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Tuesday, April 29, 2014

Os Príncipes "William e Catherine" dos anos 30...e a outra Princesa.


Desde esta madrugada que as revistas do coração (e não só)  se desdobram a assinalar os três anos de matrimónio dos Duques de Cambridge com incontáveis artigos, isto depois de dias intermináveis a dar conta de cada passo do simpático casal pela Oceania. 
O entusiasmo dos média pelas idas e vindas do Príncipe William e a sua consorte faz-me sempre pensar que a História se repete sem que muita gente se lembre de que o enredo não é novo. Os  folcloristas podiam mesmo pensar em inserir uma nova tipologia, mito-tipo dos nossos tempos, na classificação dos contos de fadas: o jovem casal de príncipes apaixonados que enternece o público, move multidões e faz correr rios de tinta. Mudam-se os tempos e os protagonistas, mas a receita é semelhante, nem sempre com final feliz...casos trágicos em que se passa do conto de fadas ao mito.
  E se nos anos 50 Grace Kelly, a actriz americana de origem irlandesa-alemã e sangue aristocrático feita Princesa preencheu lindamente o lugar, na década de 30 esse papel pertencia ao jovem e belo Príncipe (e depois Rei) Leopold da Bélgica e à sua encantadora mulher, a Princesa Astrid da Suécia.


 Foi uma história de amor clássica: a conselho da Rainha sua mãe, o Príncipe corria a Europa para procurar uma esposa adequada. Já tinha contactado várias candidatas, sem que nenhuma lhe despertasse interesse. Finalmente, durante um baile, conheceu a Princesa Astrid, da Casa de Bernadotte: pelo lado paterno a linda jovem  era sobrinha do Reis Gustavo V da Suécia, irmão do seu pai; a sua mãe, a Princesa Ingeborg, era irmã do Rei Christian X da Dinamarca e do Rei Haakon VII da Noruega.

 Os dois apaixonaram-se à primeira vista e, no melhor espírito das histórias de encantar, dançaram toda a noite. A Astrid não faltava mesmo, apesar de princesa de sangue, o seu quê de Cinderela: sendo somente sobrinha do Rei, em casa dos pais podia dar-se ao luxo de viver com uma simplicidade despretensiosa, tão típica dos seus conterrâneos: muitas vezes a própria família cozinhava as refeições. Astrid gostava de trabalhar com crianças e de passear à vontade pelos bosques da propriedade da família.

  O seu à vontade, figura angelical, a sua sincera conversão ao Catolicismo por amor do marido e a paixão óbvia entre os dois príncipes conquistaram de imediato o povo belga, que se comovia com a forma como os dois andavam de mãos dadas, mesmo em actos oficiais. 
 Ao receber a noiva na sua nova pátria, o Príncipe abraçou-a calorosamente (acima) para alegria de todos. A festa foi, porém, tingida por uma desgraça que muitos tomaram por mau agouro: o entusiasmo da população foi tal que algumas pessoas morreram esmagadas.
 Apesar disto seguiu-se um período de felicidade perfeita, não perturbada pelos hábitos espartanos de Astrid, que causaram alguma estranheza no Palácio: a Princesa não era dada ao protocolo e tinha o costume de passear os três filhos que entretanto nasceram sem escolta, como "qualquer mãe" - particularidades que a tornavam ainda mais querida aos olhos dos belgas.
 Esta paz doméstica, porém, não durou: a morte inesperada do pai de Leopold  juntou o terrível desgosto (já que o Príncipe e o Rei eram muito chegados) à responsabilidade de reinar. Astrid tornava-se assim Rainha consorte da Bélgica - função que cumpriria por menos de um ano.
 A jovem, bela e adorada Rainha foi vitimada por um acidente de automóvel no dia 29 de Agosto de 1935, morrendo nos braços do marido. O povo e a família real foram mergulhados numa profunda tristeza, a que acrescia a preocupação pela situação política europeia devido à ascensão de Hitler ao poder.
 Aos 33 anos de idade, Leopold enfrentava os desafios do destino do país, de três filhos traumatizados pela morte da mãe a que era preciso atender e de um clima de tensão e instabilidade. Em 1940, a Alemanha invadiu a Bélgica e apesar de ser virtualmente um prisioneiro e dos seus esforços para minorar o sofrimento do povo às mãos do opressor, foi acusado por muitos de cobardia e colaboração com o inimigo. Tudo isto foi agravado pelo seu seu casamento secreto, um ano depois, com a bonita plebeia que viria a ser conhecida como Lilian, Princesa de Réthy: Mary Lilian Baels.

Filha de um eminente político e homem de negócios, Lilian recebera uma esmerada educação. Era ao mesmo tempo semelhante a Astrid e muito diferente dela: ambas eram mulheres lindas e elegantes; Astrid era loura, Lilian morena;  enquanto Astrid era doce e discreta, amiga das alegrias do lar,Lilian gostava de desporto, de arte, de literatura. 
Se não nascera Princesa, Lilian provou que sabia comportar-se como uma, nunca tentando usurpar o lugar da sua antecessora e fazendo tudo o que estava ao seu alcance para a felicidade do marido, dos enteados e dos filhos que nasceram (que se convencionou nunca poderem subir ao trono, apesar de lhes ser conferido o título de Alteza Real).

No entanto, mesmo tendo a união tendo sido incentivada pela Rainha-Mãe e bem aceite pelos filhos da malograda Astrid que mantiveram sempre as melhores relações com a madrasta,  não se pode competir com uma lenda: o povo nunca perdoou a "traição" à memória da primeira mulher, o que contribuiria para a abdicação do Rei Leopold, em 1951, a favor do Príncipe herdeiro, Baudouin.


Apesar de um afastamento temporário por ocasião do casamento deste, a família permaneceu unida; Leopoldo e Lilian , porém, passaram a levar uma vida retirada a partir de 1958, dedicando-se a obras de caridade. 
 No meio das suas tragédias, o Rei Leopold foi um homem de sorte - amado sinceramente por duas princesas belas e notáveis, cada uma à sua maneira...não será um Happy Ever After, mas na vida real não se pode pedir muito mais.


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