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Sunday, May 18, 2014

Há cavalheiros que andam mesmo mal enganados.


Já ouvi cavalheiros dizer que têm medo das mulheres belas, porque nunca iam estar descansados nem poder ausentar-se sem rivais à perna. 

Antes de avançarmos, uma ressalva: para compreenderem o que quero dizer vamos esquecer que existem tantos gostos como pessoas, que a beleza é relativa, que há mulheres assim assim com imensa graça, que o carisma e o charme contam e ideias semelhantes.  Refiro-me aos casos extremos: mulheres de quem se diz "aquele sujeito é um sortudo, que namorada gira" e as outras sobre quem se pasma" coitado do moço, ela deve ser mesmo boa pessoa".

Homens que pensam assim são tão ciumentos, tão rústicos, tão pouco seguros de si ou tão preguiçosos que preferem uma mulher mais sem graça.

 Primeiro, porque ninguém a há-de cobiçar, acham eles. Afinal, como disse Heinrich Heine, "à falta de virtude, a fealdade é meio caminho andado". 

Segundo, porque (não digo que seja sempre assim, mas é muito comum)  uma rapariga feiota se vai esforçar muito mais para agradar. A canseira para a conquistar é muito menor, ou inexistente: ela dá todas as facilidades, 
desdobra-se em elogios e em trocadilhos sugestivos, é mais descarada, decora os truques "como agradar a um homem na primeira noite" da Cosmopolitan e toma todas as iniciativas pois afinal, os pretendentes não lhe caem do céu. Estão a apanhar aqui o paradoxo?

 Eles receiam-se das bonitas com medo de ser enganados, temendo que ela fuja com o primeiro galã que lhe apareça, mas não têm medo do patinho feio que não se ensaia em dar o primeiro passo com eles (ou com qualquer outro) e que sendo menos exigente, não recusa nenhuma oportunidade nem que isso signifique não se dar ao respeito.

Pois eu digo-vos que pelo que tenho visto, essa insegurança está só nas cabeças destes senhores. Sendo certo que mulheres desmioladas há-as bonitas e feias, e que nem todas as bonitas são virtuosas nem todas as menos bonitas umas doidivanas... uma mulher linda, desde que seja sensata, discreta e um bocadinho bonita por dentro - uma pessoa de classe, enfim - é um investimento, salvo seja, muito mais acertado.

 Mulheres bonitas são mais ingénuas no bom sentido do termo, porque não precisam de tanta astúcia para conseguir o que querem, ao contrário das mais desengraçadas; quando muito, habituaram-se desde muito novas a afastar atenções indesejadas e a defender-se de quem as vê como troféu ou se aproxima delas só pelo aspecto. Aprendem a ser cautelosas, tal como um homem rico que à força de fugir de interesseiros acaba por se tornar um bom leitor de fisionomias e sentir más intenções à distância.

Estão habituadas a ter admiradores, a receber elogios, por isso não cedem à lisonja com tanta facilidade; ou seja, enquanto uma mulher desesperada por atenção tem mais probabilidades de se apegar, ou pelo menos flirtar, com o primeiro mariola que se aproximar dela com falinhas mansas, uma mulher bonita já ouviu esse disco riscado centos de vezes; entra por um ouvido e sai por outro.

Tendo muito por onde escolher, não tem tanto medo de ficar sozinha, logo é selectiva: quando decide estar com alguém é porque essa pessoa vale a pena, é especial; não porque estava a jeito ou lhe afagou o ego.

 Homens assim inseguros ainda vivem pela perspectiva do antigamente (um dos poucos machismos que me viram do avesso, confesso) sob a qual uma mulher não tem vontade própria, autonomia, livre arbítrio e capacidade de se defender, logo basta alguém vir com palavrinhas doces para ela estar pelos actos e fazer um disparate - e sendo atraente, os riscos estão por todo o lado. Tolices, digo-vos.

Em última análise, se na sua óptica TODAS as mulheres são perigosas, cheias de ardis, mais vale uma boneca de porcelana do que um camaféu: repita-se o velho ditado "uma mulher bonita é um perigo, uma mulher feia é um perigo e uma desgraça". E não se esqueçam de que até uma bota velha, toda rota, pode ser alvo de cobiça. 

 Por outro lado, uma mulher bonita e que tenha outras opções só se for muito tola, muito "tanto me faz" é que escolhe ficar com um desconfiado pouco exigente destes - e é um facto, há mulheres bonitas que não são muito espertas, tal como há mulheres feias que são burras como um urso;  o que explica muita coisa. Ora, juízo.






2 comments:

Paulo Abreu e Lima said...

Concordo na generalidade. O ciúme, se inevitável, não se confina à aparência e, muitas vezes, nem ao objecto, salvo seja. Aliás, prefiro a palavra insegurança, e esta acontece amiúde em quem ama. Sem falsas modéstias, namorei sempre mulheres bonitas (aos meus olhos), mas, muito mais do que esse predicado, inteligentes. Nunca pensei em ciúmes, mas em estímulos e desafios. Até porque, ao contrário da beleza física, a inteligência afina com a idade...

Imperatriz Sissi said...

Nem todos os homens são refinados cavalheiros como o Paulo. É preciso um homem a sério para aceitar desafios - mesmo os triviais que fazem parte de uma relação. Afinal, todos os apaixonados se deixam assaltar pela dúvida, mas não há amor onde não há confiança, disse o Cupido à Psique antes de voar pela janela...

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