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Saturday, June 14, 2014

Pessoas sem sal.


Ontem, numa procissão em honra do meu amado Santo António, o sermão girou à volta da célebre ideia "vós sois o sal da Terra e a luz do Mundo". Se o sal não salgar, não presta para nada; se a luz for fraca, é inútil. 

 Isto adapta-se não só aos Católicos, mas à sociedade em que vivemos.

 E deixou-me cá a pensar como a maioria tem vergonha de mostrar o seu sal:  princípios fortes, valores bem definidos. 

Estamos tão democráticos, tão democráticos que se instalou o "é proibido proibir" e pior - o terror de dizer algo que soe pouco democrático. 

O status quo é o das pessoas sempre dispostas a começar movimentos e revoluções. Proclamam aos quatro ventos que têm uma cabeça muito aberta, gostam de toda a gente, são pró verdes, pró escolha, pró tudo, super tolerantes, muito pela igualdade,  não criticam, não julgam, opinam muito mas não têm verdadeira opinião sobre nada. 
 Sobre nada, menos sobre a necessidade constante de renovação - e para deitar abaixo tudo o que é tradição, bem entendido.
 A Igreja precisa de ser renovada, a política é para a frente que atrás vem gente, costumes que cheirem a medieval por qualquer razão são para ser abolidos, e os privilégios - os dos outros- haviam todos de acabar. 

 Andamos invadidos por uma espécie de hippies-yuppies: materialistas queridinhos e zen.

 E isto acontece por duas razões: porque as pessoas são invejosas - tradição e privilégios nem sempre são para quem quer - e preguiçosas. Porque a tradição, o brio, o ritual, os dress codes, os protocolos, o bom comportamento, a exigência dão uma trabalheira a cumprir. São uma canseira. É muito mais fácil dizer que cada um é como cada qual, que o que importa é ter amor no coração e ser muito amiguinho de todos...o que acaba por não acontecer.

Quem não tem cabeça para seguir princípios e manter valores, não é verdadeiramente amiguinho de ninguém: é um hipócrita. Quem não julga nada de nada, ou mente ou não está lá muito certo de não ter telhados de vidro.

 Mas fica bem no retrato dizer que se é fofinho; tão tolerante que não se incomoda ninguém, a não ser que isso dê nas vistas nas redes sociais e louve modernices ou reformas. Arejado, informado, de mente aberta, descontraído. Sem sal, portanto.

1 comment:

Inês Sousa said...

pois deve ser por estas e por outras que eu cada vez encontro menos quem mereça o meu respeito e a minha consideração. Cada vez mais me incomoda a falta de sentido critico e de saber estar a falta de valores e a elasticidade moral que encontro em tantas pessoas.

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