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Monday, June 9, 2014

Vaidade, tudo vaidade...mas há a boa e a má vaidade.


Vanitas vanitatum omnia vanitas [Eccl. 1:2;12:8]. 

A vaidade é um pecadilho, um guilty pleasure, um mal necessário ou um instrumento- e como tal , deve ser vigiada e moderada para que se possa empregar na direcção certa.

Há a vaidade benéfica, ou como eu gosto de lhe chamar, brio.

É o brio que impele a ter a melhor apresentação possível, a evitar o desleixo na imagem e nas atitudes, a fazer justiça ao nome que se carrega, a honrar a família, a cuidar da reputação, a manter uma certa altivez e orgulho nativo, a cultivar uma dignidade que não deve ser confundida com sobranceria, a ser a melhor versão de nós próprios, a procurar os bons convívios, a não dar nas vistas pelas razões erradas. 

  Não é defeito reconhecer os dons e qualidades que a natureza ou o acaso nos concederam e tirar delas o melhor partido possível: desprezá-los seria fazer pouco de quem não recebe da vida as mesmas benesses.

 É mesmo muito feio diminuir constantemente as próprias conquistas: o desprendimento é uma virtude, mas convém saber ser grato e dar a si próprio o devido aplauso, se é merecido, para que se transforme em motivação para fazer mais e melhor.

 A vaidade boa e o brio estimulam, conservam, evitam a decadência.

 Depois há a vaidade má, o orgulho desmedido, o desejo de diminuir os outros, de copiar outrém ou até de se apropriar do que lhe pertence, o impulso constante de competir com o alheio, o egocentrismo, a vaidade própria dos espíritos tacanhos e estreitos que leva a pessoa  a humilhar-se, a sabujar e a fazer outras coisas pouco dignas só pelo prazer da palmadinha nas costas, do sucesso lusório ou roubado, ou de ombrear - na aparência, pelo menos - com fulano ou sicrano. 

 A vaidade que leva alguém a rebaixar-se a si próprio ou aos outros, a ferir inocentes ou a fazer figuras ridículas, essa sim é um veneno.

  Quem anda por aí "inchado que nem lhe cabe um grão de milho" muitas vezes com motivos insignificantes, só porque julga que deu um passinho em frente, não só faz mal a si e a quem o rodeia, como cai na anedota...o que é precisamente o contrário do que se pretende. O espelho - seja o espelho físico ou o exame de consciência - é sempre um bom conselheiro.

 Devia ser obrigatório cada um trazer o seu e olhar-se nele uns vinte minutinhos por dia. E isso não seria vaidade, seria um acto de sensatez. Ou cultivar o bom e velho sentido de noção, que anda tão maltratado...

  

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