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Wednesday, November 26, 2014

A bela Arlene Dahl...e os seus conselhos para mulheres poderosas.


                  "Blondes may have more fun, but redheads never have regrets." 

Arlene Dahl


Arlene Dahl, nascida em 1928, é uma actriz, cronista e autora de livros sobre temas como  beleza, comportamento e astrologia.
 A beldade ruiva alcançou notoriedade nos anos 50 e tornou-se uma especialista em cosméticos e assuntos femininos, lançando vários livros, produtos de beleza e linhas de lingerie. Era tão bonita, mas tão bonita, que as meninas brincavam com bonecas de papel para cortar fatiotas inspiradas nela:


Pelo caminho, teve seis maridos (continua casada e feliz com o sexto) três filhos (entre os quais, o actor Lorenzo Lamas) seis netos e um bisneto.

  Apesar do percurso sentimental algo tumultuoso (casar seis vezes é obra!) Arlene foi sempre uma mulher feliz e descontraída, que não parecia levar os cavalheiros demasiado a sério. O seu primeiro marido foi aquele que considero um dos homens mais bem parecidos (de sempre!) de Hollywood, o Tarzan Lex Barker:


Faziam um casal belíssimo, mas Arlene, que andava entretida a namoriscar Jack Kennedy  e Robert Hutton e a divertir-se como nunca, só casou com ele por recomendação da amiga Joan Fontaine, que lhe disse "este homem está apaixonadíssimo por ti - devias parar de o entreter". O conselho não se provou muito feliz, porque a união durou pouco "ele era o homem mais bonito que alguma vez vi e um ser humano maravilhoso, mas não tínhamos nada em comum". Mal feito, digo eu! Porque depois levou décadas a acertar, prova provada de que não há amor (marido, neste caso) como o primeiro.

 De qualquer modo, concorde-se ou não com o modus operandi da actriz, a verdade é que ao contrário de muitas colegas suas ela sempre soube lidar com o sexo oposto, levou a sua vida adiante sem dramas mantendo a reputação de uma senhora (pelos padrões de Hollywood, vá) e sabia um par de coisas sobre relacionamentos:

 Take each other for better or worse, but not for granted. 




Há dias deparei-me com um livro dela, escrito nos anos 60 (disponível na Amazon) com conselhos de personal styling e relacionamento: Pergunte sempre a um Cavalheiro: chaves para a Feminilidade. Parece que o manual ainda é um tesouro vintage para muitas jovens americanas, que o herdaram das estantes das avós. 

Bom, este é o tipo de obra que deixa as feministas de carteirinha à beira de um ataque (não vale a pena ligar a isso: elas têm fanicos por tudo e por nada, mesmo) porque, bem...Arlene perguntou aos colegas de Hollywood e a celebridades do jet set internacional (do verdadeiro, mind you) o que é que realmente lhes agradava numa mulher, e juntou os seus próprios conselhos. O resultado é muito curioso e se há uma ideia por outra que faz menos sentido nos dias que correm, a maior parte - evitar a ostentação e os sapatos de plástico, por exemplo - é intemporal.



 Como tantas mulheres inteligentes ao longo da História, Arlene defendia que a chave para o poder feminino não está em querer ser igual aos homens nem na canseira de tentar derrubar um status quo que existe desde a noite dos tempos, mas em usar a feminilidade, a subtileza e a diferença a seu favor. A velha fórmula que agora não cai lá muito bem dizer em voz alta para não ser acusada de bota-de-elástico, vulgo deixá- los achar que este é um mundo de homens porque eles não fazem nada sem nós, mesmo ou seja, na cooperação entre os sexos (ou batê-los amigavelmente no próprio jogo, se preferirem).

 Dicas do género "todas as mulheres têm uma audiência para a sua feminilidade, e não convém desprezá-la; convém estar sempre no seu melhor, pois nunca se sabe quem está a ver", evitar "uma voz estrídula" ou coisas irritantes como "falar à bebé" e conselhos como este, do Xá do Irão (sic) " a aparência de uma mulher reflecte a posição do homem que está ao seu lado e quanto mais elegante ela é, maior o elogio que ele recebe" fazem sempre falta, eu acho.



  Se muitas mulheres na política, por exemplo, seguissem o conselho de evitar falar como canas rachadas (e nos últimos dias, foi complicado ouvir as notícias com tantas comentadoras a tentar fazer-se ouvir aos guinchos) seriam levadas mais a sério. Digam o que disserem, a feminilidade e elegância impõem sempre respeito.

