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Thursday, May 8, 2014

De entrar em contacto com a criança interior, e tretas dessas.

A Pequena Generala. Do disparate, claro.

Vocês, pessoas fofas e respeitáveis que já me vão conhecendo de ler os meus disparates (sem esquecer uns mirones que para aqui andam, deixá-los andar que o espaço é público, fazer o quê, mas não me aborreçam que eu sei onde vocês moram e tenho excelente pontaria para atirar ovos; estais avisados) se calhar, caso não tenham assim muito que fazer e percam uns segundos a 
dar-me a honra de meditar minimamente em quem escreve isto, já perceberam que eu sou uma pessoa espiritual, toda pela religião, que me interesso por mitologia e crenças populares mas não sou nada dada a tretas New Age.

 Por isso, essa ideia de entrar em contacto com a criança interior sempre me pareceu uma patacoada de todo o tamanho, uma espécie de batidos da Herbalife e afins em versão mental. Tenho memórias desde os dois anos de idade e lembro-me perfeitamente da criança que fui, não preciso de regressões e meditações para aprender o que quer que seja com a Sissi de palmo e meio.

 Ou seja, eu na altura não gostava lá muito de ser criança (agora reconheço que com a minha imaginação, foi uma época realmente mágica). 
  Desenhava, escrevia, era unha e carne com a família, acreditava imenso em fantasmas e coisas do outro mundo, delirava com santinhos e rezas que as Irmãs do colégio e a avó me ensinavam porque enfim, eram coisas do outro mundo; inventava histórias mirabolantes para me divertir, tinha a mania dos mistérios e da ciência (acho que era mais de ser uma espécie de alquimista) e adorava brincar com cosméticos e com Barbies (coisas que continuam, se bem que agora a "Barbie" sou eu porque uma mulher pentear-se e vestir-se a si própria já dá trabalho que chegue). 

Era teimosa, caprichosa, com mau feitio, mas com bom fundo. Coração de manteiga que me tem dado muito que entender... 
 Calava-me bem caladinha até o saco rebentar, e aí espantava tudo com as respostas que dava. 

Gostava de me mascarar e de fazer teatrinhos. Não gostava de Nenucos, porque me soavam a tarefas domésticas - ainda hoje continuo a achar que as crianças são giras mas uma canseira enorme - e como fui abençoada com  primos e mais primos (uma criança sem primos não sabe o que perde) passava a vida a arrastá-los, coitados deles que estavam pelos actos, para as minhas invenções. Digo o quê? Ainda arrasto. Mas tudo isto com muito "propósito" porque a avó me metia na cabeça que uma menina tinha de ter sempre muito "propósito" e hoje continuo a não gostar de pessoas que não possuam tal coisa.

 Mas o mais curioso é que praticamente não tenho um retrato de pequena em que não esteja com um ar completamente malandreco, a tramar alguma. Nem nas procissões, valha-me Deus. Com aspecto de anjinho (caracolinhos, longas pestanas e bochechas cuti-cuti) mas um sorriso endiabrado- quando era meio sorriso, pior ainda - e toda divertida a planear a próxima marotice. Os meus primos com ar resignado e angélico, e eu sempre a cozinhar alguma. Chega a ser embaraçoso, juro.

 Dito isto, não mudei rigorosamente nada. Só fiquei maior, com direito a dizer ainda mais o que me apetece e a usar saltos altos. 

 Vou "entrar em contacto com a minha criança interior" para quê, digam-me? Irra, tínhamos a cólera! Tínhamos a peste! Literalmente.

1 comment:

Sandy said...

hahahahaha. Agora, e sem querer não é? fizeste-me voltar á minha criança interior ;)

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