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Saturday, November 4, 2017

Identificar um malcriadão em 6 passos- mesmo quando se tenta fazer passar por outra coisa.


Pior que um malcriadão ou malcriadona assumidos, só os malcriadões que disfarçam. Ou porque não têm grande noção e acham que não estão a fazer nada de mal, ou porque se consideram pessoas "simples e humildes" sem saber muito bem o que vem a ser isso (logo, pensam que não têm obrigação para se maçarem mais a ser corteses) ou ainda - muito comum-  porque pretendem fazer-se passar por grandes senhores ou (como elas dizem, Credo) "tiazocas" ou "meninas finas" (Credo, Credo, Credo). Porém, há traços inequívocos que denunciam a baixaria melhor do que os trapos, os títulos académicos, os nomes ou pseudónimos, os códigos postais ou qualquer outro indicador. É que os tempos podem ir mudando para cada vez pior, mas há princípios que são intemporais e ou se nasceu com eles ou é preciso muita consciência e um esforço hercúleo para os ganhar.


 Basta estar atento (a) para distinguir um(a) farsante e notar que lhe faltam estes 6 traços essenciais das pessoas "de fino trato".


1- Responder quando o (a) chamam, ou quando lhe perguntam alguma coisa.



Isto pode parecer básico, elementar e escusado de dizer; mas há muito quem, como os miuditos malcriados, faça orelhas moucas quando não lhe dá jeito responder logo...ou pior, quando não lhe apetece.

 Tipo, a IGNORAR DE ALTO. E isto não sucede apenas em situações de intimidade (vulgo, o filho que se faz de surdo quando o chamam para jantar) o que já é mau que baste e caso para um açoite taludo (foi coisa que os meus pais nunca me admitiram).

Antes todo o mal fosse esse! Porém, há pessoas adultas que têm este hábito mimalho e irritante mesmo em circunstâncias sociais ou profissionais. 
Seja por amuo (inqualificável) por preguiça (mas são parvos?) para dar desprezo (há maneiras mais subtis e adultas de dar desprezo) ou simplesmente para chamar a atenção (duas lamparinas bem dadas contam como atenção?) esse é um atestado de má criação ao mais alto nível e uma letra escarlate "L, de Labrego". Isto para não dizer que pode ser um indicativo de perturbação mental mais ou menos preocupante. As pessoas que conheci com esta mania sofriam, sem excepção, de uma falta de chá notória acompanhada de forte dose de traumas e parafusos soltos.

Mind you, não é que uma pessoa tenha de largar tudo para dar uma resposta elaborada no momento exacto em que alguém se lembra de a interromper. Tão pouco somos obrigados a responder a todas as questões, se não nos convém, ou a dar respostas desprevenidas e precipitadas. Mas o mínimo é assentir, reconhecer que se ouviu e dar sinal disso, com um "só um momento", ou "já vou", um "diga?" - ou no limite dos limites, um grunhido qualquer, como o infame "hãaaa?". Lá em casa o "hein?" era proibido e fomos ensinados a considerar super malcriado quem respondia assim às pessoas, mas os tempos vão tão negros que um "hã" já parece menos mau. 

Em todo o caso, quem faz isto dá a ideia de ter sido criado aos trancos e barrancos, por pais irresponsáveis que despachavam a criançada para casa dos vizinhos, à rédea solta o dia todo, e não se inteiravam das suas maneiras. Belo cartão de visita, hein?



2- Saber fazer "small talk" e pôr as pessoas à vontade





Já vos aconteceu irem a uma festa, ou serem recebidas em casa de alguém (amigos de amigos, novos colegas ou pior, no momento de conhecer os amigos do namorado) e instalar-se um silêncio de cortar à faca? Sem um "então, que tal lhe parece isto?", sem um " prefere beber X ou Y'" ou um "e a menina é de onde?" ou mesmo "que tempo quente que tem feito, não é verdade?".


É das situações mais constrangedoras para quem chega de novo ou está  a ser recebido - mas também  para quem tem o azar de receber convidados mal educados e ingratos, incapazes de corresponder aos esforços do anfitrião.


Quando alguém se mostra desagradável numa ocasião social e outras pessoas desculpam a criatura com um "é tímida (o)", eu penso logo de mim para mim "...é tímido (a)...e também não bebeu chá em pequenino (a)".


 As boas maneiras, adquiridas desde o berço, não passam de fórmulas simples e concretas  para ajudar a contrariar os defeitos naturais do carácter de cada um: nomeadamente, moderando quem é atrevido ou barulhento e "espevitando" quem é acanhado. 


Uma criança tímida a quem os pais incentivem desde muito cedo a seguir o guião de cumprimentar, ser apresentado, despedir-se, desculpar-se, etc...poderá ser sempre uma pessoa reservada, mas saberá comportar-se em sociedade sem passar por tola. 

