Recomenda-se:

Netscope

Tuesday, May 27, 2014

"Não direi à minha filha que ela é bonita" - pois.


A frase é da modelo e anjo da Victoria´s Secret Doutzen Kroes, que espera uma bebé e sente "remorsos" de fazer parte de uma indústria que "torna muitas raparigas inseguras". Ou seja, cá temos mais uma a pedir desculpas por ser bonita. A envergonhar-se (diz ela) da beleza que lhe trouxe fama e fortuna, pensando que presta um grande serviço à omnipotente causa feminista que actualmente todas as celebridades parecem obrigadas a subscrever publicamente se não quiserem ver a sua imagem beliscada.

"Não vou dizer à minha filha que ela é linda, vou antes elogiar-lhe a inteligência". Primeiro, lamento dar cabo das ilusões à modelo, mas ela até pode trazer ao mundo uma filha que seja uma Helena de Tróia e que não deva nada à inteligência -  o que implicará mentir à criança e meter-lhe na cabeça padrões igualmente impossíveis.

 É verdade que a ausência de miolos (a não serem casos mesmo graves) é mais subtil, logo disfarça-se mais facilmente do que a falta de beleza. 
 Hoje em dia, a coisa mais simples do mundo para uma rapariga de intelecto mediano - sem imaginação, sem perspicácia, sem espírito - é fazer-se passar por inteligente

Só as pessoas muito sagazes, muito refinadas, muito observadoras ou os génios é que dão pelo engodo, juro.

Basta-lhe ir um bocadinho à escola, dar alguma graxa, ser estudiosa e acima de tudo chica-esperta, tirar uma licenciatura (coisa mais acessível a todos, não há) a copiar ou a dar cabeçadas nos livros porque o que importa é o diploma,  ter a mania de se afirmar por prendas que lhe faltam, armar-se em sabichona para dar nas vistas  e debitar de forma vã e oca palavras difíceis ou temas que caiam bem em público. Vulgo falar alto do Impressionismo ou de política para quem quiser ouvir.

Conheço imensas raparigas assim, burrinhas que dói, que fazem gala em fingir-se inteligentes. Há-as bonitas e feias: as que querem provar que não são só giras, têm alguma coisa dentro da cabeça mesmo que seja pouquito, e as feias, que coitadas, já que não têm graça nenhuma ao menos aparentam saber alguma coisa e assim podem dizer às rivais "eu posso não ser bonita, mas ao menos sou inteligente, sou psicóloga/advogada/etc" - como se não haja mais belas que fazem exactamente o mesmo, ou melhor.

 Pessoas inteligentes há-as lindíssimas e feias. A inteligência é tão rara como a beleza, nada tem de democrático.

E a cultura postiça, tal como o Photoshop, as extensões de cabelo, a cirurgia plástica ou a maquilhagem, é uma ajuda - não faz milagres nem cria o que não existe.

 Claro que ainda poderá dar-se o caso de Doutzen Kroes dar à luz uma filha que não seja uma beldade. Conheço imensa gente bonita que tem filhos degenerados; isto a genética é uma lotaria e nunca se sabe, logo nem sei para que prega por antecipação.

"Não quero que ela se concentre na beleza. Quero que saiba que há outras coisas na vida" - claro que há. Uma mulher, especialmente se for bonita, deve ser educada não só para ter alguma cultura e independência, mas também para ser bonita por dentro- ou seja, receber os básicos de educação que pressupõem colocar os outros antes de si mesma, ser modesta, ser gentil, amável, graciosa e acima de tudo não se tornar uma pindérica, porque pindéricas é o que mais há. Ser bonita não implica ser superficial. 

 Que tal educar para o todo e para o equilíbrio, Ms. Kroes, em vez de fazer a criança negar eventuais dons que a natureza lhe conceda?

 Não há nada de errado em ser bonita (se os outros têm complexos, que os resolvam) desde que a beleza venha acompanhada de bondade e de neurónios que realmente funcionam. Mas a julgar pelas caraminholas que tenciona ensinar-lhe, já não digo nada. Espero mesmo que a pequena venha ao mundo bem bonitinha, só lhe digo isto, porque pior do que ser bonita e parva, só ser parva e com a mania que é esperta. Ou feia e parva. Isso sim é uma tragédia...



5 comments:

Sérgio S said...

Eu digo muitas vezes à minha pequenina que ela é bonita... Pelo menos para mim é... :P
Confesso que não divido bem as pessoas entre muito e pouco inteligentes (ou medianas). Parece-me que nos dias de hoje existem divisões mais importantes, como: confiante vs. insegura, etc. Com inteligencia "bruta" hoje em dia por si só consegue-se pouco.

Urso Misha said...

Sou pai e como concordo com o que dizes e até acrescento que basta qualquer "macacada" para os filhos serem inteligentes e não precisam de fazer mais nada e ainda dizerem que é para isso que lhes pago o colégio... enfim
em relação à ultima frase uma meu ex-chefe dizia uma parecida "pior que ser burro, é pensar que se é esperto e acreditar nisso"

Inês Sousa said...

Este mulherio (peço desculpa pela expressão) é do pior. É no minimo bastante idiota a afirmação da modelo, como se fosse crime ser-se bonita. Tenho muita peninha da modelo bonitinha que ganhou fortunas devido à sua beleza e que agora se queixa da industria que lhe permitiu alcançar uma vida que nunca teria tido se fosse um camafeu. Não gosto nada de hipocrisia é o que é.Só me resta lamentar a pouca sorte da riança.

Imperatriz Sissi said...

@Sérgio, a inteligência é menos mensurável, para além de existirem tanto tipos de inteligência como de beleza...e convém que a criança seja elogiada sem exageros em vários aspectos. Se não é bonita, ao menos que se diga "é fofa, tem um cabelo bonito" ou qualquer coisa.

@Ui Ursinho, nem quero começar a falar nos que se gabam que os filhos aprendem japonês...LOL

@Inês sim, é no mínimo mal agradecida. Detesto esse discurso. Como se não se pudesse ser inteligente E bonita. Poupem-me.

Adeselna Davies said...

Até entendo o ponto dela, há muitas jovens que se sentem inseguras devido à falta de beleza segundo os padrões da nossa sociedade. Como mãe acho que vou ensinar aos meus filhos que cada um luta com as armas que tem, desde que tenhamos valores. Podemos ser lindos e burrinhos mas amigáveis e ajudar os outros. Podemos ser lindos e inteligentes que não há nada que se envergonhar, desde que não sejamos shallow e más pessoas (mal educados, rudes e bullies) acho que é bom. Eu fico feliz se os meus filhos forem boas pessoas e tiverem ideiais e defenderem-nos, o resto não me interessa muito. Lindos, feios, gordos, magros ... as pessoas vêm em todos os tamanhos e não há nada que sentir vergonha.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...