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Saturday, November 15, 2014

Pessoas passivo- agressivas, essa praga infernal.


No mundo em que vivemos, toda a gente precisa de ser subtil, democrática, de usar de sprezzatura, de ironia, de sarcasmo, de  morder a língua ou mesmo - que horror - de fazer valentes fretes de vez em quando.

 A nossa sociedade não está formatada para que possamos demonstrar abertamente a toda a hora as nossas intenções e sentimentos (em boa verdade, seria uma selva se assim fosse) e infelizmente, cada vez mais isso é levado ao exagero: se no século XIX era uma vergonha, por exemplo, que um cavalheiro não cumprisse a sua palavra ou não dissesse exactamente as coisas conforme a intenção, hoje em dia já não é bem assim. Conceitos como a "palavra de honra" estão, para mal dos nossos pecados, obsoletos.

 Atenção, porém: expressar-se com a discrição e delicadeza necessárias para viver em boa sociedade e não ferir os sentimentos alheios não tem nada a ver com o comportamento passivo-agressivo.

 Pessoas passivo-agressivas são uma praga e uma peste...além de cobardes. Dizem os especialistas que esse comportamento tem origem na infância: quem é assim não foi encorajado a explicar-se de pequeno ou cresceu num ambiente em que não era seguro manifestar frustração, descontentamento, raiva, carinho ou vontade disto e daquilo.

 Não sei se essa é a única explicação, mas é uma explicação razoável para...

- Colegas que como não querem desempenhar determinada tarefa e não têm coragem de o dizer, vão atrasando, empatando, cometendo erros de propósito, fingindo que não ouviram...e assim prejudicam toda a equipa.

- Chefes chatos que adoram companhia e em vez de pedirem "não se importa de ficar mais uma hora hoje?" inventam motivos parvos para enrolar e manter as pessoas prisioneiras o tempo que lhes apetece, sem aviso nem respeito pela agenda/vida privada de cada um; ou que, sendo incapazes de explicar claramente a conduta ou tipo de desempenho que querem e não querem, vão construindo ressentimentos idiotas contra A, B ou C. Bela liderança!

- Hostilidade inexplicável e atitudes/bocas/piadas desagradáveis sem que se perceba porquê - o que obriga as pessoas normais à única defesa possível, que é perguntar na cara "temos algum problema?". E às vezes, nem assim têm a dignidade de se explicar.

- Queixinhas e lamúrias que invariavelmente colocam nos outros, em Deus ou no "Sistema" a culpa das suas desditas: um passivo-agressivo nunca se responsabiliza pela sua vida, o Mundo é que está contra ele. Por exemplo, aquela "amiga" muito infeliz que vem inevitavelmente com a ladainha "ai que desgraçada que eu sou" e quando vocês tentam consolá-la faz uma reviravolta invejosa, do estilo "tu não percebes, sempre foste linda/tens dinheiro/ao menos tens namorado" fazendo quem está a tentar ajudar desculpar-e pela sua felicidade ou começar, por sua vez, a enumerar as próprias maçadas para que a passiva-agressiva não se sinta tão mal. Ainda por cima!

- Fazer circular intrigas, boatos e mexericos - com os culpados convenientemente escondidos nas sombras.

- Críticas disfarçadas de elogios: sabem aqueles comentários simpáticos mas que não deixam uma boa sensação, tipo "fulana perdeu imenso peso" (tradução: fulana estava uma lontra) ou "fico tão contente por saber que beltrano deixou de beber!" - à frente de pessoas de cerimónia? Ou ainda, excesso de perguntas incómodas no sentido de encurralar a vítima.

- Birras, tratamento de silêncio e vitimização, vulgo ex namorado que inverte todas as culpas por mais asneiras que tenha feito: "tu levaste-me a isso!". Típico.

- Manipulação: ameaças de suicídio (ou outras menos extremas) no sentido de obrigar outrem a fazer-lhes a vontade.

Sobre a forma de lidar com vários tipos de agressores passivos, escrevi em tempos aqui e aqui

 Mas uma coisa é certa: a única forma de os pôr no lugar é obrigá-los a abrir as hostilidades, desmascarando-os; e muitas vezes o problema só tem cura dando-lhes uma tareia emocional ou literal (coisa que não convém fazer nos dias que correm, mas sonhar não paga imposto). O que de qualquer das formas faz com que se fique sempre no papel de mau da fita.

A única maneira de realmente ganhar com um passivo agressivo é, se possível, afastar-se dele. Melhor ainda, correr com ele. Para bem longe!



1 comment:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Também não gosto de pessoas assim. Costumo chamar-lhes sonsas ou sem sal, é afastar-me dessa gente!

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