Há a conversa fluida, animada, com alguém com quem nos identificamos, e há a conversa de circunstância, feita para quebrar o gelo. Quem não sabe fazer small talk - principalmente quando recebe convidados- está automaticamente apresentado (a).
Quem desde pequeno se acostumou a frequentar e/ou ajudar a organizar em família eventos de alguma formalidade,  teve de se habituar a pôr quem chega à vontade, amiúde pessoas que não conhecia bem. Ora a fazer de cicerone ao filho de beltrano, que chegava de Bruxelas, ora a esposa do Senhor General ou o Sr. Prior, ora a prima afastada que veio do estrangeiro. Por muito pouca vontade/simpatia instantânea que houvesse, e com cara alegre!

E este é um comportamento obrigatório, mesmo que não se simpatize nadinha com a pessoa ou que  não se seja, por natureza, uma alma expansiva e conversadora. Não é hipocrisia- é ser polido. Noblesse oblige.


Daí esse ser um traço muito claro que permite identificar logo quem vem de, vá, "boa família"- ou pelo menos, as pessoas excepcionalmente bem formadas, francas e hospitaleiras (não nos enganemos, pois isso também existe entre a "gente simples" e "da aldeia"). Quem recebeu esses princípios, só não os segue se estiver, por algum motivo, a fazer de propósito, em modo  bullying social, a isolar fulana ou sicrana por alguma animosidade, apenas para evitar ser abertamente hostil, mas sabendo perfeitamente que procede mal (às vezes acontece, por males necessários, o que não significa que seja um comportamento bonito).

 Quem deixa que se instale um ambiente desconfortável com a desculpa de "não conhecer as pessoas" é um bruto sem maneiras, que até pode ter ido um bocado à escola, viajado ou enriquecido... mas não recebeu um pingo de verniz em casa e ponto final.

3- Não ser demasiado "à vontade"




Como diz o povo e muito bem, "à vontade não é à vontadinha". Tenho dito por aqui que quem sabe estar entra com o mesmo desembaraço em toda a parte, seja no Paço Real seja na tasca da esquina...adequando, obviamente, as maneiras, a linguagem e o traje ao lugar/ocasião, mas não deixando por isso de se sentir confortável. Porém, a modéstia e a prudência ficam bem vistas em todo o lado. A diferença entre uma pessoa que está à vontade em todo o lado e uma pessoa descaradona é enorme.

 Imaginemos um exemplo exagerado: uma pessoa bem educada, se se prepara para visitar o Palácio de Buckingham, não se intimida mesmo que o facto seja uma grande novidade. Aprende ou revê o protocolo, para saber que saudação dirigir a Sua Majestade e o que deve vestir (evitando calças e sapatos abertos se for mulher, por exemplo) e lá vai contente e feliz. Mas uma criatura atrevida e imprudente não faz caso de nada disso: entra como se estivesse em sua casa, atropela as precedências e é capaz de abraçar a Rainha e
 plantar-lhe dois sonoros beijos nas bochechas se lhe derem asas.

Ser descarado e sem cerimónia, intrometer-se nas conversas, chamar a atenção sobre si, tomar grandes confianças com gente que nunca viu mais gorda, agir como se se conhecesse todo o mundo desde sempre, falar alto e bom som seja no hospital, na Igreja ou numa festa formal, tratar quem está como se tivessem andado juntos na escola ou na tropa, atropelar hierarquias, dar-se a intimidades que nem os próprios íntimos, presentes na mesma sala, se dão, tomar familiaridades inadequadas...é um carimbo de má criação inequívoco...que pode ou não ter origem em más intenções. 

Este é um comportamento muito comum em alpinistas sociais (e em sociopatas, como já por aqui vimos) mas há pessoas que o fazem apenas por serem muito espalha-brasas e barulhentas- ou como se diz por aí, sem filtro. Porém, o "não é defeito, é feitio" não é desculpa: quem não aprendeu a ter filtro em pequeno convém que o arranje depois de adulto. Há pessoas mais indulgentes ou ingénuas que até podem achar graça a tanta desfaçatez, mas regra geral o espalha-brasas embaraça-se a si e a quem o(a) acompanha (chefias, colegas, cara metade, etc)...além de ser uma fonte borbulhante de vergonha alheia!


4- Usar um inglês correcto (ou prescindir dele, de todo)





E quem diz inglês diz francês ou qualquer outra língua, embora o inglês tenha hoje o peso que o francês teve em tempos e o mandarim seja cada vez mais necessário (eu bem quis aprender mandarim, em casa acharam isso uma esquisitice e hoje bem falta me faz).

