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Friday, November 10, 2017

Dona Emily e seus dois maridos (estou chocada!)






Tenho pouco tempo para seguir blogs, portugueses ou internacionais. Volta e meia lá visito aqueles de que gosto mais (ou que sendo tão maus, me despertam uma certa curiosidade mórbida), e tento seguir alguns via facebook (uma das poucas utilidades reais do Facebook é mesmo o feed de notícias...). 
 Ora, uma blogger que acompanhava com alguma atenção era Emily Meyers, do The Freckled Fox.  Descobri o seu trabalho quando procurava algumas dicas de maquilhagem para ruivas e fiquei encantada.



Bonita, jovem mãe de cinco pequeninos adoráveis, esposa devotada de um marido bem parecido e super amoroso, atleta de fitness (nada de "sou mãe, por isso posso engordar")  religiosa (mormon, mas seja) sempre impecavelmente vestida, com um sentido de estilo polido e apropriado, Emily parecia o tipo de rapariga que podia ser minha amiga.



 Uma lufada de ar fresco que promovia valores familiares e tradicionais com um certo estilo de vida campestre e simples, mas idílico, que me agradava bastante- para não falar nas suas mil ideias geniais de beleza e penteados!


Confesso que tive de parar de seguir The Freckled Fox quando o marido de Emily, Martin, de 34 anos, foi diagnosticado com uma doença terminal. Não costumo ser nada piegas e muito menos emocionar-me com o que leio por aí, mas pus-me no lugar dela (tinha ficado noiva nessa altura) e o relato, francamente, fez-me chorar. A ideia de uma rapariga tão jovem e encantadora, com uma família linda e tantos sonhos, perder o amor da sua vida e o pai dos seus bebés, pareceu-me insuportável. Tive imensa pena dela mas para não me deixar contagiar por tanta tristeza preferi não ir lendo o desenrolar da situação, já que o desfecho trágico parecia inevitável...



Entretanto estava tanta coisa a acontecer na minha vida que esqueci o assunto e (à parte algumas imagens suas no Pinterest e ter sabido que, de facto, o pobre marido não resistiu à enfermidade) não soube mais da vida de Emily Meyers. Da última vez que lera algo sobre ela, a família tinha criado um crowdfunding para a ajudar com as crianças (uma vez que ela, tirando as actividades ligadas ao blog, era mãe a tempo inteiro).

Hoje lembrei-me de ver como estava o blog, e dado o que vi (já lá vamos) tive de ir ao Google perceber que diabos tinha realmente acontecido.

Resumindo e baralhando para não vos maçar: recuando no blog, depois de muitos posts (a meu ver, escusados) com o doente a desvanecer-se no hospital, etc...

...o que tinha de suceder sucedeu. E depois sucedeu o impensável. Primeiro, o enterro do senhor teve direito a retratos profissionais, super ensaiados, pensados e retocados, com imagens do caixão e instantâneos à Jackie Kennedy tudo. Não se via o defunto em pose de morto, mas foi só o que faltou (podem seguir o link, que eu recuso-me a reproduzir aqui uma coisa de tão mau gosto) .



 Ok, eu percebo que quando uma celebridade, membro de Família Real ou chefe de Estado vai desta para melhor, não se possa completamente evitar a exposição mediática. Mas que uma blogger, que nem é tão famosa como isso, tire tempo ao seu desgosto e deixe os filhos (incluindo um bebé de colo) num momento desses para organizar uma cerimónia glamourosa e super instagramável, contratar o fotógrafo certo e escolher os melhores ângulos em que vai chorar, para partilhar com os leitores...parece-me surreal. 

 Por muito que se diga que cada um faz o luto à sua maneira e por mais que esta fosse uma morte anunciada. Tudo bem que na época vitoriana era costume tirar-se um retrato no enterro, mas os tempos eram outros, a Fotografia ainda era um luxo (por vezes era a única recordação com que se ficava da pessoa) e enfim, o contexto era diferente. Tivesse Emily Meyers gostos fora do vulgar, fosse o seu um blog dedicado a um estilo de vida gótico tipo Família Addams, ainda vá. Só que não.

Com seiscentos milhões de diabos, minha senhora: acabou de perder o seu marido, o seu príncipe encantado, o sol da sua vida, o seu tudo. 

