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Monday, December 15, 2014

Para insultar alguém sem motivos nem criatividade?



Plim,  é só chamar-lhe snob. Ou peneirento ou fútil, que vai dar mais ou menos ao mesmo. Até porque a definição de snob é tão abrangente que cabe em qualquer parte; é uma espécie de geleia real dos insultos, dá para pôr em todo o lado.

 Snob, quando usado a esmo, serve para acalmar um ressentimento, um ressabiamento, uma raivinha. Se alguém embirra com outrem gratuitamente ou está zangado com pessoa das suas relações sem grande razão de queixa, zás: chama-lhe peneirento, snob, fútil e cheio de mania; e como isso tudo é um bocado difícil de medir ao certo, desabafa sem contar uma mentira descarada aos olhos de quem está.

Snob pode aplicar-se com justiça à pretensão bacoca no sentido mais literal que se convencionou dar à palavra ("sem nobreza" ou seja, alguém que se dá ares), mas também aos bons snobismos - a uma pessoa com algum mundo e sofisticação, com sentido artístico e de gosto, que é impassível, selectivo,não concede mostrar emoções em público  e sabe apreciar as coisas boas na vida sem, no entanto, se apegar a elas.


Seria a simpática Senhora do Ferrero Rocher uma snob?

 Há os snobs ridículos -até porque snobismo existe em todas as camadas da sociedade, até nas aldeias mais remotas onde a senhora Felismina, que tem alguns bens, não deixa casar o filho senão com a filha do Presidente da Junta. Ou nos bairros complicados onde o gangsta mor pode viver numa espelunca, mas tem de andar de Mercedes. O jornalista Pierre Daninos, no seu livro Snobíssimo! cita "não há ninguém mais snob do que o pessoal doméstico". Os novos ricos, os pretendentes a esse estatuto, os alpinistas sociais, certos hipsters ou pseudo intelectuais e toda uma vaga de burguesinhos muito urbanos, super materialistas, trendy e postiços que aderem a todas as modas e se comprazem na ostentação caem lindamente nessa categoria.

  Depois há os snobs aceitáveis porque têm panache, espírito e talento para fazer o que bem lhes dá na gana sem se importar com o que o mundo pensa deles: podem ser um pouco rebeldes, imperturbáveis e mostrar tédio à vontade...é o caso de Oscar Wilde, Baudelaire, Karl Lagerfeld e tantos outros que, como o Duque de Norfolk, estão tão certos do seu lugar no mundo que não precisam de se maçar com aparências.

 Por isso, se alguém vos chamar snobs ou fúteis sem que vocês tenham sido efectivamente mauzinhos para eles, não se amofinem: ou a pessoa não viu muita coisa na vida, ou está de certo modo a fazer-vos um elogio.

2 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Bem, sendo assim depreendo que foi um elogio! Chamam-me snob muitas vezes porque sou pouco dada a brejeirices tipo casa dos segredos e afins. E quando eu digo que gosto de ler? Uiii, vem a casa abaixo.

Imperatriz Sissi said...

Não gostar de brejeirices e imoralidades incomoda muita gente. Temos pena...

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