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Saturday, November 8, 2014

Uma história extraordinária- troçar da Fortuna na cara


"Breathe deeply. Refuse to be weak. Refuse to be sick. Refuse to die. Think strong and you will be."

Joseph Greenstein


Nem sempre subscrevo as estórias motivacionais que rezam "impossible is nothing" e "siga os seus sonhos" - isto porque há pessoas que insistem em objectivos muito fora do seu alcance sem olhar às circunstâncias. Por exemplo, não dão um Dó direito e querem por força ser cantoras, são baixinhas e morrem de desgosto por não desfilar nas passerelles...nem sempre querer é poder. Por vezes é preciso saber adaptar os sonhos para chegar a algum lado - e ser útil à sociedade - sem frustrações nem figuras de urso, até porque objectivos não são coisas estáticas.

 Os contos do Patinho Feio e da Cinderela não se adaptam a toda a gente: tanto o Patinho Feio como a Cinderela tinham um bom avanço, só não estavam conscientes disso. Às vezes contos como o Pequeno Polegar (que jogava com o que tinha) ou Ali Babá e os 40 Ladrões (a sorte aliada ao engenho) são bem mais democráticos. 


Afinal, Maquiavel descrevia a virtù como a capacidade de lidar com a Fortuna caprichosa, seduzi-la e conservá-la fiel e amiga, nem que seja à bofetada. Há quem faça o seu destino, simplesmente porque sabe jogar com as variáveis.


 De qualquer maneira, existem de facto casos em que uma vontade de ferro e o mind-over-matter permitem ultrapassar os cenários mais desfavoráveis: Joseph Greenstein, a Bomba Humana, é um grande exemplo de quem não só seduz a Fortuna, como ainda se dá ao luxo de escarnecer dela.

O pequeno Josezito nasceu em 1893 na Polónia, prematuro e minúsculo- um verdadeiro Polegarzinho -  na família mais pobre das redondezas. Sobreviver à primeira infância já foi uma sorte...e talvez por isso, tornou-se muito determinado.

 Quando Joseph tinha 14 anos, um famoso circo russo chegou à cidade e o nosso herói ficou fascinado com os feitos do grande campeão Volanko, o "homem forte" da trupe. Os "Homens Fortes" eram um número importante em todos os circos de aberrações (e não só) desse tempo, como podemos ver em American Horror Story-freakshow.

 Sem dinheiro para o bilhete, o lingrinhas mas intrépido rapaz tentou esgueirar-se para assistir ao espectáculo de graça. Mas teve tanto azar que foi apanhado pelo pessoal do circo. Gente dura e habituada a levar a vida a pontapé, pouco acostumada a receber e dar compaixão, os seguranças da trupe não tiveram dó nem piedade pelo infeliz: deram-lhe uma tareia monumental e deixaram o coitadinho para morrer a um canto.

 Sovado, esfarrapado e mais morto do que vivo, Joseph arrastou-se até casa, e foi então que aconteceu uma espécie de milagre: o próprio campeão Volanko cruzou-se no seu caminho, sentiu pena dele e salvou-o. Depois de cuidar pessoalmente do jovem, decidiu treiná-lo para ultrapassar as suas limitações físicas.



Dois anos mais tarde, Joseph era tão forte de corpo como sempre tinha sido de espírito, tornando-se ele próprio num grande "Homem Forte" que encantava as plateias dobrando barras de ferro com os dentes ou partindo correntes com as mãos. Com o crescente anti-semitismo na Europa, Joseph decidiu tentar a sorte nos Estados Unidos e fez tanto sucesso..que um fã obcecado lhe deu um tiro na cabeça. 


Mais uma vez a Fortuna estava do seu lado: saiu do hospital no mesmo dia, convencido de que a sua incrível condição física lhe salvara a vida; continuou a sua carreira com feitos cada vez mais espantosos...e envolvendo-se ocasionalmente em brigas. Joseph detestava lutar, mas tinha um grande sentido de justiça e por mais do que uma vez fez manchetes de jornal por derrotar (e hospitalizar) vários homens sozinho, no melhor espírito Mata Sete. Os triibunais soltaram-no imediatamente; primeiro, porque ele tinha batido em vários simpatizantes nazis (que estavam demasiado maltratados para falar, tal fora a tareia) e depois, porque não acreditavam que ele pudesse ter agido sozinho...

 Durante a II Guerra Mundial, ajudou a angariar dinheiro (e a promover o recrutamento de soldados) para contribuir para o esforço de Guerra americano, trabalhando como voluntário e actuando para angariar fundos. O seu número de puxar um camião cheio de passageiros para esse fim foi muito publicitado. Também ajudou a treinar as autoridades em artes marciais, o que lhe valeu ser condecorado pela cidade de Nova Iorque.

 Greenstein continuou a ser artista de circo até aos seus oitentas, e a espalhar a sua mensagem espiritual de mente sobre a matéria. Já bisavô, ainda andava à noite pelas ruas, pronto a sovar qualquer meliante que ousasse assaltar velhinhos indefesos. Um verdadeiro superavozinho com vontade de ferro...








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