Descabele-se, faça de carpideira à moda antiga ou refugie-se nos filhos e 
remeta-se a um pesado e digno silêncio. E pelas alminhas, vista preto- noblesse oblige - e não obrigue os pobres pequenos a posar para a objectiva. Não consigo arranjar na minha cabeça empatia nem explicação razoável para tanta vaidade. 

Mas isto não foi tudo (o que, se pensarmos nos arranjos fúnebres, não é tão surpreendente como isso).  Três meses (TRÊS MESES!!!) apenas depois de o marido amantíssimo se ter finado, a sardenta viúva deu novamente o nó com um ex- colega de liceu, escandalizando toda a gente (principalmente a família do primeiro marido) e fazendo verdadeiramente justiça ao estribilho Rei Morto, Rei Posto.

O segundo casório


Ora, eu percebo que a blogger seja demasiado nova e bonita para ficar sozinha. Compreendo que precise de apoio, que possa estar frágil, em depressão, que as pessoas fazem coisas estranhas e tomam decisões esquisitas quando estão transtornadas e que - em última análise - casar novamente seja a forma digna de refazer a sua vida.

 Antes voltar a casar relativamente rápido do que andar por aí na noite com as migas, a afogar a tristeza no copofone, a fazer tristes figuras e a ter casos com este e aquele, a rebaixar-se como tantas mães solteiras e divorciadas que vemos por aí (e que dão mau nome às mulheres que tenham a pouca sorte de se verem obrigadas a divorciar-se e/ou a criar filhos sozinhas). Quanto mais não seja, o moço é bem apessoado e não é fácil, nada fácil, encontrar quem seja capaz de assumir cinco crianças de um primeiro casamento...logo é compreensível que quisesse aproveitar a chance de voltar a ser feliz.



Mas calma! Três meses nem dá para uma pessoa perceber bem o que aconteceu, carpir, reajustar-se à realidade, acompanhar o processo de luto das crianças (nem de uma, que será de cinco) enfim, para uma pessoa se pôr de pé. Quanto mais para sair com um marmanjo, embeiçar-se e marcar a boda!

Até quando se trata de uma separação entre namorados de longa data, por muito torta que a relação andasse, há um período respeitoso para se assumir um novo relacionamento, não vão as pessoas pensar que já se passavam coisas esquisitas quando ainda estavam juntos. Mas tratando-se de um divórcio ou - mil vezes pior - de viuvez? E com uma data de pequenitos em casa a terem de sofrer um padrasto quando ainda não superaram a ausência do pai (por muito que apoio que o padrasto dê...) . Há toda uma delicadeza - e ponderação - que é obrigatória. Mesmo que já não houvesse aquele amor...quanto mais havendo (pelo menos toda a aparência disso). 

Em todo o caso, ao menos salvem-se as aparências!

Talvez, sendo mormon, Emily acredite que ter vários maridos em corrupio, estilo D. Flor, não seja nada do outro mundo. Só se for. Mas mesmo assim...isto é levar a outro nível a velha frase:

 " há pessoas tão sedentas de atenção que tanto lhes faz ser a noiva no casório como o morto no enterro".

Descreio de tudo, às vezes.


4 comments:

Susana said...

Uau...não concebo isto, nem considerando q o finado, sabendo o triste destino q o aguardava, a tivesse incentivado a recomeçar a sua vida e a permitir-se a novos caminhos. É chocante sim, demasiado fresco e confuso para todos, crianças incluídas. Quanto as cerimónias funebres (ou antes o espetáculo fúnebre) é mau demais, de mt mau gosto e sem justificação, isto na minha opinião. Beijinhos

Imperatriz Sissi said...

Muito triste. Nem imagino o que seja superar a morte e um marido, quanto mais isto.

C* said...

Também acompanho esta blogger e devo confessar que fiquei chocada quando me apercebi que ela se tinha casado...Especialmente tendo em consideração todo o amor que transparecia com o falecido marido. E fiquei ainda mais chocada pelas crianças. Como diz, talvez seja algo normal na religião mormon mas acho que a decência e o bom gosto cabem em todo o lado.

Sandra Marques de Paiva said...

Até fiquei curiosa para ir ver esse blog....

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