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Tuesday, June 24, 2014

Christian Dior dixit: os pequenos nadas.


Por vezes vejo pessoas na rua, ou num evento qualquer, que aparentemente estão adequadamente vestidas e compostas: não têm nada a mais ou a menos, não parecem chamativas no mau sentido e à primeira vista está tudo no lugar. 

    No entanto, falta-lhes qualquer coisa...aquele je ne sais quoi que nos faz pensar "chic a valer!", que chama a atenção e que transmite imediatamente aos outros estarem perante uma grande senhora, um cavalheiro dos antigos, uma personalidade distinta ou uma verdadeira beldade (pois a beleza, só por si, é complicada e enganadora).

    Para esse não sei quê concorrem diversos factores, alguns bastante subtis: a figura que se tem (embora as curvas sejam bonitas numa mulher e uma certa imponência possa ficar bem num homem, é difícil parecer elegante quando se é "uma bola") a formosura - que é relativa - o carisma e o brilho pessoal, o ar com que se nasceu, pois um ar racé é meio caminho andado (e quanto a isso, já se sabe que se pode encadernar, mas não se pode mudar de cara...) a educação (só uma pessoa educada e algo mundana está à vontade e serena em toda a parte) o porte (outra coisa que é de nascença e melhora muito com a educação: ter feito ballet, por exemplo, é a garantia de uma bonita postura para a vida inteira) a confiança em si mesmo (a) e por fim, o conhecimento daquilo que é correcto fazer e vestir; mais importante, os bons hábitos em relação a isso. 

Quem foi acostumado a distinguir as coisas de qualidade raramente faz más opções.

 Ora, sendo este último quesito sobretudo de natureza de material, pode ser aprendido e treinado.
  Por exemplo, uma mulher elegante pode não ter a última it bag - tanto porque rejeita modismos como por razões de orçamento - mas a sua carteira será sempre de qualidade. Não será vista nem morta com uma peça de aspecto duvidoso.

 Duas mulheres podem estar vestidas exactamente da mesma maneira: calças pretas, blusa estampada, peep toes e uma tote bag. Simples e sem nada que se aponte.

 No entanto, percebe-se num relance qual é aquela que possui verdadeira elegância: a sua postura é graciosa, todas as  peças são feitas de materiais fiáveis e no caso das roupas, provavelmente ajustadas aqui e ali; a maquilhagem e os acessórios são impecáveis e quase não se dá por eles. A pele e o cabelo estão muito bem tratados. Nada parece conseguido à última da hora, nem forçado.

 Tudo isto se sente sem que uma palavra seja dita ou que haja uma etiqueta visível.  A qualidade não se vê, mas nota-se. A elegância também não é palpável. Claro que a conversa e o comportamento vão confirmá-lo mais tarde, não há que enganar. E por sua vez a conversa, as atitudes, também são feitas de pequenos nadas que compõem o todo, e que vêem lá do fundo, da formação, do interior. 

 Actualmente usa-se realçar coisas concretas: aqueles sapatos, o estampado da moda, o último grito que está acessível a qualquer um. Mas a elegância genuína não depende muito de coisas que estão à venda, ou visíveis, ou evidentes. É discreta e difícil de precisar, daí ser tão rara...


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