E no fundo, qual é o problema de tentar perceber aquilo que agrada ao sexo oposto? As autoras de revistas actuais escrevem exactamente o mesmo tipo de artigos - o problema é que, como acham que sabem tudo, perguntam umas às outras ou raciocinam sozinhas lá na sua cabeça em vez de indagar junto do público alvo, além de inverterem o jogo de uma forma totalmente prejudicial às mulheres. As revistas de hoje dizem
 "esfalfe-se, conquiste-o!" enquanto autoras como Arlene aconselhavam "faça isto e valorize-se para que eles a queiram conquistar a si" o que é muito menos cansativo...e mais digno. E acrescente-se, Arlene tinha uma carreira e nunca precisou de homem nenhum para lhe pagar as contas...

 Qual dos dois modelos de comportamento é mais (olha a palavra da moda) EMPOWERING para as mulheres? Julguem vocês...









6 comments:

Ulisses L said...

Correndo o risco de também parecer um bota de elástico, ela tinha razão!

Ninguém pode ser respeitado se não se der ao respeito...
...e não há amor sem respeito!

Claro que qualquer gajo hoje em dia se diverte à brava com as dicas que as revistas femininas dão porque:

-Estão tão longe da realidade dos homens que mete dó
-Criam tanta facilidade que, quando a malta esta para aí virada pode (desculpa a expressão que pode ser ofensiva mas não deixa de ser verdadeira de um determinado ponto de vista) come-las em série!

É absoluta verdade que qualquer homem quer uma meretriz na cama!
...mas só na cama!
À mesa convém estar uma senhora!
É que a meretriz só serve para uma coisa...
...mas depois desse pormenor satisfeito é a Senhora que faz sonhar, e querer estar e conversar e partilhar e suportar bons e maus momentos...

:)

Imperatriz Sissi said...

O problema é que querem pôr a funcionar um modelo que simplesmente não serve. Deviam convidar antropólogos para rever certos artigos. Poderá haver homens que vejam para lá de tais comportamentos mas são muito poucos e em última análise

a)estão a tentar imitar o comportamento masculino em modo "caça efémera" porque mesmo um homem quando quer algo mais sério não age assim...tem de conversar, conhecer a pessoa, etc

b)fazem as mulheres sentir-se na obrigação de agir de uma forma muito mais à vontade do que realmente sentem...atropelando o básico e a timidez natural. Depois é psicólogo e 50 sombras não sei de quê...

Carla Isabel said...

Gosto de te ler!

Vulgarizou-se tanta coisa...

Beijinho.

cristina calado said...

Antes de mais assumo-me como feminista. E não, não tive qualquer tipo de ataque porque desde há muitos anos que leio e estudo sobre este tema e, obviamente, é tudo uma questão de contextualização.
Se compararmos as ideias deste livro com muitas séries (telenovelas, publicidade, etc.) que andam por aí, reparamos que a imagem da mulher está cada vez mais banalizada, com cenas de nudez e de violência de cariz sexual gratuitas. A mulher oferece-se, disponibiliza-se, facilita. O homem nada mais tem de fazer do que aproveitar e não conquistar… Acho que merecemos mais que isso…
PS – Já agora, sabe o que é ser feminista?

Imperatriz Sissi said...
This comment has been removed by the author.
Imperatriz Sissi said...

Cristina, embora ao que parece nem as próprias feministas se entendam quanto ao que realmente significa ser feminista, sei o suficiente para não me identificar com o movimento- não é preciso subscrever a agenda obrigatória para defender direitos (e mais que isso, deveres) iguais. As conquistas a nível civil e legal, necessárias a uma sociedade civilizada, não justificam exageros, masculinização e ridicularias que nos deixam ficar mal a todas. Quanto ao facto de a mulher se oferecer, totalmente de acordo consigo. Daí defender que nos anos 60 havia outra dignidade...as mulheres podam fingir-se mais tolas do que eram - facto - mas havia respeito. Quando vejo classificarem a forma de estar quase pornográfica de Nicki Minaj e outras como "feminista" então concluo que se pretende obrigar todas as mulheres a uma desinibição que não é natural nem desejável. É tudo demasiado confuso, há muitas contradições para que se leve o termo a sério.

(E não me leve a mal, mas costumo dizer que com feministas e ateus não se discute...)

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