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Monday, May 5, 2014

Manifesto anti-chilique.


Por aqui, defende-se bastante a ideia da mulher tradicional, que usa os seus recursos de maneira feminina, subtil e inteligente em vez de bater o pé, empunhar cartazes, vestir as calças abertamente e refilar sobre sexismo como uma pata choca. 

 Mas também tenho dito que a minha ideia de mulher independente é a de uma Scarlett O´ Hara: uma verdadeira senhora, elegante, educada, coquette q.b, capaz de fazer frente a um exército e de tomar os assuntos nas próprias mãos sem descer dos saltos, tirar o espartilho e perder o fôlego apenas SE  e QUANDO tais coisas são necessárias. 

 O ideal não é uma mulher dragão (admiro Caterina Sforza, mas Caterinas Sforzas não nascem por aí nas árvores...) mas uma mulher fio de aço. Delicada mas firme, de uma resistência a toda a prova e afiada (e afinada...) como uma corda de piano. E o que fazem as cordas de piano? Só soam quando é preciso e útil, em vez de tilintar ao vento como os espanta espíritos, que fazem um barulhinho giro mas aleatório que não serve exactamente para coisa nenhuma. Ou seja, uma mulher digna e sensata deve primar pelo auto domínio: falar, agir e emocionar-se quando é sábio fazê-lo.

  É curioso que na nossa época e na nossa cultura, em que as mulheres têm (ou pensam que têm- reconhecer que isto ainda é, mal ou bem, um mundo de homens e jogar de acordo pouparia muitos dissabores, mas essa é uma opinião pessoal de quem prefere seguir a corrente e deixar os feitos falar por si a lutar por utopias) todos os direitos, todas as liberdades, em que prezam tanto a sua independência e se fazem muito fortes, basta um abanão emocional, ou um homem que se comporta menos bem, para as deitar abaixo.

 Não critico que se vão abaixo, atenção - qualquer uma está sujeita - mas digo que mais valia menos bravata antes de as coisas acontecerem e menos choradeira depois. É preferível reconhecer a própria vulnerabilidade ("não me queria meter nisto que já sei que fico mal, mas se correr mal logo se vê") e lidar com ela com certa compostura depois do mal feito.

  Quando as coisas dão mesmo para o torto, uma mulher fio de aço não fica a chorar. Bom, se calhar fica. Às tantas até liga ao guru ou ao terapeuta ou toma uns pirolitos de passiflorina, de flor de laranjeira ou de erva de S. João porque não vale a pena ser mártir nem matar neurónios; ou vai às compras como qualquer mulher desgostosa, que isto terapia de pirulitos ou terapia da montra vai dar tudo ao mesmo. Pode até precisar de se esconder como a Greta Garbo porque uma senhora só vê e ouve aquilo que quer e quem quer e ninguém precisa de armar em heroína, mas  não fica a remoer coisas que magoam.

Enfia umas lunettes escuras para esconder os olhos encarnados e lembra-se de toda a lenga lenga da mulher independente e ocupada. Usa o mantra "não preciso disto, tenho melhores coisas em que gastar o tempo" mostrando a quem quiser ver a serenidade de sempre.

 Nascer mulher não é nada fácil, mas o fardo é mais leve se se pensar "sou delicada, mas posso bem com isso". E se se puser em uso  as lindas mãozinhas e a linda cabecinha, porque a ociosidade é oficina do Diabo. Nem que para isso seja preciso dar uma lamparina psicológica em si mesma (caso seja a afectada pelo chilique) ou na amiga que está em modo fanico. Ou como diria o senhor meu pai, "vai dar uma corridinha lá fora que isso passa-te".

Às vezes é preciso pensar como um homem, reconheço.




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