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Monday, May 26, 2014

Verdade verdadinha do dia, lida na Tatler.


"The trouble with having an open mind, of course, is that people will insist in coming along and trying to put things in it"


 Terry Pratchett

Desde que o mundo é mundo que quem não se adapta está condenado à extinção. A natureza evolui, a sociedade também (nem sempre para melhor) e que remédio há senão fazer algumas cedências, na velha lógica se não os podes vencer, junta-te a eles - só no mínimo indispensável, diria eu. 

  Há aspectos em que é benéfico ou necessário estar receptivo a novas oportunidades, ideias e pessoas. Não se pode rejeitar tudo, ser demasiado cabeça dura: afinal, tudo o que hoje é tradição, clássico ou intemporal, um dia foi totalmente novo. Mudar para melhor, admitir erros passados, exige humildade e sabedoria, mas também carradas de bom senso.

Por vezes temos de variar o caminho ou tentar um método diferente para chegar ao destino.

 É preciso porém, dentro dessa abertura, dessa flexibilidade, dessa condição que é o vive e deixa viver, o posso não concordar com o que dizes mas defenderei até à morte o direito de o dizeres, escolher aquilo que - novidade ou não - se identifica com os nossos valores de base. E acima de tudo, não prescindir deles, a bem da tentação, da facilidade ou do politicamente correcto. 

Não se pode ser benfiquista num dia e sportinguista no outro, num momento ser pelo povo e pela revolução e dali a dias virar à direita e gritar Aqui D´el Rei. Na evolução, na construção da atitude, da personalidade, da imagem, há que não ser vira casacas nem cair numa elasticidade moral que tudo tolera, tudo desculpa, só para ter um pretexto para fazer exactamente as mesmas asneiras sem ser criticado.

 Actualmente ser open minded, cidadão do mundo, muito tolerante a todas as extravagâncias é quase de rigueur. Cai mal admitir que se é tradicional, que se tem critérios, que se é, enfim, um careta. Só as pessoas brutalmente honestas, com princípios muito definidos, muito conscientes do seu lugar no mundo e na sociedade, exigentes com os outros mas acima de tudo perfeccionistas consigo próprias, se atrevem a tal. É preciso qualidades raras para se ser mundano e ao mesmo tempo desprezar as pressões e vaidades do mundo

 Por vezes não é imperativo conhecer uma pessoa ou uma coisa para saber que dali não sai nada de bom. As aparências podem enganar, mas devem ser levadas em conta porque onde há fumo há fogo. Ouve-se muito "não fales do que não conheces!", "não julgues pelas primeiras impressões!".  Em suma, " abre a tua mente!"

Por essa ordem de ideias, toda a gente tem de experimentar heroína para formar uma opinião e dizer, em sã consciência, que a heroína é má. Ou ir à guerra, perder uma perna e um braço, para afirmar com propriedade que a guerra é de evitar. Se um livro, pelo contexto em que aparece, o tema e o autor cheira a esturro, parece uma grande porcaria, vai-se perder neurónios a lê-lo? Gastar tempo que ninguém devolve, só para poder formar uma opinião? 
 Alguém no seu perfeito juízo deixaria a porta aberta durante a noite, expondo-se ao perigo, porque afinal, "nem toda a gente é desonesta"?

 Amiúde, os indícios são mais que suficientes. Não é preciso poluir  ou baralhar as ideias tomando contacto com quem, ou o que, é nocivo para o intelecto, a reputação, a felicidade ou a saúde. 

 Muitas vezes é melhor fechar a mente. Pode não entrar nada de novo, certo, mas também não entra nada de mau.

1 comment:

Sandra Marques de Paiva said...

Concordo e subscrevo e não há nada que me irrite mais que um vira casacas.

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