 A língua de Shakespeare é uma ferramenta básica nos dias que correm, mas vamos ser sinceros: nem toda a gente teve as mesmas oportunidades e isso não é defeito. De igual modo, nem toda a gente tem o mesmo jeito para idiomas, mesmo que a família tenha insistido nisso e gasto horrores a mandar os filhos para boas escolas de inglês. 

Ser bilingue e/ou poliglota ainda é um traço de quem recebeu uma boa instrução, viajou, conviveu com gente de todo o lado e teve, enfim, a sorte de ter uma criação mais ou menos cosmopolita (detesto a palavra, mas seja). Porém, usar estrangeirismos - ou anglicismos- só é aceitável em quem os emprega correcta e fluentemente. 
 Quando alguém quer fazer boa figura assassinando idiomas, mais valia que estivesse quieto. Na dúvida, pergunta-se a quem sabe (e por vezes, até na língua mãe podem surgir dúvidas nas coisas mais corriqueiras, logo perguntar nunca é má ideia) ou usa-se um corrector ortográfico capaz. Mas se ainda assim a dúvida persistir, é sempre mais elegante ser simples, deixar-se de peneiras e usar português são e escorreito. Temos um idioma tão rico e requintado que dominá-lo sem pontapés já é uma prova de boa educação (já lá vamos). E usar hashtags com erros em inglês, e.g. tentar traduzir "os meus amores" por "#mylovers"? Sem classificação possível (mas muito cómico).

5- Ter um vocabulário apresentável (e jamais deixar passar certos termos medonhos)




Lá dizia o outro, "há certas danças que um cavalheiro ou uma Senhora que se prezem não consentem nunca em dançar". É que o hábito (e os hábitos...) fazem muitíssimo o monge. Embora os usos sejam actualmente mais fluidos do que já foram e muitas roupas, músicas, termos e costumes que eram de nicho (ou próprios de certas minorias/contra-culturas) se tenham tornado mainstream, ainda há coisas que acusam imediatamente uma certa baixeza de maneiras, de viver e de ideias. 

E isso é muito denunciado, como seria de esperar, pela linguagem. 

Um exemplo claro é o de certas bloggers que pretendem passar por muito benzocas, que se desunham para demonstrar que nasceram e/ou que vivem numa grande capital, que têm um estilo de vida muito chic...e depois zás, lá lhes escapam palavras, imagens ou perspectivas grosseiras, popularuchas ou viciosas que lhes denunciam o berço rude e a infância passada num bairro suburbano questionável. Quem teve muito boa educação
 rege-se por certos critérios que sente sempre pejo em ultrapassar, mesmo que tenha as suas fases de rebeldia. Quem não...tudo lhe parece normal, desde que ande na moda.

 Uma pessoa até pode falar um português correcto, ter tido a sorte de nascer com um ar minimamente apresentável (e/ou encaderná-lo o melhor possível, a ver se disfarça), ser razoavelmente espirituosa, viajar imenso e cobrir-se de griffes dos pés à cabeça, mas se concede em certas pinderiquices (como tatuagens fofinhas ao fundo das costas ou no pescoço e ver reality shows da TVI) e usa termos como TOP!, "Gostosão", t***sudo e por aí fora..a criatura fica logo apresentada. Pode ser muita coisa, ter mérito, ser divertida, viajada, cosmopolita (Credo!) e bem sucedida, mas não teve uma criação lá muito esmerada, não. Vai sempre a tempo de se corrigir, mas não vale a pena tentar passar por muito betinha, quando qualquer observador mais criterioso percebe perfeitamente o que ali anda. Mais valia assumir-se e pronto.


6- Delicadeza no discurso




Agora é moda fazer/dizer horrores, atirar ditos inconvenientes que magoam os outros sem necessidade, opinar sobre tudo da forma mais cruel, escrever barbaridades nas redes sociais (no Facebook qualquer cobarde mata sete) atirar palavrões de fazer corar um carroceiro... e defender-se com o bom e velho "eu cá sou muito sincero e directo, e ao menos não sou hipócrita".

 Embora uma certa irreverência possa ter graça em determinadas pessoas, repito o que já disse mil vezes: franqueza sem delicadeza é grosseria. E quem teve educação, antes de saber a precedência dos convidados à mesa nas diferentes configurações possíveis para um jantar formal ou quando deixar um cartão de visita, aprendeu que ter boas maneiras passa por não vexar os outros, respeitar sensibilidades que possam ser diferentes da sua (por exemplo, nem toda a gente fica confortável perante palavreado grosseiro ou obsceno) não incomodar, não causar constrangimentos e pensar nos demais antes de pensar em si mesmo (a). Quem não se importa de ser incomodativo ou inconveniente, das duas três: ou não tomou chá em pequenino, ou o chá era falsificado, ou entretanto bebeu tanta substância ruim e em tão más companhias que esqueceu tudo o que sabia.


E pronto, assim se descobrem os farsolas!

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