessíveis e podem ser usados, semi-abertos, para resguardar vestidos bordados ou com contas.



 Dito isto, só me resta desejar-vos Happy Spring Cleaning!






4 comments:

Sandy said...

Gostei imenso das tuas dicas, por acaso no meu closet estão arrumadas por cores ( porque li numa revista) e realmente não me facilitou nada a vida. Felizmente como ando num acesso de raiva "closetiana", está a ficar cada vez mais vazio. A arranjar espaço para as peças mais exclusivas :p

Imperatriz Sissi said...

Sandy, somos duas :D

Inês Sousa said...

Sempre a aprender Sissi, apesar de já ter lido alguns textos com sugestões de arrumação ainda ssim encontrei pelo menos mais duas neste que vou aproveitar. Aquilo que tenho vindo a registar nos últimos anos é que não são de todo suficientes duas arrumações anuais, porque não há estações definidas anda tudo baralhado por isso há peças que antes eram claramente de estações mais frias e que por esta altura já podiam estar arrumadas, mas agora não. Eu diria que quase têm de ser mantidas o ano inteiro sempre à mão, o que pode dificultar ainda mais a arrumação se o espaço não é muito e o que me tem levado a optar por ir fazendo vistorias para ir alternando.Exceto em pleno Inverno ou em pleno Verão em que as escolhas são óbvias o resto do ano implica mais gestão do espaço para ter simulatenamente várias peças disponiveis.

Imperatriz Sissi said...

Inês, isso também me acontece: pôr de parte um casaco mais pesado para ir a correr buscá-lo porque o tempo arrefeceu!

Por isso invisto bastante em peças transversais, como vestidos de algodão espesso, que se podem usar quase o ano todo. Não resolve, mas ajuda!

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