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Friday, July 4, 2014

A nobre arte de "quando te casares já não te lembras"...e mais outra, para vosso governo.

Elizabeth Taylor e o 1ª marido, Conrad Hilton

Já vos contei que em pequena tinha dois - ou mais- lados: um muito feminino e/ou sossegado, das Barbies e penteados e por aí fora,  outro de maria rapaz (leia-se: dar pancada nos rapazes, fazer acrobacias de circo, etc) para não contar com o meu espírito de exploradora e cientista, que me trouxe alguns amargos de boca: deitar fogo à arrecadação numa "experiência" foi um deles, mas isso é assunto para outros carnavais.
 Mas certa vez houve uma peripécia que não foi culpa minha... e graças a ela aprendi duas máximas para a vida.

 Estava eu no recreio, minding my own business sentada no chão a brincar já não sei a quê, quando - prova provada de que o karma nos apanha precisamente quando nos estamos a portar bem - um grupo de meninos decidiu inventar uma brincadeira parva: fazer corridas levando um colega às cavalitas.

 Pois bem, uma das "montadas" desequilibrou-se e deixou cair o "cavaleiro", que era bastante gorducho...em cima da minha pessoa ou melhor, da minha mão. Pimba, fiquei com um dedo amolgado, esfolado, todo achatado...doeu-me pela vida e embora não fosse do tipo choramingas abri um berreiro, mais por medo de ficar maneta que outra coisa...

 A professora Isabel, que era um amor e uma senhora muito despachada, agarrou em mim e levou-me ao lavatório, para me passar o dedo espalmado por água fria. Com os nervos de me ver naquele estado, segurava-me com tanta força que era pior a emenda que o soneto.

- Aiiii, que a senhora professora está a apertar-me muito! E isto arde! - choramingava eu.

Pois acto contínuo, ela sai-se com esta:

- "O que arde cura, e o que aperta segura!"

Nunca tal tinha ouvido, e até me esqueci da dor por uns instantes a meditar em tamanha filosofia. Ao longo da vida sempre preferi as coisas um bocadinho exigentes, ou que apertam e seguram bem, porque são essas que conduzem a alguma coisa, e sem saber com o que se conta, sem disciplina e sem segurança não se chega a lado nenhum...

Mas como eu continuasse a queixar-me, ai o meu rico dedo, ai que vou precisar de pontos, e assim por diante, a professora atirou-me outra pérola:

"Deixa lá, que quando te casares já não te lembras!"

É capaz de ser verdade porque ainda me lembro, apesar do dedo ter voltado ao normal sem grande mossa. Daí por diante houve muitos aborrecimentos que enfrentei com um "quando te casares já não te lembras!" e acho mesmo que se a lenda se confirmar, a possibilidade de uma amnésia estratégica é um bom motivo para convencer muitos solteirões (ou solteironas) empedernidos a juntar os trapinhos.

 Há imensas coisas que dava jeito varrer da memória...terá sido por isso que a tia Elizabeth Taylor casou tantas vezes, para se ir sempre esquecendo do que lá ia?


2 comments:

Paula said...

Deve ser verdade pois já não me lembro do que esqueci quando casei...
vidademulheraos40.blogspot.com.

Carla Isabel Mendes said...

A amnésia estratégica e selectiva é uma terapia para nunca mais me lembrar das más figuras que fiz :)

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