Recomenda-se:

Netscope

Monday, April 21, 2014

Fantasmas da Ópera há muitos...mas a Christine Daaé existiu mesmo.


A História d´O Fantasma da Ópera (originalmente uma novela de Gaston Leroux, supostamente baseada em eventos reais) sempre me fascinou: tem o terrorzinho, o romance obsessivo de faca e alguidar,  passa-se numa das minhas épocas preferidas - e em Paris, o melhor lugar para a viver  intensamente - além de possuir todo o ambiente, já de si fantasmagórico, dos bastidores do teatro. 

Depois, simpatizo com as angústias da pobre protagonista, a bela e ingénua Christine Daaé.


Eis uma rapariga sonhadora que só deseja cantar sossegada e pensar em fadinhas e unicórnios, ou antes Anjos da Música, mas acaba dividida entre um visconde aparentemente perfeito que a quer resguardar do perigo mesmo que isso implique limitar-lhe a autodeterminação, num complexo possessivo de Cavaleiro Andante ...e um fantasma sedutor, mas malvado, que por mais que a ame não pode garantir que não a vai magoar nem 
destruir-lhe a vida. O género de bad boy dominador que tem boas intenções mas zero auto-domínio, um psicopata daqueles que dizem "adoro-te, não sou má pessoa, mas tenho assim uns momentos..."- obrigadinha!


Eis o caso clássico de escolher o fogo ou a frigideira (sendo verdade que os romances mornos não têm graça nenhuma, mas haja meio termo...).

Embora nenhum deles seja assim tão mau rapaz, os ciúmes acabam por levar a melhor e (aqui não há muito que tirar de um para pôr no outro) pelo bem que lhe querem, até os olhos lhe tiram



 Algumas mulheres têm pontaria para situações destas; são propensas a sofrer de Síndroma de Estocolmo, não importa para que lado se virem. Lá disse a Baronesa de Staal, "a liberdade é incompatível com o amor; um amante verdadeiro é sempre um escravo".




 Em relação ao musical em si, não poderei dizer tanto: tem temas e momentos lindíssimos, mas é um pouco doce e monótono para meu gosto. Sinto sempre vontade de cortar aqui, abreviar ali, porque a densidade da história se perde com tanto arrastar e repetição. Opiniões de quem prefere ópera, ou rock opera, aos típicos musicais da Broadway.
 Gostei mais de ver o filme de 2004 em casa, onde posso passar adiante as partes que me interessam menos, do que no cinema, onde já estava desesperada porque o romance não atava nem desatava, Anjo da Música para trás e para a frente e a Christine sempre à beira do chilique...


 A voz de Gerard Butler não será perfeita, mas é competente e como o casting foi supervisionado pelo próprio compositor, nada a dizer. De resto, tem a sensualidade e masculinidade necessárias para que se acredite ser capaz de hipnotizar uma mulher apesar das suas maneiras assustadoras e maldades. O figurino e a caracterização são extraordinários. Daria sei lá o quê para deitar a mão àquele guarda roupa. 
  Já a versão de Dario Argento, acima (sem música, mas com bastante suspense, uma atmosfera tétrica e uma aproximação crua à voluptuosidade que noutras produções é só sugerida) conquistou-me por ser honesta, sem rodeios - o Fantasma é um homem obcecado que quer tomar posse completa de Christine, ponto - e por ter Julian Sands, um dos meus poucos amores platónicos, no papel principal. Sem cicatrizes, mas mau como as cobras.

 Um detalhe menos conhecido é que a personagem da soprano sueca Christine foi, dizem, mesmo baseada numa bonita soprano sueca do mesmo nome, que fez muito sucesso naquele tempo: Christina Nilsson, que assinava Christine.

Infelizmente, ao contrário de outras cantoras suas contemporâneas, Mlle. Nilsson não deixou nenhum registo da sua voz, que era descrita como angelical e brilhante. Era tão famosa que Leo Tolstoy a mencionou na sua obra imortal, Anna Karenina.
Christina pintada por Alexandre Cabanel, o pintor prefrido de Napoleão III

  Filha de camponeses, aprendeu a tocar violino e flauta sozinha, recebendo mais tarde educação formal em Paris.
 Após uma carreira fulgurante, casou e enviuvou duas vezes: da primeira com um banqueiro, da segunda com o Conde Angel Ramon Maria Vallejo y Miranda, passando a ser conhecida como Condessa de Casa Miranda. A ordem dos factos torna difícil de crer que precisasse de fugir ao Fantasma para ficar com o seu amado, mas nunca saberemos. A vida real ultrapassa muitas vezes a ficção, e já tenho visto coisas menos extraordinárias...










2 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Adorei o filme, mais a versão de 2004. O Gerard está muito bem. Entendo que ela tenha ficado com o visconde, mas ele era assim um bocadinho weird lol

Ana Carolina S. Eloy said...

A penca de filmes existentes nunca chegará aos pés do livro.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...