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Sunday, June 29, 2014

Who wants to live forever?


Eu até acredito na ideia de imortalidade e não me importava de experimentar.

 Mais dia menos dia, descobre-se a Pedra Filosofal e os eleitos (espero que os escolham a rigor, ou vai ser lindo) poderão andar por aí ad aeternum, atravessando os séculos até perceberem que estão mortinhos por morrer e que querem ver como são as coisas do outro lado, estilo Conde de Saint Germain que - dizem, vá, eu não estava lá e não afirmo nada - ia ao Além e voltava, e viveu centenas de anos até decidir que ser espírito era menos cansativo. 
   Mas que eu saiba ainda não existe a pílula da eternidade - acessível à maior parte das pessoas, pelo menos - e até que se descubra há que  fazer o máximo que se pode com o tempo de que se dispõe.
 Já não sei em que filme vi que os deuses invejam a fragilidade humana; sabendo que não duram para sempre, os mortais vivem com uma intensidade de que eles não são capazes.

 Mas acho que nem todos os mortais são assim: há alguns tão papa açordas que deixam tudo para amanhã, como se fossem ser eternamente jovens; perdem tempo com questões fúteis, deixam andar, acobardam-se, adiam o que é importante em prol de superficialidades, julgam sempre que há tempo, que amanhã será, que amanhã Deus dará, que logo se vê, torram dias, semanas, meses, anos para não fazer o que tem de ser feito, para andar às voltas sem chegar a lado nenhum, girando mesmo disco vezes sem conta.

 E às vezes não há amanhã, às vezes amanhã é tarde: há que ser descontraído, confiar na boa estrela, o que for será; mas não dar uma ajuda ao destino ou boicotá-lo com parvoíces é esperar demasiado do tempo e da bondade divina.

 Até pode ser que a Pedra Filosofal apareça amanhã - mas não convém fiar-se nisso. Mesmo que apareça, sabe-se lá se não vem na forma de um batido horroroso tipo Herba qualquer coisa que é preciso tomar todos os dias? Eu não sei se valia o sacrifício. É melhor agarrar o momento, e dar à vela enquanto há vento, e - passe o lugar comum - tempus fugit, memento mori, carpe diem, que, como diz o bom povo, hoje estamos bem mas amanhã vai-se a ver.

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