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Thursday, May 8, 2014

Homens que põem uma mulher à beira de tomar as gotas.


Certa vez contaram-me uma anedota de protestantes: a mulher do Pastor, faça o que fizer tem sempre defeito perante a congregação. Se veste bem, é vaidosa; se se arranja modestamente, não se preocupa com a imagem do marido; se sorri muito, é cheia de si; se é reservada, acha-se muito importante; se trabalha para a igreja, é porque se imiscui, mas se não se envolve, é preguiçosa; se contraria o marido, é atrevida; se não influencia as decisões dele, é uma mosca morta...e por aí fora, um pouco como a história do velho, do rapaz e do burro.

 E conheço certos cavalheiros para quem a mulher que os preocupa - namorada, esposa, candidata ou pedra no sapato - é exactamente como a mulher do pastor, coitada. 

 É sempre ela que tem a culpa do ciúme, do desgosto, da desconfiança ou do *inserir moléstia* que os incomoda. Nunca param para pensar nas asneiras que fizeram - isso não é para ali chamado, porque uma mulher deve perdoar tudo, ter paciência para tudo. Não se convencem que a única mulher que ama incondicionalmente e perdoa incondicionalmente é a mãe, porque não pode deixar de ser mãe por mais tropelias que o filho faça. E mesmo essa...tem limites. E se for esperta, tem uma colher de pau para impor esses limites desde tenra idade.

 Mas quê - querem dedicação fácil, confiança fácil (para o lado deles) perdão grátis, e anda cá meu querido, és tão lindo que nem olho às calamidades que andaste a fazer, dá cá beijinho, quando me tratas mal ainda gosto mais de ti

 Esperam perdão até quando continuam a fazer exactamente a mesma coisa, todos contentes, porque acham que podem e que isso não é mal nenhum. Isto nunca percebi, porque na minha terra quando se pede desculpa, é em modo "já acabou, já passou, perdoa que eu não volto a fazer isto" ao que se segue o bom e velho 
"perdoo-te, mas não voltes a pecar, obrigadinha pelas rosas encarnadas". Deve haver para aí umas formas de perdão todas modernaças que escapam à minha antiquada compreensão.

E como se isto não fosse suficiente...

...não confiam, não acreditam em nada do que lhes é dito, acusam uma rapariga honesta de cálculos e artimanhas que fariam inveja à Milady dos Três Mosqueteiros (sim, porque uma mulher ocupada não tem mais que fazer senão inventar ardis e ser um mestre do disfarce) em vez de falar claro põem-se com testes e armadilhas, e quando a confusão se instala retaliam e inventam quantas maldades há para fazer a cabeça em água à mulher do pastor ou seja, à deles - ou à que acham que é deles. Há sempre um sentido de posse em pessoas assim.

Depois lamentam-se que não têm sorte nenhuma, e ai que mulher malvada que me põe maluco. Ora, se fossem aborrecer o Padre da Freguesia que como Sacerdote sabe lidar com essas crises do espírito, ou um psiquiatra competente com receitas de gotas para coisas desse jaez é que muitas mulheres vos agradeciam, cabeças de alho chocho.

1 comment:

Sandy said...

verdade :)

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