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Tuesday, April 15, 2014

Decisão bicuda da semana: céus, o que eu odeio brique a braque!

Vontadinha de fazer isto, estilo Fantasma da Ópera.

Ok, não odeio, bem pelo contrário - nisso não concordo com o João da Ega d´Os Maias. Mas digamos que se gosto bastante de  brique a braque e de antiguidades, não tenho a mínima pachorra para decoradores pindéricos (se quiser chamar alguém para me acudir peço a um arquitecto e há-de ser daqueles que não querem deitar abaixo tudo quanto é parede e 
deixar-me sem espaço para arrumar nada)  muito menos para "propostas de decoração" com nomes deprimentes e atmosfera não sei de quê, ou para serviços de canequinhas da moda com bonecos, nem para almofadinhas produzidas em série.

 Ao fim de uns anos de caça ao tesouro, a minha ideia de decoração é um móvel da tetravó aqui, mais um divã dos anos 70 ali, com armários para não deixar tralha à vista, poucos tapetes (nisso, a minha mania de não tropeçar roça o obsessivo compulsivo, o que gera alguns debates lá em casa) mais uns objectos exóticos trazidos de viagens, tarecos herdados e outros comprados, mas tudo com certo sentido - louça inglesa ou japonesa, por exemplo, bronzes e vidros coloridos, e nada de bibelots que não servem para nada - se descontar uns diabinhos oferecidos por uma das maiores artesãs deste nosso Portugal que fazem as minhas delícias. Um locus horrendus que funciona lindamente, portanto, entre lojinha dos horrores e casa onde vive gente normal e não uma data de yuppies pretensiosos,

 Actualmente sou pouco apegada a móveis, com excepção de um por outro. Gosto de os trocar de vez em quando e não é raro trazer uma velharia qualquer (como a minha cadeirinha de veludo) para substituir algum que não me esteja a ser de grande utilidade. Logo, tornei-me bastante boa a encontrar coisas giras e valiosas, mas em conta.

 Porém,como toda a gente, tive fases. E numa altura em que mudei para um apartamento novo (a mania dos apartamentos passou-me depressa...) entendi que queria mobília também nova, tudo muito cool, num acesso de burguesice que nem parecem coisas minhas e que estou para entender até hoje.
 Em verdade vos digo que tive um quarto encarnado, de inspiração oriental  que ainda hoje acho que ficou um amor, antes de se verem por cá paredes coloridas. Não imaginam o reboliço que isso causou entre os pintores.

   Mas no meio disso tudo, veio para casa um aparador também ele de inspiração japonesa e todo minimalista em vez de uma cristaleira de gente, que nunca serviu para guardar grande coisa, desenhado por um palerma de um designer qualquer (palerma? ele?)  mais uma mesa oriental daquelas com tampo giratório que veio de barco da Cochinchina e tudo e que, eu que detesto falar destas coisas, só vos digo mal empregadinho dinheiro, que podia ter sido gasto numa grande passeata ou numa data de sacos da Prada. 

 E não foi tudo: também entendi que queria lustres, porque ainda hoje tenho uma paixoneta por lustres vá-se lá saber porquê;  quando eu era pequenina achava que eram feitos de diamantes verdadeiros e ainda por cima diz que dão sorte; mas ó azar dos Távoras, na altura ainda não estavam tão na moda e não se arranjavam em sítio nenhum...a não ser em lojas especializadas e disparatadamente caras (onde fui, claro) e nas casas ou feiras de tralha, que os têm lindíssimos e aprovados no teste do tempo (precisamente o único sítio onde eu, armada em esperta, não me lembrei de procurar).

 Zás, lá vieram três lustres de cristal todos pipis e novinhos em folha. E sabem como é que os * inserir insulto relacionado com gado caprino* dos lustres, lustres o diabo que os carregue que chamá-los "candeeiros" já é elogio, me agradeceram, sabem?

 Avariando-me todas as desgraçadas de todas as lâmpadas que têm usado, foi o que foi. Tipo, bzzzzzzz, *faísca* bzzzzz *treva*. 

 E não é defeito dos electricistas que os montaram, nem dos que já cá vieram tentar
 arranjá-los umas poucas de vezes, tão pouco da instalação eléctrica porque me seguiram de uma casa para a outra a fazer precisamente o mesmo trabalhinho.

 Com o preço absurdo das novas lâmpadas obrigatórias de baixo consumo que poupam imenso porque não dão luz nenhuma, podem imaginar a odisseia - e as luzes adicionais que tenho de andar a ligar para não ficar totalmente vesga.

  De modo que, farta de ter consideração por objectos que não têm consideração nenhuma por mim, já lhes arranjei dignos substitutos e os três estarolas vão marchar, mas é mesmo marchar, para o vendedor de tralha mais próximo, ó se vão. E isto é para não os atirar de uma ribanceira abaixo, que o ambiente não merece.

 Peças de decoração que não nos respeitam, tal como as pessoas que não nos respeitam, só têm um destino: rua. Não vale a pena apegar-se ao tempo investido, nem ao dinheiro gasto, nem aos bons momentos que passámos juntos. Andar às escuras, ninguém merece.



1 comment:

Sandy said...

hehehehe. Bem, que luta ;)

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