Recomenda-se:

Netscope

Tuesday, June 10, 2014

Lord Chesterfield dixit: observa o próximo como a ti mesmo.


"A ciência adquire-se com a leitura dos livros; mas a ciência que tem mais importância - o conhecimento da humanidade - só se consegue adquirir observando os homens e estudando todas as espécies de indivíduos".

Philip Stanhope, 4º Conde de Chesterfield


A quem por aqui passa, não são alheios certos pensamentos relacionados com a arte do profiling e a importância de tirar o retrato robot às almas com quem uma pessoa se cruza.

Nem toda a gente será assim tão observadora, mas quem tem um bocadinho de mundo e se rege pela sábia máxima de ouvir duas vezes, olhar umas quantas e falar só uma saberá decerto a sua utilidade.

Os outros só nos dizem o que querem e mostram o que gostariam que fosse visto - bom, essa é a intenção. Mas é muito mais divertido (e frutífero) prestar atenção àquilo que procuram esconder.

 Tanto as palavras e sons que emitem- a inflexão da voz, a pronúncia, o vocabulário - como o visual e a linguagem não verbal permitem ler,  como um livro aberto, quem se encontra diante de nós.

 É muito fácil detectar uma mulher desesperada, por exemplo - e infelizmente, os agressores são muito bons nisso. Os seus arrebiques, maneirismos e roupas procuram ansiosamente chamar a atenção; faz tudo para se manter em evidência; o seu olhar busca ansiosamente a aprovação alheia.

  Do parvenu, do poseur, nem vale a pena falar: a pose de peru - peito feito, andar pimpão, voz "ouçam-me que eu estou aqui", gostos e vernizes demasiado recentes, marcas mais ou menos visíveis ou mesmo ostensivas, o discurso "EU fiz, EU tenho, EU, EU, EU", erros gramaticais no meio de palavras caras...denunciam-no rapidamente.

  E da mesma forma é fácil detectar o inseguro ansioso por agradar, o lambe botas, o engatatão das dúzias - tal como a pessoa distinta, o homem honesto, a grande dama, a interesseira, a alminha tímida e tantos outros tipos, bons e maus.

 O reverso da medalha é que há pessoas vividas e observadoras em toda a parte - logo, quem analisa corre o risco de ser analisado também

Quanto a isto, há somente dois remédios: não recorrer a artifícios nem afectações, porque nada é mais encantador que uma pessoa confiante em si própria; e ser simultaneamente a melhor versão de si mesmo, já que se não criar a sua própria imagem, os outros tratarão de formar o seu parecer.

 Claro que "a  melhor versão" nada tem a ver com ser aquilo que não se é - mas esse exercício reside na noção da realidade, na educação e no mais elementar bom senso. Para bem observar os outros e julgar com justiça, é preciso em primeiro lugar observar-se a si próprio...e ser muito exigente nessa matéria.

 

 

No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...